{"id":70526,"date":"2024-12-17T09:26:11","date_gmt":"2024-12-17T12:26:11","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=70526"},"modified":"2024-12-17T09:26:13","modified_gmt":"2024-12-17T12:26:13","slug":"novos-modelos-de-remuneracao-e-desafios-para-a-classe-medica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/novos-modelos-de-remuneracao-e-desafios-para-a-classe-medica\/","title":{"rendered":"Novos modelos de remunera\u00e7\u00e3o e desafios para a classe m\u00e9dica"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p style=\"text-align: center;\"><em>Artigo de Opini\u00e3o: diretor Cient\u00edfico e Cultural da AMRIGS, Dr. Guilherme Napp<\/em><\/p>\n<p>A remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dica tem passado por transforma\u00e7\u00f5es significativas, com o objetivo de melhorar a qualidade do atendimento \u00e0 sa\u00fade e controlar os custos. O modelo tradicional de remunera\u00e7\u00e3o, baseado em produtividade (fee-for-service), est\u00e1 sendo gradualmente substitu\u00eddo por modelos baseados em valor (Value-Based Healthcare \u2013 VBHC), que recompensam m\u00e9dicos pelos resultados de sa\u00fade alcan\u00e7ados, ao inv\u00e9s de remuner\u00e1-los por cada procedimento realizado. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 promover maior efici\u00eancia e reduzir despesas, com foco em abordagens preventivas e no manejo de doen\u00e7as cr\u00f4nicas.<\/p>\n<p>O modelo fee-for-service foi amplamente adotado nos Estados Unidos ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial e \u00e9 baseado na realiza\u00e7\u00e3o de procedimentos. Por\u00e9m, esse formato tem sido associado a distor\u00e7\u00f5es, como a realiza\u00e7\u00e3o de procedimentos desnecess\u00e1rios, desperd\u00edcios e aumento nos custos de sa\u00fade. No Brasil, com a implanta\u00e7\u00e3o do SUS e a regulamenta\u00e7\u00e3o da sa\u00fade suplementar, o modelo continuou a ser dominante, levando a distor\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s observadas em pa\u00edses mais desenvolvidos. Fatores como a desigualdade econ\u00f4mica e o baixo investimento em sa\u00fade acentuaram essas distor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Pesquisadores como Michael Porter, nos EUA, e Gregory Katz, na Europa, aprofundaram os estudos sobre modelos assistenciais e propuseram alternativas para melhorar a qualidade do atendimento, voltadas para resultados positivos para a sa\u00fade. O VBHC busca incentivar os m\u00e9dicos a focarem em efici\u00eancia e na sa\u00fade do paciente, com mecanismos como o pagamento por desempenho (Pay-for-Performance), que premia melhorias em indicadores de sa\u00fade, e as Accountable Care Organizations (ACOs), que promovem maior integra\u00e7\u00e3o entre os prestadores.<\/p>\n<p>No Brasil, algumas iniciativas j\u00e1 se alinham a esse modelo, como o Programa de Qualifica\u00e7\u00e3o da Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (PQAB) e o Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (PMAQ), que visam melhorar a qualidade dos servi\u00e7os de aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica por meio de indicadores de desempenho. No entanto, \u00e0 medida que o VBHC se expande, surgem distor\u00e7\u00f5es, como a sele\u00e7\u00e3o inadequada de indicadores e a depend\u00eancia de tecnologias, que exigem investimentos de institui\u00e7\u00f5es j\u00e1 fragilizadas economicamente.<\/p>\n<p>Para a classe m\u00e9dica, a mudan\u00e7a para o VBHC representa um grande desafio, mas tamb\u00e9m uma oportunidade de melhorar a qualidade do atendimento e aumentar a remunera\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 necess\u00e1rio que os m\u00e9dicos se adaptem a uma cultura de accountability, em que a medi\u00e7\u00e3o de resultados e a melhoria cont\u00ednua fa\u00e7am parte do cotidiano profissional. A transi\u00e7\u00e3o para modelos baseados em valor \u00e9 uma tend\u00eancia mundial e, ao lider\u00e1-la, os m\u00e9dicos poder\u00e3o recuperar seu protagonismo, al\u00e9m de melhorar os resultados de sa\u00fade e a remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Diretor Cient\u00edfico e Cultural da AMRIGS, Dr. Guilherme Napp<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong>:<\/p>\n<p>1.\u2060 \u2060Porter ME, Teisberg EO. Redefining Health Care: Creating Value-Based Competition on Results. Harvard Business School Press, 2006.<\/p>\n<p>2.\u2060 \u2060Centers for Medicare &amp; Medicaid Services. (2020). Value-Based Payment Models.<\/p>\n<p>3.\u2060 \u2060American Medical Association. (2020). Value-Based Care: A Guide for Physicians.<\/p>\n<p>4.\u2060 \u2060Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. (2020). Programa de Qualifica\u00e7\u00e3o da Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica.<\/p>\n<p>5.\u2060 \u2060Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade. (2019). Value-Based Healthcare no Brasil.<\/p>\n<p>6.\u2060 \u2060Conselho Federal de Medicina. (2020). Remunera\u00e7\u00e3o Baseada em Valor: Desafios e Oportunidades.<\/p>\n<p><strong>Sobre a AMRIGS<\/strong><\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica do Rio Grande do Sul \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos voltada para a atualiza\u00e7\u00e3o do conhecimento t\u00e9cnico-cient\u00edfico e para a realiza\u00e7\u00e3o de debates cient\u00edfico-culturais relacionados \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 Medicina e \u00e0 vida profissional. Desde o momento de sua funda\u00e7\u00e3o em 1951, a AMRIGS integra a vida do m\u00e9dico em todas as etapas da profiss\u00e3o, tendo como objetivos:<\/p>\n<ul>\n<li class=\"x_yiv9466217682elementor-icon-list-item\"><span class=\"x_yiv9466217682elementor-icon-list-text\" data-olk-copy-source=\"MessageBody\">Fomentar a ci\u00eancia e a cultura m\u00e9dica;<\/span><\/li>\n<li class=\"x_yiv9466217682elementor-icon-list-item\"><span class=\"x_yiv9466217682elementor-icon-list-text\">Promover a defesa profissional;<\/span><\/li>\n<li class=\"x_yiv9466217682elementor-icon-list-item\"><span class=\"x_yiv9466217682elementor-icon-list-text\">Fortalecer o associativismo e a representatividade m\u00e9dica;<\/span><\/li>\n<li class=\"x_yiv9466217682elementor-icon-list-item\"><span class=\"x_yiv9466217682elementor-icon-list-text\">Ser influenciadora como entidade protagonista de a\u00e7\u00f5es em prol da sa\u00fade.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<hr \/>\n<h6><strong>PlayPress | AMRIGS - Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica do Rio Grande do Sul | Marcelo Roxo Matusiak<\/strong><\/h6>\n\n\n<center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Opini\u00e3o: diretor Cient\u00edfico e Cultural da AMRIGS, Dr. Guilherme Napp A remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dica tem passado por transforma\u00e7\u00f5es significativas, com o objetivo de melhorar a qualidade do atendimento \u00e0 sa\u00fade e controlar os custos. 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