Sociedade de Pediatria do RS esclarece dúvidas sobre a febre amarela

Médicos salientam que prevenção é necessária, mas não há motivos para correria em busca da imunização.

Os casos recentes no Brasil de febre amarela acenderam o sinal de alerta e trazem uma série de dúvidas na população. O alerta da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) é de cuidado, especialmente em relação a imunização, necessária como medida preventiva, mas reforça que não deve haver uma corrida desenfreada em busca de vacinas.
– A vacina está disponível em todas as unidades de saúde. É de rotina para todas as crianças que completam 9 meses. Apenas uma dose é necessária para qualquer pessoa, que assim, estará protegida para toda a vida contra a febre amarela – explica o diretor da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, Benjamin Roitman.
A vacina fracionada neste momento está sendo utilizada apenas no Sudeste do país e dá proteção por 8 anos. Aqui no RS é a vacina integral, que dá proteção para toda a vida. Como é uma vacina de vírus vivo atenuado, deve-se ter precaução na indicação de vacina. Pessoas de mais de 60 anos só devem receber com indicação médica. Grávidas e bebês com menos de 9 meses não devem receber a vacina apenas em situações especiais (vivendo em área de circulação do vírus, por exemplo).
– Como o RS não tem circulação de vírus da febre amarela, não há indicação de vacinar estes grupos. Mesmo os adultos ou crianças que não receberam vacina, não tem necessidade de correr para unidades de saúde para se vacinar. Devem procurar a vacina as crianças que completam 9 meses (rotina) pessoas que necessitam de certificado de vacinação para alguma viagem ao exterior ou pessoas que viajarão para as áreas de circulação do vírus (São Paulo, RJ, Minas Gerais, Bahia, no momento). Não podemos esquecer de recomendar o uso de repelentes às pessoas que viajam a estes lugares, principalmente àqueles que não se recomenda receber a vacina (como grávidas) – completa Benjamin.
A febre amarela é uma doença viral grave que pode levar ao óbito (cerca de 30% é mortalidade). Se reconhecida e tratada precocemente (tratamento basicamente de suporte) a evolução é melhor. Os sintomas iniciais se parecem com as demais viroses como febre alta, dor no corpo, mialgias, cefaleia, náuseas e vômitos que podem evoluir para insuficiência hepática (com icterícia – daí o nome febre amarela), sintomas hemorrágicos e insuficiência renal.
Um conceito importante é que existem dois tipos de contaminação. A silvestre é disseminada pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes, circulantes em matas, e não em cidades. A versão urbana é transmitida pelo Aedes aegypti, o mesmo da dengue, do zika e da chikungunya. Não há registro de febre amarela urbana no Brasil desde 1942. As mortes de agora foram causadas pela versão silvestre, unicamente. No entanto, a maior preocupação das autoridades é com a versão urbana pelo seu potencial de disseminação já que circularia nas cidades, em meio a um número muito maior de pessoas.
Litoral do RS
Um tema que tem levantado dúvidas diz respeito ao litoral do Rio Grande do Sul. O estado, não tem circulação de vírus. Segundo o médico, Benjamin Roitman, a extensão da recomendação de vacinação às pessoas que moram no litoral visa apenas proteger esta população pelo que ocorre no Brasil, (até então não tinha indicação de se vacinar). Não é necessário se vacinar por viagem ao litoral. Lembrando que a doença é transmitida por mosquitos, não passa de pessoa a pessoa nem de macacos a pessoas. Então, mesmo que eu encontre um paulista no nosso litoral com febre não há como pegar a doença apenas por estar junto. Cabe salientar que a F.A. é do tipo silvestre, ou seja, de circulação apenas em áreas de matas, periféricas às grandes cidades. Onde vivem macacos e mosquitos hemagogos (estes insetos que transmitem a doença). Por último, protejam os macacos: eles são os sentinelas e “avisam” quando o vírus está presente em nosso meio e nunca passam a doença para os humanos.

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