Novembro Azul: campanha deve ir além do câncer de próstata

AMRIGS incentiva que homens busquem informações sobre a sua saúde em todos os aspectos
Através da campanha “Saúde Preventiva: Pratique essa ideia!” e do “Novembro Azul”, é recomendado, pela Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), que os médicos aproveitem a ocasião para facilitar o acesso do homem ao consultório e abordar sua saúde de maneira geral, não apenas focando na realização de exames de avaliação da próstata. O diretor de Exercício Profissional da entidade, Marcos Vinícius Ambrosini Mendonça, destaca que, as causas externas e as doenças cardiovasculares são os motivos de morte mais frequentes nos homens brasileiros e que o vínculo do paciente com um profissional médico de confiança pode fazer a diferença nos desfechos da sua saúde.
– A grande maioria das manchetes e ações de saúde relacionadas ao “Novembro Azul” aborda unicamente a prevenção ao câncer de próstata indiscriminada para todos os homens, com a exigência moral da realização de exames de sangue e toque retal para pacientes de variadas idades, com ou sem sintomas ou fatores de risco. Essa atitude vai contra a literatura médica mais recente, que aponta incerteza na redução da mortalidade geral por câncer de próstata em pacientes sem sintomas. Assim, o que queremos com a janela de oportunidade oferecida por esta campanha, é alertar para a importância da saúde do homem na busca não apenas de sintomas relacionados ao câncer de próstata, mas também a identificação precoce de outras doenças frequentes e mortais para o homem, como hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e sedentarismo, por exemplo, com respaldo científico forte para avaliação – afirma.
Neste ano, o Núcleo de Telessaúde da UFRGS, em conjunto com a Sociedade Brasileira de Urologia – Secção RS (SBU-RS), o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, a Associação Gaúcha de Medicina de Família e Comunidade, a organização Choosing Wisely Brasil, a Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre e a Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul lançaram uma nota e uma página na internet com informações para médicos e pacientes não recomendando o rastreamento universal pelo exame de PSA e toque retal para todos os homens. A investigação deve ser feita em pacientes com sintomas urinários. Para aqueles sem sintomas, o exame deve ser solicitado apenas após decisão compartilhada sobre riscos e benefícios da investigação em homens com a partir dos cinquenta anos ou com 45 anos, se possuem algum fator de risco. Segundo Mendonça, essa indicação pode ajudar a evitar investigações desnecessárias e dolorosas para o homem.
– As evidências científicas até o presente momento mostram que a solicitação indiscriminada de PSA faz aumentar um fenômeno conhecido como sobrediagnóstico, que significa detecção de doenças que nunca levariam a sintomas ou a morte dos pacientes, ou seja, intervenções que não trazem benefício algum para a saúde das pessoas. No caminho da investigação e do tratamento precoce de doenças de próstata que poderiam ser observadas com um bom vínculo entre médico e paciente, estamos aumentando a incidência de procedimentos que levam à incontinência urinária e impotência para o resto da vida destas pessoas, sem termos certeza do real benefício – explica.
Segundo o especialista, o mês de novembro precisa servir de alerta para a saúde dos homens em todos os aspectos, pois a busca por informações e atendimento médico por parte deste público ainda é incipiente.
– Sabemos que os homens consultam menos que as mulheres e buscam menos hábitos de prevenção. Por isso, aconselhamos que busquem um médico para avaliar a presença de sintomas, aferir a pressão arterial, avaliar o peso, o consumo de álcool e tabaco e, se for necessário, após decisão compartilhada, solicitar exames complementares – salienta.
Mais informações sobre as evidências utilizadas neste texto estão no site ufrgs.br/telessauders/prostata.php.
Redação: Mariana da Rosa
Coordenação: Marcelo Matusiak
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