{"id":48721,"date":"2022-06-20T10:26:09","date_gmt":"2022-06-20T13:26:09","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=48721"},"modified":"2022-06-20T10:26:09","modified_gmt":"2022-06-20T13:26:09","slug":"combinacao-de-arvores-gado-e-pastagens-numa-mesma-area-beneficia-propriedades-rurais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/combinacao-de-arvores-gado-e-pastagens-numa-mesma-area-beneficia-propriedades-rurais\/","title":{"rendered":"Combina\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores, gado e pastagens numa mesma \u00e1rea beneficia propriedades rurais"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p>Unidades produtivas que t\u00eam apostado na integra\u00e7\u00e3o de pecu\u00e1ria e floresta, com resultados positivos, est\u00e3o sendo visitadas pela coordena\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Gestor Estadual do Plano ABC, que se encontra em fase de reativa\u00e7\u00e3o. A ideia \u00e9 identificar no Estado propriedades que sirvam de modelo dentro do contexto da Agricultura de Baixa Emiss\u00e3o de Carbono (ABC) e que possam ter suas experi\u00eancias replicadas nas diversas regi\u00f5es produtivas do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>O engenheiro florestal Jackson Brilhante, do Departamento de Diagn\u00f3stico e Pesquisa Agropecu\u00e1ria (DDPA) da Secretaria da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Desenvolvimento Rural (Seapdr), que coordena o comit\u00ea gestor, conheceu, nas \u00faltimas semanas, sistemas implantados em Bag\u00e9 e em Vale Verde. Em ambos, os produtores aderiram ao sistema silvipastoril, que \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica de cons\u00f3rcio de lavoura-pecu\u00e1ria-floresta (consiste na combina\u00e7\u00e3o intencional de \u00e1rvores, pastagens e gado numa mesma \u00e1rea e ao mesmo tempo).<\/p>\n<p>Brilhante explica que os sistemas silvipastoris t\u00eam proporcionado novas fontes de renda aos produtores, por causa da madeira, e conforto t\u00e9rmico para os animais, devido \u00e0 sombra gerada pelas \u00e1rvores. Al\u00e9m disso, h\u00e1 outros benef\u00edcios como melhoria na qualidade do solo e na ciclagem de nutrientes, controle de eros\u00e3o e aumento da mat\u00e9ria org\u00e2nica do solo.<\/p>\n<p><em>\u201cA inclus\u00e3o de \u00e1rvores nos sistemas agropecu\u00e1rios, em especial as de r\u00e1pido crescimento, como os eucaliptos, potencializam a remo\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono (CO2) da atmosfera, o que gera um saldo positivo de carbono e evidencia a capacidade desses sistemas para a mitiga\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa\u201d<\/em>, destaca o engenheiro florestal.<\/p>\n<p><strong>Harmonia entre campo nativo e a floresta<\/strong><\/p>\n<p>Em maio, Brilhante visitou uma unidade demonstrativa na Embrapa Pecu\u00e1ria Sul, em Bag\u00e9, na zona sul do Estado, onde se colocou em pr\u00e1tica o sistema silvipastoril com eucalipto. Este modelo \u00e9 acompanhado pelo pesquisador Helio Tonini, da Embrapa Pecu\u00e1ria Sul. Em 2012 iniciou-se um projeto no munic\u00edpio com 15 pecuaristas familiares, a fim de propiciar nova experi\u00eancia aos produtores com a silvicultura no campo nativo. O trabalho contou com financiamento do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Mapa) e foi acompanhado por um conjunto de institui\u00e7\u00f5es, entre elas Embrapa e Emater\/RS-Ascar.