{"id":58022,"date":"2023-08-09T09:36:46","date_gmt":"2023-08-09T12:36:46","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=58022"},"modified":"2023-08-09T09:36:48","modified_gmt":"2023-08-09T12:36:48","slug":"espacos-para-terminacao-de-cordeiros-e-opcao-para-organizar-cadeia-da-carne","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/espacos-para-terminacao-de-cordeiros-e-opcao-para-organizar-cadeia-da-carne\/","title":{"rendered":"Espa\u00e7os para termina\u00e7\u00e3o de cordeiros \u00e9 op\u00e7\u00e3o para organizar cadeia da carne"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p style=\"text-align: center;\"><em>M\u00e9dico Veterin\u00e1rio sugere a t\u00e9cnica como forma de organiza\u00e7\u00e3o do envio de lotes para frigor\u00edficos<\/em><\/p>\n<p>O envio de lotes para o abate em frigor\u00edficos se mostra como a melhor op\u00e7\u00e3o para o pequeno produtor se organizar e n\u00e3o cair na malha de uma cadeia informal. A op\u00e7\u00e3o de termina\u00e7\u00e3o de cordeiros em confinamento se mostra eficaz nesta organiza\u00e7\u00e3o, como prop\u00f5e o m\u00e9dico veterin\u00e1rio Daniel Barros. E como o ciclo \u00e9 curto, ele garante que os alimentos introduzidos n\u00e3o alteram o sabor da carne.<\/p>\n<p>Com um mercado ainda pequeno, mas com grande potencial de expans\u00e3o, a carne ovina precisa quebrar a barreira do consumidor para crescer frente a outros mercados como o de su\u00ednos, aves e at\u00e9 bovinos. Contudo, ainda h\u00e1 muita discrep\u00e2ncia entre o consumo de ovinos no Brasil, com regi\u00f5es onde at\u00e9 mesmo o pre\u00e7o do cordeiro vivo \u00e9 diferenciado, enquanto outras, como no Rio Grande do Sul, o valor \u00e9 baixo.<\/p>\n<p>Em janeiro, o Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada da Universidade de S\u00e3o Paulo (Cepea\/USP), apresentou um boletim conjuntural com base em dados da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO) que estimava a continua\u00e7\u00e3o do consumo reduzido da carne ovina em compara\u00e7\u00e3o com o restante do mundo: a m\u00e9dia global \u00e9 de 1,78 kg\/per capita, e no Brasil, meio quilo por ano.<\/p>\n<p>O presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) Edemundo Gressler, afirma que o mercado \u00e9 promissor e cheio de oportunidades, tanto para o produtor quanto para a ind\u00fastria e o varejo. <em>\u201cEstes elos j\u00e1 conversam melhor e buscam suprir suas demandas de mercado e abastecimento\u201d<\/em>, detalha. O grande desafio, segundo o gestor, est\u00e1 no consumidor, em uma cultura que se mant\u00e9m devido a cren\u00e7as do passado daqueles que eram encontrados nos antigos a\u00e7ougues, uma ovelha praticamente de descarte, mais velha e com um sabor final com uma gordura muito marcante. <em>\u201cPrecisamos desmistificar o que se sabia sobre a carne ovina, porque hoje ela \u00e9 muito diferente da carne que era servida uma d\u00e9cada atr\u00e1s\u201d<\/em>, destaca. Gressler ressalta que a carne ovina produzida no Brasil, hoje, \u00e9 de excelente qualidade, sabor e maciez inigual\u00e1veis e que pode ser servida em qualquer dia da semana e estar presente na mesa das fam\u00edlias. <em>\u201cOuso dizer que o consumidor \u00e9 a pe\u00e7a chave dessa rela\u00e7\u00e3o e aumentar o consumo da carne ovina com a\u00e7\u00f5es e estrat\u00e9gias que aproximem as pessoas dessa prote\u00edna de alt\u00edssimo teor nutritivo\u201d<\/em>, conclui.