A prática de exercícios físicos reduz em 30% as chances de câncer de mama

Outubro é o mês de vestir rosa, pela campanha de conscientização sobre o câncer de mama — a doença que mais mata mulheres no Brasil. Segundo o INCA – Instituto Nacional de Câncer, a estimativa de diagnósticos da doença entre 2018 e 2019 será de 59.700 novos casos da doença no País.

Para o presidente regional do Rio de Janeiro da Sociedade Brasileira de Mastologia, Eduardo Millen, a ineficácia da mobilização para reduzir os números de mortalidade está na quantidade de pacientes que realizam o exame de mamografia anualmente: “A Organização Mundial de Saúde (OMS) estipulou que uma campanha de combate ao câncer de mama só faz efeito quando 70% das mulheres com mais de 50 anos realiza o exame de mamografia. No Brasil, apenas 23% delas tem essa cobertura pelo SUS.”

O exame — que deve ser feito uma vez por ano a partir dos 40 anos —  não é o único que faz diagnóstico da doença. Também podem ser acrescentadas à lista ultrassonografias, ressonâncias e, para de fato classificar um tumor como benigno ou maligno, a biópsia. A mamografia, no entanto, é a única que pode identificar microcalcificações na mama que podem vir a se tornar em um tumor.

“A ressonância e a ultrassonografia são indicadas para a população de alto risco, o que é apenas 10% das mulheres”, diz o médico com doutorado pela Unifesp.

Mamografia

Embora o autoexame tenha sua importância, Millen afirma que ele apenas identifica nódulos quando já estão em estágio avançado. Uma mulher leiga, por exemplo, costuma percebê-los somente quando possuem mais de dois centímetros — o que significa que ele está em formação há pelo menos 20 anos:

‘O nódulo é uma manifestação tardia do câncer. Um médico, por exemplo, não vai perceber um nódulo menor que um centímetro. Por isso que não podemos delegar à mulher a função de se diagnosticar e por isso que é tão importante fazer mamografia. Com ela é possível identificar nódulos de dois milímetros, ou seja, formado há pouco mais de cinco anos.

A maioria dos caroços nas mamas não são câncer. Mas apesar de todas estarem propícias a desenvolvê-lo, as mulheres com maior fator de risco são as com histórico na família — principalmente se tratando de casos manifestados antes dos 50 anos. É o caso da atriz Angelina Jolie, que realizou uma mastectomia preventiva em 2013.

“A mãe da Angelina morreu de câncer de mama e sua tia desenvolveu câncer de mama e ovário. Após ela fazer testes genéticos, os médicos detectaram uma alta chance de ter a doença. Antes que o problema acontecesse, ela optou pela cirurgia preventiva da retirada das mamas. Este procedimento, que retira apenas as glândulas mamárias e preserva a capa do seio, reduz o risco do câncer em 90% e a mortalidade em 100%”, explica o mastologista.

Outras prevenções, entretanto, não precisam ser tão radicais. Mudanças de hábitos simples, como consumir menos álcool diariamente, diminuem expressivamente a chance de ter a doença. Eduardo ainda dá mais recomendações:

“As mulheres precisam se mover, portanto, praticar exercícios, nem que seja uma caminhadinha rápida uma vez ao dia, reduz em 30% o risco de câncer de mama. Essa prática ajuda no segundo ponto ao qual as mulheres devem dar atenção, que é o controle do peso. Para fechar, quem faz terapia para a menopausa com hormônios deve evitar estender esse tratamento por mais de cinco anos. Se não puder, o ideal é aumentar a vigília, realizando exames laboratoriais a cada seis meses.

Um diagnóstico precoce representa a diferença entre a vida com qualidade e a morte. Se um nódulo maligno ultrapassa os cinco centímetros, a chance de quimioterapia é de 100%. Se ele for identificado com um centímetro, a escala encolhe para menos de 1%.

Considerando a qualidade da vida das pacientes é que o Dr. Eduardo apela para a realização da mamografia na frequência recomendada. Afinal, usar rosa para simbolizar a batalha contra um mal que tirou a vida de 14 mil brasileiras em 2013 deve ir além de outubro e das quartas-feiras, durando o ano inteiro.

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