<\/p>\n<p>Tonini conta que a inten\u00e7\u00e3o foi desenvolver um sistema que equilibrasse a cria\u00e7\u00e3o de gado de corte, o campo nativo e o ciclo do eucalipto. Entre 2019 e 2021, em uma segunda fase do projeto, houve coleta de dados sobre a integra\u00e7\u00e3o desses componentes. Descobriram-se alguns benef\u00edcios. Um dos retornos positivos, segundo o pesquisador, refere-se \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o da madeira gerada pelo raleio (desbaste) das \u00e1rvores, acrescentando uma fonte de renda aos produtores.<\/p>\n<p>Outro resultado observou-se sobre a qualidade do alimento ofertado para o gado. <em>\u201cA silvicultura ajudou a forragem a permanecer mais verde tanto no inverno quanto no ver\u00e3o\u201d<\/em>, explica Tonini. Em fun\u00e7\u00e3o da melhoria nas condi\u00e7\u00f5es do campo, o sistema pode acarretar em aumento da produtividade dos animais, embora n\u00e3o tenha havido medi\u00e7\u00e3o desse quesito nas propriedades integrantes do projeto.<\/p>\n<p>O modelo silvipastoril tamb\u00e9m mitiga a emiss\u00e3o de carbono que se consegue a partir do tipo de solo, do espa\u00e7amento entre a linha de \u00e1rvores, do material gen\u00e9tico usado e do manejo adequado. <em>\u201cIsto significa que, com o uso do eucalipto, os pecuaristas familiares est\u00e3o sequestrando carbono acima da taxa de lota\u00e7\u00e3o das \u00e1reas normalmente usadas no Pampa (em torno de 1 animal por hectare)\u201d<\/em>, acrescenta.<\/p>\n<p>O pesquisador da Embrapa Pecu\u00e1ria Sul orienta os produtores rurais interessados em adotar sistemas de integra\u00e7\u00e3o de culturas a procurarem por capacita\u00e7\u00f5es e assist\u00eancias t\u00e9cnicas. <em>\u201c\u00c9 necess\u00e1rio fazer interven\u00e7\u00f5es e adotar manejos adequados para evitar colocar todo o sistema em risco. A palavra \u00e9 equil\u00edbrio\u201d<\/em>, recomendou.<\/p>\n<p><strong>Mais sombra, menos adoecimento do rebanho<\/strong><\/p>\n<p>Outra propriedade visitada pelo engenheiro florestal da Seapdr foi a do produtor Marcos Andr\u00e9 Thiesen, que trabalha com bovinocultura de leite, pastagens e cultivo de tabaco no munic\u00edpio de Vale Verde, no Vale do Rio Pardo. O sistema de produ\u00e7\u00e3o silvipastoril come\u00e7ou a ser implantado em suas terras h\u00e1 quatro anos com ajuda t\u00e9cnica da Associa\u00e7\u00e3o dos Fumicultores do Brasil (Afubra), da qual Thiesen \u00e9 associado.<\/p>\n<p>Eucaliptos foram implantados na propriedade, em pontos estrat\u00e9gicos, para gerar sombra nas \u00e1reas em que o gado leiteiro pasteja. O produtor conta que o plantio de \u00e1rvores poder\u00e1 gerar ganhos econ\u00f4micos mais \u00e0 frente, mas uma das grandes contribui\u00e7\u00f5es j\u00e1 notadas \u00e9 a melhoria da sanidade do rebanho.<\/p>\n<p><em>\u201cNa minha propriedade tinham poucas \u00e1rvores, e as vacas acabavam deitando em um \u00fanico espa\u00e7o de sombra que existia. Se uma vaca estava doente, transmitia para as outras. Agora, tem mais sombra na \u00e1rea de pastagem e elas se espalham. Aumentou o bem-estar e diminuiu a incid\u00eancia de mastite\u201d<\/em>, relata. Com mais conforto t\u00e9rmico, as vacas tamb\u00e9m consomem mais pasto e, consequentemente, t\u00eam mais condi\u00e7\u00f5es de ampliar a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Thiesen plantou 400 mudas de eucalipto em uma \u00e1rea de 1,8 hectare. Em outro espa\u00e7o cultiva fumo. Recomenda que os produtores interessados busquem apoio t\u00e9cnico para fazer a integra\u00e7\u00e3o. <em>\u201c\u00c9 importante saber onde plantar as \u00e1rvores para que, em algum momento do dia, a pastagem possa receber a luz solar e se desenvolver\u201d<\/em>, alerta.