{"id":57816,"date":"2023-08-02T09:40:46","date_gmt":"2023-08-02T12:40:46","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=57816"},"modified":"2023-08-02T09:40:48","modified_gmt":"2023-08-02T12:40:48","slug":"complexo-prisional-de-canoas-aposta-no-trabalho-para-ressocializacao-de-apenados","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/complexo-prisional-de-canoas-aposta-no-trabalho-para-ressocializacao-de-apenados\/","title":{"rendered":"Complexo Prisional de Canoas aposta no trabalho para ressocializa\u00e7\u00e3o de apenados"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p style=\"text-align: center;\"><em>Atualmente, cerca de 900 pessoas privadas de liberdade realizam algum tipo de atividade laboral na unidade<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas meses, Carlos* come\u00e7ava uma nova vida na empresa de m\u00f3veis e estofados Eloah Nissi. Estava, enfim, em liberdade, ap\u00f3s ficar cerca de sete meses cumprindo pena no Complexo Prisional de Canoas.<\/p>\n<p>Foi na unidade que ele deu in\u00edcio \u00e0 sua jornada na companhia, trabalhando na produ\u00e7\u00e3o de m\u00f3veis como sof\u00e1s, arm\u00e1rios e camas. Diariamente, apresentava-se no galp\u00e3o da empresa, localizado dentro do complexo, para exercer a profiss\u00e3o que sonhava manter ap\u00f3s sair do sistema penal. Sonho que virou realidade quando foi contratado para continuar executando o servi\u00e7o fora da penitenci\u00e1ria.<\/p>\n<p><em>\u201cTive a oportunidade de voltar \u00e0 liberdade como funcion\u00e1rio contratado, dando continuidade ao trabalho de ressocializa\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma forma de ficar longe do crime e garantir uma renda\u201d,<\/em> conta Carlos. <em>\u201cTem sido bom para mim, pois \u00e9 dif\u00edcil receber uma chance profissional.\u201d<\/em><\/p>\n<p>A oportunidade foi dada pelo propriet\u00e1rio da companhia, Adriano Azevedo de Medeiros. Da mesma forma que Carlos, ele tamb\u00e9m \u00e9 um egresso do sistema penal, e justamente por isso decidiu apostar no trabalho prisional. Foram tr\u00eas anos de pena em regime fechado e mais seis no semiaberto. Durante essa \u00e9poca, ele j\u00e1 via que a escassez de trabalho diante da alta m\u00e3o de obra era uma abertura para empreender. E foi o que fez. Quando saiu em liberdade, virou s\u00f3cio da empresa que pertencia a um amigo e, depois de um tempo, adquiriu-a por completo.<\/p>\n<p>Hoje, mant\u00e9m toda a sua opera\u00e7\u00e3o na unidade, garantindo o trabalho de 18 apenados e dois egressos. <em>\u201cAqui, n\u00e3o tem nenhuma distra\u00e7\u00e3o. Eles v\u00eam para trabalhar e est\u00e3o focados. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 problemas de falta, a n\u00e3o ser por doen\u00e7a mesmo. \u00c9 uma m\u00e3o de obra bem qualificada\u201d,<\/em> elogia Medeiros.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-57818 aligncenter\" src=\"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/51-400x267.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/51-400x267.jpeg 400w, http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/51-768x512.jpeg 768w, http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/51-600x400.jpeg 600w, http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/51.jpeg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p>Assim como a Eloah Nissi, outras 12 empresas investem na m\u00e3o de obra prisional do Complexo de Canoas por meio de parcerias com a Superintend\u00eancia dos Servi\u00e7os Penitenci\u00e1rios (Susepe), vinculada \u00e0 Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS). H\u00e1 ainda outra que est\u00e1 em fase de adapta\u00e7\u00e3o para iniciar suas atividades no estabelecimento.