{"id":50766,"date":"2022-09-09T10:25:14","date_gmt":"2022-09-09T13:25:14","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=50766"},"modified":"2022-09-09T10:25:17","modified_gmt":"2022-09-09T13:25:17","slug":"radio-brasileiro-muito-alem-dos-100-anos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/radio-brasileiro-muito-alem-dos-100-anos\/","title":{"rendered":"R\u00e1dio brasileiro: muito al\u00e9m dos 100 anos"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><div class=\"uk-margin-small abertura-subtitulo\"><em>Fernando Morgado ressalta v\u00e1rios dos diferenciais do r\u00e1dio, meio extremamente democr\u00e1tico e presente em todo o pa\u00eds<\/em><\/div>\n<p>Esta hist\u00f3ria \u00e9 real. Dias atr\u00e1s, em uma das aulas de gradua\u00e7\u00e3o que ministro no Rio de Janeiro, algu\u00e9m fez a seguinte provoca\u00e7\u00e3o: <em>\u201cProfessor, falando s\u00e9rio: o r\u00e1dio ainda existe? Com tantos aplicativos de m\u00fasica, quem ainda ouve r\u00e1dio?\u201d.<\/em>\u00a0<\/p>\n<p>Parte da turma n\u00e3o conteve os olhares de espanto e iniciou-se um inflamado debate. Uma mo\u00e7a disse adorar ouvir certa emissora especializada em pop internacional, enquanto um rapaz falou de uma r\u00e1dio que tocava em todos os t\u00e1xis e consult\u00f3rios m\u00e9dicos onde entrava. Em meio \u00e0 algazarra, algu\u00e9m disparou: <em>\u201cMas ainda tem aquelas r\u00e1dios que mandam abra\u00e7o para dona de casa da zona oeste?\u201d<\/em>, em refer\u00eancia \u00e0 populosa regi\u00e3o da capital fluminense.<em> \u201cClaro! Ouvi muito na cozinha com a minha av\u00f3!\u201d<\/em>, revelou uma pessoa, enquanto outra citava famosos locutores esportivos e seus respectivos bord\u00f5es.<\/p>\n<p>At\u00e9 tentei interromper a discuss\u00e3o, mas rapidamente mudei de ideia. Deixei que aquele vozerio prosseguisse por mais alguns instantes, pois percebi estar diante de uma cena fant\u00e1stica: jovens, a maioria com cerca de 20 anos de idade, partindo em defesa de uma m\u00eddia mais que centen\u00e1ria e dada como morta.<\/p>\n<p>Quando senti que a temperatura come\u00e7ou a baixar, fiz algumas coloca\u00e7\u00f5es. Mencionei o fato de o Brasil ter cerca de 10 mil r\u00e1dios, sendo que quase metade delas \u00e9 comercial. Contei que essas emissoras atraem centenas de milh\u00f5es de reais em investimento publicit\u00e1rio e geram milhares de empregos diretos e indiretos. Lembrei do grande impacto econ\u00f4mico e social que esse meio exerce em todas as regi\u00f5es. Por fim, falei que o r\u00e1dio \u00e9 democr\u00e1tico, afinal, ele n\u00e3o exige saber ler ou escrever, comprar aparelhos caros ou pagar mensalidades.<\/p>\n<p>A turma emudeceu e a aula prosseguiu. Depois, entramos no assunto YouTube. Todos concordaram que essa plataforma representa o presente e o futuro da comunica\u00e7\u00e3o. Logo citaram podcasts, al\u00e9m de certos canais de not\u00edcias e opini\u00e3o. Por coincid\u00eancia, todos os exemplos trazidos pelos pr\u00f3prios alunos tinham rela\u00e7\u00e3o com o r\u00e1dio, seja pelas emissoras que produziam os conte\u00fados, seja pelas t\u00e9cnicas dessa m\u00eddia aplicadas ao contexto digital.<\/p>\n<p><strong>O r\u00e1dio \u00e9 exemplo de for\u00e7a e renova\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>Moral da hist\u00f3ria: o r\u00e1dio segue fazendo parte da vida de todos, ainda que de formas distintas. Esse car\u00e1ter camale\u00f4nico do meio ajuda a explicar a sua sobreviv\u00eancia ao longo de todos esses anos. Ele nasceu da ci\u00eancia, se institucionalizou pelas m\u00e3os de aficionados, cresceu com o dinheiro dos anunciantes, avan\u00e7ou atrav\u00e9s do transistor, melhorou com a FM e se renovou pela internet.<\/p>\n<p>Em contrapartida, tantas muta\u00e7\u00f5es tornam dif\u00edcil definir o que \u00e9 r\u00e1dio. N\u00e3o s\u00e3o poucos os que confundem aparelho receptor com linguagem de comunica\u00e7\u00e3o. Ouvir menos r\u00e1dio de pilha, por exemplo, n\u00e3o significa ouvir menos r\u00e1dio, j\u00e1 que as emissoras podem ser sintonizadas nos mais diversos devices e lugares: do smartphone \u00e0 smart TV, do carro ao banheiro.<\/p>\n<p>Apesar de todos n\u00f3s j\u00e1 sabermos que o r\u00e1dio brasileiro n\u00e3o come\u00e7ou no dia 7 de setembro de 1922, e sim bem antes, podemos aproveitar esse momento para sublinhar toda a import\u00e2ncia que essa m\u00eddia tem para a constru\u00e7\u00e3o daquilo que chamamos de cultura. As emissoras e seus profissionais contribu\u00edram de forma decisiva para que o nosso pa\u00eds tivesse uma identidade \u00fanica, ainda que ampliada e enriquecida pelos contextos de cada localidade.<\/p>\n<p>Diante das in\u00fameras revolu\u00e7\u00f5es impostas pela impar\u00e1vel marcha da tecnologia, o r\u00e1dio prova que mudar n\u00e3o \u00e9 sinal de fraqueza, mas de for\u00e7a. Mais do que um exemplo de sucesso, o r\u00e1dio \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o de vida.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Tudo R\u00e1dio | SindiR\u00e1dio<\/strong><\/h6>\n\n\n<center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando Morgado ressalta v\u00e1rios dos diferenciais do r\u00e1dio, meio extremamente democr\u00e1tico e presente em todo o pa\u00eds Esta hist\u00f3ria \u00e9 real. Dias atr\u00e1s, em uma das aulas de gradua\u00e7\u00e3o que ministro no Rio de Janeiro, algu\u00e9m fez a seguinte provoca\u00e7\u00e3o: \u201cProfessor, falando s\u00e9rio: o r\u00e1dio ainda existe? 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