{"id":33820,"date":"2020-09-08T11:59:25","date_gmt":"2020-09-08T14:59:25","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=33820"},"modified":"2020-09-08T11:59:25","modified_gmt":"2020-09-08T14:59:25","slug":"coalizao-covid-brasil-publica-estudo-sobre-o-efeito-da-azitromicina-no-tratamento-de-pacientes-com-covid-19-em-estado-grave","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/coalizao-covid-brasil-publica-estudo-sobre-o-efeito-da-azitromicina-no-tratamento-de-pacientes-com-covid-19-em-estado-grave\/","title":{"rendered":"Coaliz\u00e3o COVID Brasil publica estudo sobre o efeito da azitromicina no tratamento de pacientes com COVID-19 em estado grave"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p><em>Pesquisa revela que a adi\u00e7\u00e3o da azitromicina ao tratamento de pacientes com COVID-19 em estado grave \u2013 uma das pr\u00e1ticas mais adotadas em todo o mundo - n\u00e3o melhora a evolu\u00e7\u00e3o cl\u00ednica dos indiv\u00edduos. O resultado do estudo pode contribuir para mudar a rotina de cuidados contra a doen\u00e7a<\/em><\/p>\n<p>Uma alian\u00e7a para condu\u00e7\u00e3o de pesquisas, formada por Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alem\u00e3o Oswaldo Cruz, BP \u2013 A Benefic\u00eancia Portuguesa de S\u00e3o Paulo, Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), avalia a efic\u00e1cia e a seguran\u00e7a de potenciais terapias para pacientes com Covid-19. Denominada Coaliz\u00e3o Covid-19 Brasil, a iniciativa conduz dez estudos voltados a diferentes popula\u00e7\u00f5es de pacientes infectados pelo novo coronav\u00edrus. A Coaliz\u00e3o j\u00e1 havia publicado seu primeiro estudo no New England Journal of Medicine avaliando o uso de hidroxicloroquina isolada ou associada a azitromicina em pacientes hospitalizados com doen\u00e7a leve e moderada e outro estudo no JAMA avaliando o uso de corticoides ( no caso, dexamatasona) em pacientes internados em UTI com quadro pulmonar de alta gravidade (s\u00edndrome da ang\u00fastia respirat\u00f3ria aguda-SARA).<\/p>\n<p>Um novo estudo, nomeado Coaliz\u00e3o II, avaliou se o antibi\u00f3tico azitromicina poderia trazer benef\u00edcios a pacientes adultos hospitalizados com formas graves de Covid-19 quando adicionado ao tratamento padr\u00e3o ofertado aos pacientes na ocasi\u00e3o em que o trabalho foi realizado. Os resultados foram publicados no peri\u00f3dico cient\u00edfico The Lancet nesta sexta-feira (04\/09). O estudo foi aprovado pela Comiss\u00e3o Nacional de \u00c9tica em Pesquisa (CONEP) e pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa).<\/p>\n<p>O Coaliz\u00e3o II teve in\u00edcio no dia 28 de mar\u00e7o e realizou a inclus\u00e3o do \u00faltimo paciente no dia 19 de maio. Foram cadastrados 447 indiv\u00edduos atendidos em 57 hospitais brasileiros. Deste total, a Covid-19 foi confirmada em 397 pacientes, que serviram de base para a an\u00e1lise principal pesquisa. Todos apresentavam ao menos um dos seguintes crit\u00e9rios de gravidade: necessidade de uso de mais de 4 litros de oxig\u00eanio por dia, uso de c\u00e2nula nasal de alto fluxo, de ventila\u00e7\u00e3o n\u00e3o invasiva com press\u00e3o positiva ou de ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica. Al\u00e9m disso, eram portadores de fatores de risco para agravamento da doen\u00e7a (hipertens\u00e3o, diabetes, doen\u00e7as cardiovasculares e insufici\u00eancia renal cr\u00f4nica). Cerca de 50% dos pacientes inclu\u00eddos nesta pesquisa estavam em ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica quando o estudo come\u00e7ou.