Vera Fischer volta às novelas e diz que não é uma mulher morna

Maquiadores, cabeleireiros, assessores de imprensa, produtores de moda, assistentes e a fotógrafa Nana Moraes ficaram de queixo caído quando Vera Fischer se sentou no chão e começou a se alongar. Como uma deusa, ela exibiu, sem dó dos simples mortais, toda a sua flexibilidade, aos 66 anos. Vera está cheia de disposição para tudo, inclusive para a sua volta à TV, depois de seis anos longe das novelas – a última foi “Salve Jorge”, de Gloria Perez, exibida em 2012, fora uma pequena participação em “Malhação” neste ano.

Na nova trama das 18h, “Espelho da vida”, de Elizabeth Jhin, que estreia no fim do mês, Vera interpretará uma atriz que já atuou na TV, mas que está afastada porque acredita que, com a idade, não é mais chamada para papéis relevantes. Carmo tem um temperamento forte e um excelente coração. Vera diz que nunca teve medo de não viver mais grandes personagens: “Diz a Meryl Streep sobre as atrizes mais experientes: “We are unfuckable!”. Mesmo assim, todo ano ela faz um filmaço. Às vezes, artistas muito jovens não dão conta do recado. Acham que ter uma conta milagrosa no Instagram vai fazer a carreira dar certo.”

O convite para voltar à TV não poderia ter sido mais carinhoso. Partiu do diretor-artístico da novela, Pedro Vasconcelos, que trabalhou com Vera há décadas, mais precisamente em “Riacho doce”, minissérie dos anos 1990 que prendeu o público com cenas de romance e nudez. “Naquela época, há 28 anos, não havia nada em Fernando de Noronha, onde gravamos as cenas. Nem mesmo hotel! Então todo o elenco ficou muito próximo, ficamos muito amigos. Para essa novela de agora, o Pedro me deixou uma mensagem tão incrível, que não tinha como não ligar correndo para ele.”

Para Pedro, a atriz sempre foi e sempre será uma das maiores estrelas da história deste país. “É uma grande honra trabalhar com ela. Estou muito feliz em tê-la no elenco de Espelho da vida. É um privilégio dirigi-la. Quando trabalhamos juntos em “Riacho doce”, eu tinha 16 anos, e a Vera sempre me tratou de igual para igual. Eu estava iniciando, ela já era uma estrela, e a relação sempre foi absolutamente respeitosa e de troca. Sua história em relação à teledramaturgia, ao cinema e ao teatro é incrível.”

Mesmo depois de dezenas de filmes, peças de teatro e novelas, ela conta que se sente “uma colegial estreando”: “Leio que alguns artistas dizem que fazem seus personagens com os pés nas costas. Não entendo a pessoa que não fica nervosa com uma estreia. Se você não tem apreensão ou nervosismo, não é atriz.”

Cheia de planos, Vera já está lendo peças de teatro para embarcar em algo novo assim que a novela terminar. “Acho que o público está um pouco sedento de histórias que falem sobre delicadeza, amizade. Não acho nada maravilhoso fazer a vilã. Sou daquelas que prefere fazer a outra. A realidade já anda muito dura. A linguagem do momento agora deveria ser sobre respeito, carinho, ternura, elegância. Essas palavras têm que estar na ordem do dia.”

A atriz relata que tem se emocionado com a beleza das coisas, dos momentos, das relações. Não chora mais por tristezas. “Hoje, a beleza me toca mais. Estou com a minha emoção à flor da pele e, ao mesmo tempo, muito bem-humorada. Antigamente, eu era mais séria e achava que o drama e a tragédia eram mais importantes. Mas descobri que você pode usar o humor para tudo.”

A única coisa que, segundo ela, a tira do sério é “gente burra e lerda”. Não tem paciência, por exemplo, para atrasos. “Aprendi com meus pais que cada coisa tem o seu ritmo e que tenho que estar pronta. Sou rigorosa comigo mesma.”

O sítio que mantém em Ilha de Guaratiba é um refúgio, embora Vera não esteja indo com a frequência de que gostaria. “Ia muito com os meus filhos, mas agora está cada um para um lado, e não gosto de ir sozinha. Como a casa tem 20 quartos, posso chamar quem eu quiser. Os quadros que pinto ficam lá”, disse a atriz.


 

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