<\/p>\n<p>O produtor est\u00e1 satisfeito com a experi\u00eancia por tamb\u00e9m ser uma pr\u00e1tica recomendada para redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00e3o de carbono. <em>\u201cTemos que fazer algo pelo meio ambiente. N\u00e3o posso s\u00f3 pensar no que recebi do meu pai. Tenho que saber o que quero entregar para os meus filhos amanh\u00e3\u201d<\/em>, refor\u00e7a.<\/p>\n<p>Conforme o gerente de produ\u00e7\u00e3o agroflorestal da Afubra, Juarez Iensen Pedroso Filho, que ajudou a introduzir a integra\u00e7\u00e3o de culturas na propriedade de Thiesen, a ideia \u00e9 que a \u00e1rea sirva de modelo para outras regi\u00f5es produtoras de tabaco. <em>\u201cEsta propriedade est\u00e1 rompendo paradigmas porque consorcia em uma mesma \u00e1rea mais do que um componente produtivo, com potencial para gerar mais fontes de renda para o produtor e proporcionando ganho ambiental, de conserva\u00e7\u00e3o de solo e \u00e1gua\u201d<\/em>, avalia.<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o de culturas em uma mesma gleba, algo preconizado pelo programa ABC, harmoniza o ambiente. <em>\u201cO sistema \u00e9 vantajoso porque a \u00e1rvore cresce e os animais continuam com oferta alimentar, tendo incremento de produtividade, sem comprometer os recursos naturais\u201d<\/em>, explica Pedroso. Ainda n\u00e3o foram calculados os n\u00edveis de sequestro de carbono na propriedade. No entanto, ele acredita que os resultados j\u00e1 s\u00e3o mensur\u00e1veis. <em>\u201c\u00c9 um trabalho de quatro anos, e as \u00e1rvores que foram implantadas j\u00e1 ajudam a reduzir o escoamento superficial da \u00e1gua da chuva, mitigam a eros\u00e3o e j\u00e1 devolvem folhas, cascas e galhos, incorporando nutrientes no solo e resultando na pegada de carbono\u201d<\/em>, acrescenta.<\/p>\n<p>A Afubra iniciou, em 2017, outra experi\u00eancia envolvendo silvicultura e pecu\u00e1ria. Em uma propriedade rural em Sobradinho, no Vale do Rio Pardo, os t\u00e9cnicos da associa\u00e7\u00e3o orientaram que o produtor fizesse um desbaste nos eucaliptos existentes, o que possibilitou a entrada de mais luz na floresta e a introdu\u00e7\u00e3o de forrageiras na \u00e1rea. <em>\u201c\u00c9 um modelo que tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel. Como temos muitas pequenas propriedades na regi\u00e3o, acaba se tornando interessante por possibilitar que o produtor torne o sistema mais produtivo ao agregar animais no ambiente\u201d,<\/em> diz.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>GOV RS |\u00a0Texto: C\u00edntia Marchi\/Ascom Seapdr |\u00a0Edi\u00e7\u00e3o: Secom |\u00a0Foto: Fernando Dias\/Ascom Seapdr\u00a0<\/strong><\/h6>\n<p><center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/center><\/p>\n<h6><\/h6>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Unidades produtivas que t\u00eam apostado na integra\u00e7\u00e3o de pecu\u00e1ria e floresta, com resultados positivos, est\u00e3o sendo visitadas pela coordena\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Gestor Estadual do Plano ABC, que se encontra em fase de reativa\u00e7\u00e3o. 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