<\/p>\n<p>Por meio de randomiza\u00e7\u00e3o (sorteio), 214 pacientes receberam azitromicina mais o tratamento padr\u00e3o e 183 receberam tratamento padr\u00e3o sem azitromicina. Tratamento padr\u00e3o inclu\u00eda todas as medidas de suporte hospitalar, uso de outros tratamentos como antivirais e, conforme padr\u00e3o da \u00e9poca da realiza\u00e7\u00e3o do estudo, hidroxicloroquina. A azitromicina foi ministrada em doses di\u00e1rias de 500 mg por via oral, nasog\u00e1strica ou intravenosa durante dez dias.<\/p>\n<p>Os pacientes foram acompanhados durante 29 dias, mas a principal an\u00e1lise foi feita com base no estado cl\u00ednico dos participantes 15 dias ap\u00f3s a implanta\u00e7\u00e3o dos regimes terap\u00eauticos. A avalia\u00e7\u00e3o considerou seis aspectos: ter recebido alta, mas manifestar sequela; estar internado, por\u00e9m sem limita\u00e7\u00f5es; permanecer internado e continuar recebendo oxig\u00eanio; precisar de oxig\u00eanio, mas sem ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica; fazer uso de ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica e, por fim, ter vindo a \u00f3bito. O objetivo principal foi avaliar se a adi\u00e7\u00e3o de azitromicina ao tratamento padr\u00e3o poderia resultar em melhor evolu\u00e7\u00e3o cl\u00ednica dos pacientes.<\/p>\n<p><strong>O QUE ACONTECEU COM OS PACIENTES INCLU\u00cdDOS NO ESTUDO ?<\/strong><\/p>\n<p>A an\u00e1lise feita 15 dias ap\u00f3s o in\u00edcio dos tratamentos mostrou que n\u00e3o houve diferen\u00e7a entre os grupos na chance de os pacientes apresentarem melhora segundo a escala de seis pontos usada para aferir a evolu\u00e7\u00e3o cl\u00ednica.<\/p>\n<p>Interpreta\u00e7\u00e3o: O uso de azitromicina associado ao tratamento padr\u00e3o n\u00e3o mostrou benef\u00edcios para a recupera\u00e7\u00e3o dos pacientes.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o houve diferen\u00e7a importante na mortalidade entre o grupo medicado com azitromicina mais tratamento padr\u00e3o (incluindo hidroxicloroquina) e o grupo que recebeu apenas tratamento padr\u00e3o (incluindo hidroxicloroquina). No primeiro, a taxa de \u00f3bitos ap\u00f3s 29 dias foi de 42%. Entre o grupo controle, foi de 40%. A elevada taxa de \u00f3bito demonstra a gravidade desta popula\u00e7\u00e3o e a necessidade de pesquisas adicionais para identifica\u00e7\u00e3o de terapias seguras e eficazes.<\/p>\n<p>Finalmente, n\u00e3o houve diferen\u00e7as significativas no tempo m\u00e9dio de interna\u00e7\u00e3o: 26 dias para os pacientes que receberam azitromicina mais tratamento padr\u00e3o e 18 dias entre os pacientes que receberam apenas a terapia padr\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>EFEITOS ADVERSOS<\/strong><\/p>\n<p>A incid\u00eancia de eventos colaterais foi semelhante nos dois grupos de pacientes. Entre os que receberam a adi\u00e7\u00e3o da azitromicina ao tratamento padr\u00e3o, por exemplo, 39% apresentaram insufici\u00eancia renal e precisaram ser submetidos \u00e0 di\u00e1lise. No grupo dos medicados com a terapia padr\u00e3o, o \u00edndice foi de 33%.<\/p>\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>O uso da azitromicina n\u00e3o melhora a evolu\u00e7\u00e3o cl\u00ednica de pacientes com Covid-19 em estado grave. Os achados do estudo, portanto, n\u00e3o sustentam a indica\u00e7\u00e3o do uso rotineiro desta terapia no tratamento da doen\u00e7a em casos graves.