<\/p>\n<p>H\u00e1 sete anos no mercado e com a marca de 48 mil animais abatidos em 2022, o frigor\u00edfico ga\u00facho Carneiro Sul, de Sapiranga (RS), faz parte de um movimento de transforma\u00e7\u00e3o da cadeia. O diretor comercial Jo\u00e3o Bernardo da Silva Filho concorda com o presidente da Arco sobre a presen\u00e7a di\u00e1ria da carne ovina na mesa do brasileiro. Para ele, o cordeiro tem um potencial de ter produtos com valores agregados bem distintos que possam ir da classe A \u00e0 classe D. <em>\u201cTemos um produto com valor agregado mais alto, como um carr\u00e8 \u00e0 franc\u00eas, um lombo, e depois a gente vem para um produto com um pre\u00e7o mais equilibrado, como um pernil e uma paleta. Depois, um produto barato, sempre abaixo, por vezes do custo, que \u00e9 a costela e o pesco\u00e7o\u201d<\/em>, exemplifica.<\/p>\n<p>Outra perspectiva para a problem\u00e1tica da cadeia da carne vem da pesquisadora da Embrapa Pecu\u00e1ria Sul, \u00c9len Nal\u00e9rio. <em>\u201cExiste uma cadeia de produ\u00e7\u00e3o de carne informal que, de certa forma, \u00e9 organizada\u201d,<\/em> diz a pesquisadora que estima ser essa informalidade o fator que compromete o fornecimento constante para o mercado varejista e para restaurantes. \u00c9len afirma que o tamanho do rebanho inviabilizaria o envio de animais para o abate, porque \u00e9 preciso faz\u00ea-lo em lotes formados, padronizados com peso e carca\u00e7a pr\u00e9-definidos pelos frigor\u00edficos e \u00e0s vezes o produtor, individualmente, n\u00e3o consegue levar o animal para o abate. A alternativa seria a organiza\u00e7\u00e3o dos produtores em forma de cooperativa, para ter uma oferta constante.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que entra a vis\u00e3o de Daniel Barros de que uma op\u00e7\u00e3o para organizar as escalas de abate entre produtor e ind\u00fastria e melhorar o fluxo de oferta de carne ovina chega pelo sistema de termina\u00e7\u00e3o em confinamento. Segundo Barros, com este sistema \u00e9 poss\u00edvel saber exatamente em quantos dias cada lote vai para o abate.<em> \u201cHoje, pelo menos 30% dos cordeiros abatidos no estado j\u00e1 devem passar por este sistema de confinamento que \u00e9 bem curto. Toda a cria\u00e7\u00e3o do cordeiro \u00e9 feita a pasto, junto com a m\u00e3e. Alguns entram em confinamento com 4 ou 5 meses de vida e outros v\u00e3o entrar l\u00e1 pr\u00f3ximo de um ano\u201d,<\/em> explica o veterin\u00e1rio, detalhando que enquanto n\u00e3o rompe dois dentes, o que ocorre entre 12 a 14 meses, o animal ainda \u00e9 considerado cordeiro.<\/p>\n<p>Daniel Barros conta, tamb\u00e9m, que os cordeiros finalizados neste sistema j\u00e1 abastecem as principais plantas frigor\u00edficas do Rio Grande do Sul e tamb\u00e9m de Santa Catarina. Algumas estruturas de confinamento engordam de 6 a 7 mil cordeiros por ano. E a alimenta\u00e7\u00e3o diferenciada n\u00e3o \u00e9 percebida na mesa. <em>\u201cSe o confinamento est\u00e1 ajustado, o animal entra faltando apenas gordura, e com isso n\u00e3o h\u00e1 altera\u00e7\u00e3o no sabor. Apenas poderia ser sentido se ele ficasse muito tempo em confinamento, entrando muito pequeno ou magro, pesando cerca de 20 quilos. Ent\u00e3o, precisaria ficar cerca de 90 dias no confinamento\u201d<\/em>, explica. Na pr\u00e1tica, os cordeiros ingressam com cerca de 30 kg j\u00e1, permanecendo entre 35 e 40 dias no confinamento, apenas. <em>\u201cOs