<\/p>\n<p>S\u00e3o neg\u00f3cios de diferentes setores do mercado, como o aliment\u00edcio, o de vestu\u00e1rio e o de reciclagem, al\u00e9m do moveleiro. Ao todo, eles empregam 210 apenados, que trabalham de forma remunerada, com um sal\u00e1rio que varia de R$ 990 (75% do sal\u00e1rio m\u00ednimo, conforme autorizado pela Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal) a R$ 1.320.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, cerca de 700 detentos participam de ligas internas n\u00e3o remuneradas\u00a0\u2013\u00a0que envolvem servi\u00e7os de cozinha geral, faxina, manuten\u00e7\u00e3o e diversos outros setores\u00a0\u2013\u00a0em troca da remi\u00e7\u00e3o da pena \u2013 a cada tr\u00eas dias de trabalho, \u00e9 reduzido um de pena. Dessa forma,\u00a0de um total de 2.380 presos,\u00a0s\u00e3o cerca de 900 trabalhando no local.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio de Sistemas Penal e Socioeducativo, Luiz Henrique Viana, afirma que oferecer oportunidades de trabalho para os apenados \u00e9 fundamental para possibilitar novas perspectivas. <em>\u201cH\u00e1 muitas formas de impactar a trajet\u00f3ria de algu\u00e9m, seja pelo estudo, pelo trabalho, pela religi\u00e3o, pela fam\u00edlia. Oferecer aos apenados uma forma diferente de ver a vida, dando acesso a mecanismos que possibilitem essa transforma\u00e7\u00e3o, \u00e9 nossa fun\u00e7\u00e3o enquanto Estado. \u00c9 tratar a ressocializa\u00e7\u00e3o pensando no futuro que os aguarda do lado de fora, em sociedade\u201d<\/em>, explica Viana.<\/p>\n<p>Para o respons\u00e1vel pelo trabalho prisional do estabelecimento, Yeriah Kader, o aprendizado adquirido no servi\u00e7o \u00e9 fundamental\u200b para que o apenado tenha uma profiss\u00e3o no futuro e consiga, ao sair em liberdade, sustentar sua fam\u00edlia \u2013 que, na maioria dos casos, \u00e9 financeiramente dependente dele.<\/p>\n<p>Aos poucos, esse pensamento se une a uma vontade de mudan\u00e7a de vida e uma busca por profissionaliza\u00e7\u00e3o. <em>\u201cCada vez mais, vemos apenados que saem e conseguem empregos no ramo, ou at\u00e9 mesmo na pr\u00f3pria empresa na qual trabalhavam durante o cumprimento da pena\u201d<\/em>, ressalta Kader.<\/p>\n<p>Dentro do complexo, as empresas t\u00eam o benef\u00edcio de n\u00e3o pagar aluguel, luz, \u00e1gua e demais despesas. A contrapartida \u00e9 feita por meio de capacita\u00e7\u00f5es e treinamentos para os apenados \u2013 que, em grande parte, n\u00e3o t\u00eam experi\u00eancia pr\u00e9via nas \u00e1reas em que ir\u00e3o atuar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-57819 aligncenter\" src=\"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/52-400x267.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/52-400x267.jpeg 400w, http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/52-768x512.jpeg 768w, http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/52-600x400.jpeg 600w, http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/52.jpeg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p><strong>Novas perspectivas de futuro<\/strong><\/p>\n<p>O trabalho prisional \u00e9 uma forma de profissionalizar o apenado, pensando em seu retorno \u00e0 sociedade ap\u00f3s o cumprimento da pena. \u00c9 uma maneira de fazer com que o preso tenha uma outra perspectiva de futuro, com novos objetivos e metas. Essa \u00e9 a vis\u00e3o de S\u00e9rgio*, detento que h\u00e1 dois anos trabalha na Pioneira, empresa do segmento t\u00eaxtil cujo foco \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de capas para, por exemplo, motociclistas e pescadores.