<\/p>\n<p><strong>IMPORT\u00c2NCIA DO ESTUDO COALIZ\u00c3O II<\/strong><\/p>\n<p>Hoje, a azitromicina \u00e9 o segundo rem\u00e9dio mais usado no mundo no tratamento de pacientes com Covid-19 em estado grave. O resultado da pesquisa Coaliz\u00e3o II \u2013 ao que se sabe, primeiro estudo randomizado do mundo a avaliar o efeito da adi\u00e7\u00e3o da azitromicina \u00e0 terapia padr\u00e3o -, demonstrando a inefic\u00e1cia do antibi\u00f3tico, pode contribuir para mudar a pr\u00e1tica cl\u00ednica adotada at\u00e9 o momento no cuidado aos pacientes. Vale destacar que estes achados s\u00e3o espec\u00edficos para a popula\u00e7\u00e3o de pacientes hospitalizados com COVID-19 em estado grave.<\/p>\n<p><strong>Os outros estudos da Coaliz\u00e3o Covid-19 Brasil em andamento<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00b7 Coaliz\u00e3o IV \u2013<\/strong> Est\u00e1 avaliando se a anticoagula\u00e7\u00e3o plena com rivaroxabana traz benef\u00edcios para pacientes com COVID-19 com risco aumentado para eventos tromboemb\u00f3licos. Foram inclu\u00eddos 120 de um total previsto de 600 pacientes em 40 centros.<\/p>\n<p><strong>\u00b7 Coaliz\u00e3o V \u2013<\/strong> Est\u00e1 avaliando se a hidroxicloroquina previne o agravamento da Covid-19 em pacientes n\u00e3o hospitalizados. Foram inclu\u00eddos 764 de um total previsto de 1300 pacientes em 63 centros.<\/p>\n<p><strong>\u00b7 Coaliz\u00e3o VI \u2013<\/strong> Avaliou se o tocilizumab, um inibidor da interleucina 6, \u00e9 capaz de melhorar a evolu\u00e7\u00e3o cl\u00ednica de pacientes hospitalizados com COVID-19 e fatores de risco para formas graves inflamat\u00f3rias da doen\u00e7a. Inclus\u00e3o de pacientes encerrada com 129 casos em 12 centros. Os resultados dever\u00e3o ser publicados em breve.<\/p>\n<p><strong>\u00b7 Coaliz\u00e3o VII \u2013<\/strong> Est\u00e1 avaliando o impacto a longo prazo, ap\u00f3s alta hospitalar, incluindo qualidade de vida, de pacientes que tiveram Covid-19 e foram participantes dos demais estudos da Coaliz\u00e3o. At\u00e9 o momento, foram inclu\u00eddos 980 pacientes.<\/p>\n<p><strong>\u00b7 Coaliz\u00e3o VIII \u2013<\/strong> Avaliar\u00e1 se anticoagula\u00e7\u00e3o com rivaroxabana previne agravamento da doen\u00e7a com necessidade de hospitaliza\u00e7\u00e3o em pacientes n\u00e3o-hospitalizados com formas leves da COVID-19. Previs\u00e3o de in\u00edcio de inclus\u00e3o em setembro de 2020 (1.000 pacientes).<\/p>\n<p><strong>\u00b7 Coaliz\u00e3o IX \u2013<\/strong> Avaliar\u00e1 se drogas antivirais isoladas e\/ou em combina\u00e7\u00e3o s\u00e3o efetivas para tratar casos de COVID-19 hospitalizados com doen\u00e7a moderada. Os antivirais a serem testados s\u00e3o atazanavir, daclatasvir e daclatasvir associado a sofosbuvir. Previs\u00e3o de in\u00edcio em setembro de 2020.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Melina Fernandes - Equipe de atendimento Crit\u00e9rio<\/strong><\/h6>\n<p><center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center><\/p>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa revela que a adi\u00e7\u00e3o da azitromicina ao tratamento de pacientes com COVID-19 em estado grave \u2013 uma das pr\u00e1ticas mais adotadas em todo o mundo - n\u00e3o melhora a evolu\u00e7\u00e3o cl\u00ednica dos indiv\u00edduos. 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