alimentos que a gente utiliza, grande parte \u00e9 milho, aveia, feno de alfafa, feno de tifton, silagem de milho e um concentrado proteico que vem com base de farelo de soja e minerais\u201d<\/em>, complementa o veterin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Quem tamb\u00e9m busca quebrar paradigmas junto ao consumidor final \u00e9 o criador e empres\u00e1rio Felipe Vogt. \u00c0 frente da Celebra Alimentos, ele garante estar vendo uma curva crescente no mercado da carne de ovino. <em>\u201cA gente acredita que h\u00e1 um bom espa\u00e7o ainda para produzir cordeiro, e a carne tamb\u00e9m tem v\u00e1rios potenciais. Ainda h\u00e1 preconceito com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 carne de cordeiro e que \u00e0s vezes \u00e9 produzida por um animal mais velho ou que n\u00e3o sabe, n\u00e9\u2026\u201d,<\/em> argumenta o empres\u00e1rio. A empresa, que promove abate com menos de 12 meses, possui na sua cria\u00e7\u00e3o cerca de 500 matrizes em produ\u00e7\u00e3o, mais o confinamento de cordeiros. Al\u00e9m disso, a empresa conta com mais de 150 parceiros produtores que entregam o cordeiro magro principalmente, ou o cordeiro pr\u00e9-pronto. H\u00e1, tamb\u00e9m, cordeiros prontos para abate. A origem principal \u00e9 de produtores da fronteira.<em> \"Nosso foco \u00e9, principalmente, por animais carne, com volume de carne maior e rendimento maior. Este animal, \u00e9 o que o cliente procura mais, o consumidor procura mais. Hoje o consumidor j\u00e1 est\u00e1 pedindo um animal que tenha todo este controle. O consumidor est\u00e1 exigindo que esta carne venha de um abate humanit\u00e1rio, que seja feita toda parte de legisla\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas e tudo mais\u201d<\/em>, explica Vogt.<\/p>\n<p>Felipe Vogt conta que a Celebra tem um controle bem r\u00edgido, tanto nos carregamentos, no transporte dos animais, no descarregamento da pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o, confinamento, espa\u00e7amento por baia, coxo e \u00e1gua, quanto junto aos produtores parceiros.<em> \u201cIsso funciona no abate tamb\u00e9m. Todo um controle feito de acordo com as boas pr\u00e1ticas de manejo focadas exclusivamente no bem estar animal\u201d<\/em>, justifica. Ele ressalta que faz parte do grupo de trabalho do Selo do Cordeiro Premium Ga\u00facho, que vai permitir que as empresas promovam treinamentos para os produtores. O foco no bem estar animal passa tamb\u00e9m por modificar uma cultura centen\u00e1ria. <em>\u201cTem os ovinos em que se utiliza muito cachorro e o cachorro n\u00e3o pode morder, latir, transmitir nervosismo aos animais e tudo isso que a gente est\u00e1 fazendo. Um melhoramento geral na ovinocultura ga\u00facha com muito foco nesses animais e bem estar\u201d<\/em>, explica. <\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>AgroEffective | Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) | Foto: Lorena Riambau Garcia\/Divulga\u00e7\u00e3o | Texto: Ieda Risco\/AgroEffective<\/strong><\/h6>\n\n\n<center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e9dico Veterin\u00e1rio sugere a t\u00e9cnica como forma de organiza\u00e7\u00e3o do envio de lotes para frigor\u00edficos O envio de lotes para o abate em frigor\u00edficos se mostra como a melhor op\u00e7\u00e3o para o pequeno produtor se organizar e n\u00e3o cair na malha de uma cadeia informal. 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