<\/p>\n<p>Foi por meio de sua compet\u00eancia e da vontade de mudar que ele conseguiu se tornar o respons\u00e1vel pelo setor de costura no estabelecimento prisional. Mas nem sempre foi assim. Quando chegou ao Complexo Prisional de Canoas, seu intuito era apenas trabalhar pela remi\u00e7\u00e3o e pelo sal\u00e1rio. Isso porque, por estar preso, S\u00e9rgio acreditava que era uma \u201cpessoa ruim\u201d, e que continuaria sendo ap\u00f3s sua sa\u00edda.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o mudou quando, de fato, ingressou na empresa e come\u00e7ou a trabalhar, ap\u00f3s um ano dentro da unidade. Aos poucos, foi percebendo que sua vida poderia ser diferente, e seu pensamento transformou-se a ponto de torn\u00e1-lo uma lideran\u00e7a no seu espa\u00e7o de trabalho. <em>\u201cComecei a ter objetivos, a pensar de uma outra forma. Tracei metas. Hoje, projeto conseguir uma chance de crescimento e, se n\u00e3o for o caso, vou eu mesmo criar o meu espa\u00e7o\u201d<\/em>, afirma S\u00e9rgio.<\/p>\n<p>De acordo com ele, essa \u00e9 uma ideia contagiante dentro do local de trabalho, de forma que os apenados, em sua maioria, buscam se ajudar quando necess\u00e1rio \u2013 seja quando o problema \u00e9 a falta de motiva\u00e7\u00e3o, seja quando \u00e9 um conflito entre os presos. O objetivo \u00e9 garantir um trabalho de qualidade. \u201cQuem n\u00e3o sabia o que era trabalhar com meta, atualmente se esfor\u00e7a muito\u201d, conta S\u00e9rgio.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-57820 aligncenter\" src=\"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/53-400x267.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/53-400x267.jpeg 400w, http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/53-768x512.jpeg 768w, http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/53-600x400.jpeg 600w, http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/53.jpeg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o como atividade complementar<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m do trabalho, os presos s\u00e3o incentivados a realizarem atividades de ensino na unidade. Atualmente, um total de 217 apenados est\u00e3o matriculados no N\u00facleo Estadual de Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (Neeja) Nelson Mandela, destinado \u00e0queles que n\u00e3o tiveram acesso ou continuidade de estudos nos ensinos Fundamental e M\u00e9dio na idade pr\u00f3pria, com atendimento individualizado.<\/p>\n<p>Em maio deste ano, o espa\u00e7o passou por uma amplia\u00e7\u00e3o de suas atividades devido \u00e0 abertura de tr\u00eas turmas em turno vespertino, voltadas a apenados que desenvolvem uma atividade laboral remunerada em alguma das empresas instaladas no Complexo Prisional de Canoas. Ao fim do turno de trabalho, os reclusos participam das aulas de ensino regular do Ensino Fundamental 2 (do 4\u00ba ao 9\u00ba ano). As tr\u00eas turmas est\u00e3o lotadas (45 alunos) e com fila de espera.<\/p>\n<p>Todas as galerias da unidade prisional s\u00e3o contempladas com alguma atividade de estudo. Aquelas que n\u00e3o contam com ensino regular participam da atividade de remi\u00e7\u00e3o pela leitura\u00a0\u2013\u00a0iniciativa que j\u00e1 ocorre em duas galerias e, nos pr\u00f3ximos meses, deve ser ampliada.<\/p>\n<p>*<em>nomes fict\u00edcios<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>GOV RS | Texto: Jo\u00e3o Pedro Rodrigues\/Ascom SSPS | Edi\u00e7\u00e3o: Felipe Borges\/Secom | Fotos: Jo\u00e3o Pedro Rodrigues\/Ascom SSPS<\/strong><\/h6>\n\n\n<center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atualmente, cerca de 900 pessoas privadas de liberdade realizam algum tipo de atividade laboral na unidade H\u00e1 tr\u00eas meses, Carlos* come\u00e7ava uma nova vida na empresa de m\u00f3veis e estofados Eloah Nissi. 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