{"id":79243,"date":"2025-10-16T10:19:27","date_gmt":"2025-10-16T13:19:27","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=79243"},"modified":"2025-10-16T10:19:29","modified_gmt":"2025-10-16T13:19:29","slug":"quem-dita-as-regras-da-producao-agricola-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/quem-dita-as-regras-da-producao-agricola-brasileira\/","title":{"rendered":"Quem dita as regras da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola brasileira?"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p><strong><em data-olk-copy-source=\"MessageBody\">*Leandro Weber Viegas<\/em><\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-79245 size-medium\" src=\"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/21-5-266x400.jpg\" alt=\"\" width=\"266\" height=\"400\" srcset=\"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/21-5-266x400.jpg 266w, http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/21-5-768x1154.jpg 768w, http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/21-5-1022x1536.jpg 1022w, http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/21-5-1363x2048.jpg 1363w, http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/21-5-scaled.jpg 1703w\" sizes=\"auto, (max-width: 266px) 100vw, 266px\" \/><\/p>\n<p>Recentemente um grupo formado por 25 redes de supermercados e distribuidores europeus, entre eles gigantes como Tesco, Sainsbury\u2019s, Greencore, Waitrose, Marks &amp; Spencer, Co-op, Aldi UK, Lidl GB e Asda, enviou uma carta \u00e0s principais tradings internacionais que compram soja do Brasil, como a ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus e Cofco. O documento exige que essas empresas mantenham a pol\u00edtica de n\u00e3o adquirir gr\u00e3os oriundos de \u00e1reas desmatadas, mesmo que a chamada Morat\u00f3ria da Soja seja suspensa. Este \u00e9 um compromisso que foi firmado em 2006 entre companhias do setor, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e o governo brasileiro para conter o avan\u00e7o do desmatamento na Amaz\u00f4nia associado ao cultivo da soja.<\/p>\n<p>Esta carta \u00e9 uma iniciativa que evidencia uma nova escalada de press\u00f5es externas sobre a agricultura nacional e entra em rota de colis\u00e3o com a decis\u00e3o do Conselho Administrativo de Defesa Econ\u00f4mica (CADE), que considerou a Morat\u00f3ria uma pr\u00e1tica anticoncorrencial entre tradings, ou seja, um cartel, determinando sua suspens\u00e3o. Embora tal decis\u00e3o tenha sido provisoriamente revertida por determina\u00e7\u00e3o judicial em Bras\u00edlia, o epis\u00f3dio reacende um debate fundamental: quem define as regras da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola? O Pa\u00eds soberano, com suas pr\u00f3prias leis, ou o mercado internacional travestido de guardi\u00e3o ambiental?<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata apenas de pol\u00edtica comercial. As exig\u00eancias de rastreabilidade integral e segrega\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o transferem ao agricultor um custo adicional elevado. Para comprovar que produz fora da Amaz\u00f4nia Legal, o produtor precisar\u00e1 apresentar laudos e relat\u00f3rios t\u00e9cnicos, mesmo j\u00e1 estando em conformidade com o C\u00f3digo Florestal, uma das legisla\u00e7\u00f5es ambientais mais r\u00edgidas do mundo. Ou seja, a legalidade brasileira passa a n\u00e3o ser suficiente diante de exig\u00eancias unilaterais externas.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio cria inseguran\u00e7a jur\u00eddica e amplia os custos de produ\u00e7\u00e3o, num setor que j\u00e1 enfrenta margens cada vez mais pressionadas. O resultado \u00e9 claro: o produtor brasileiro, que cumpre a lei nacional, acaba punido por n\u00e3o atender crit\u00e9rios impostos por agentes internacionais que n\u00e3o refletem a realidade do campo.<\/p>\n<p>O debate vai al\u00e9m da soja, o que est\u00e1 em disputa \u00e9 a autonomia regulat\u00f3ria. Se o Brasil permite que grupos estrangeiros determinem as condi\u00e7\u00f5es de compra e venda de seus produtos, abre-se um precedente perigoso: a transforma\u00e7\u00e3o da sustentabilidade em ferramenta de press\u00e3o geopol\u00edtica e barreira comercial disfar\u00e7ada.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso reconhecer que a sustentabilidade \u00e9 valor essencial e inegoci\u00e1vel. Mas ela deve ser conduzida dentro do marco legal brasileiro, sob a \u00f3tica de quem conhece o territ\u00f3rio, produz com responsabilidade e j\u00e1 cumpre normas de preserva\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Diante desse quadro, precisamos reafirmar sua posi\u00e7\u00e3o com clareza. Defender o agro brasileiro n\u00e3o significa abrir m\u00e3o da sustentabilidade; significa assegurar que a produ\u00e7\u00e3o continue respeitando nossas pr\u00f3prias leis e realidades, sem subordina\u00e7\u00e3o a agendas externas.<\/p>\n<p>Proteger o agro \u00e9 proteger a soberania nacional, a seguran\u00e7a alimentar global e o direito de produzir com responsabilidade. A pergunta que fica \u00e9 direta: seremos n\u00f3s, brasileiros, os respons\u00e1veis por ditar as regras da nossa produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, ou aceitaremos que interesses externos assumam esse papel?<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>*Administrador, Bacharel em Direito e CEO da Sell Agro.<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>RuralPress | Fotos: Divulga\u00e7\u00e3o Sell Agro<\/strong><\/h6>\n\n\n<center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Leandro Weber Viegas Recentemente um grupo formado por 25 redes de supermercados e distribuidores europeus, entre eles gigantes como Tesco, Sainsbury\u2019s, Greencore, Waitrose, Marks &amp; Spencer, Co-op, Aldi UK, Lidl GB e Asda, enviou uma carta \u00e0s principais tradings internacionais que compram soja do Brasil, como a ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus e Cofco. 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