Janeiro roxo: campanha alerta para as formas de transmissão e tratamento da hanseníase

Em 2017, Porto Alegre registrou oito novos casos da doença com origem na capital.

O diagnóstico precoce da hanseníase é um grande desafio para os profissionais da saúde. A doença pode se manifestar com lesões muito variaveis na pele ou também neurais, causando alteração de sensibilidade nos nervos periféricos, por exemplo. Além disso, o período entre a contaminação da bactéria e o surgimento dos sintomas pode ser longo, variando entre dois e sete anos.

– Há, também, um processo complexo até a confirmação do diagnóstico. É como um quebra-cabeça, o médico precisa de um histórico detalhado, exame de pele, nervos e, ainda, pode solicitar testes auxiliares. O que exige, posteriormente, um tratamento multidisciplinar além de medicamentoso – explica a associada da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção RS (SBD-RS), Letícia Eidt.

Uma das principais consequências negativas sobre o diagnóstico tardio é que ele prejudica a qualidade de vida do paciente. Segundo dados do Programa Estadual de Controle da Hanseníase-PECH, o Rio Grande do Sul tem a menor incidência da doença no Brasil, mas a sua identificação demorada faz com que o estado tenha o percentual mais alto de grau de incapacidade.

A principal forma de contágio é pelo contato direto com pacientes que ainda não iniciaram o tratamento. Os sintomas podem ser bolhas, erupções, nódulos, saliência, perda de cor, vermelhidão ou úlceras na pele. Com relação ao sistema sensorial, podem ocorrer formigamento, redução na sensação de tato ou perda da sensação de temperatura. A prevenção, portanto, é a vigilância ativa, conforme Letícia.

– Nove entre dez pessoas no mundo herdam a resistência natural do bacilo de hansen. Porém, estes 10% que não possuem a defesa natural quando entram em contato com uma das formas transmissíveis da doença apresentam um alto risco de adoecer. Quando há um trabalho preventivo, procurando o paciente antes dele buscar atendimento e também, mantendo controle sobre pessoas que tiveram contato com ele, há grande probabilidade de diagnosticar a doença de forma precoce – complementa a dermatologista.

Considerada uma questão de saúde pública, a hanseníase conta com tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A patologia, porém, ainda traz um estigma negativo, através do qual, muitos pacientes sofrem preconceito. Este é um dos fatores que faz com quem a maioria dos gaúchos procure atendimento em outros municípios, em especial Porto Alegre, colocando a capital gaúcha no topo do ranking entre as cidades com maior incidência.

Engajada na campanha Janeiro Roxo, a SBD-RS apoia a iniciativa da Prefeitura porto-alegrense, na sexta-feira (26/01). A ação, que ocorrerá no Parque da Redenção, das 9h às 11h, terá distribuição de materiais informativos e prestará esclarecimentos à população.

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