{"id":79873,"date":"2025-11-06T10:59:15","date_gmt":"2025-11-06T13:59:15","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=79873"},"modified":"2025-11-06T10:59:19","modified_gmt":"2025-11-06T13:59:19","slug":"artigo-competitividade-em-risco-o-brasil-precisa-reagir-para-preservar-sua-industria-do-aco","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/artigo-competitividade-em-risco-o-brasil-precisa-reagir-para-preservar-sua-industria-do-aco\/","title":{"rendered":"ARTIGO - Competitividade em risco: o Brasil precisa reagir para preservar sua ind\u00fastria do a\u00e7o"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p style=\"text-align: right;\"><em data-olk-copy-source=\"MessageBody\">*Por Ricardo Martins, presidente da Abimetal-Sicetel<br clear=\"none\" \/><br clear=\"none\" \/><\/em><\/p>\n<p>A ind\u00fastria processadora de a\u00e7o brasileira enfrenta hoje uma encruzilhada que exige resposta imediata e consistente. Para quem produz no pa\u00eds, o cen\u00e1rio \u00e9 duplamente desafiador: de um lado, persistem custos internos elevados; do outro, cresce a concorr\u00eancia de produtos importados com escala maior e condi\u00e7\u00f5es de custo muito mais favor\u00e1veis.<\/p>\n<p>Os dados confirmam essa tend\u00eancia. Entre janeiro e setembro de 2025, as importa\u00e7\u00f5es de produtos processados de a\u00e7o cresceram 20,3% em volume em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2024, passando de 519,7 mil para 625,2 mil toneladas, segundo levantamento feito pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria Processadora de A\u00e7o e do Sindicato Nacional da Ind\u00fastria Processadora de A\u00e7o (Abimetal-Sicetel) com base no sistema Comex Stat. O valor importado alcan\u00e7ou US$ 1,29 bilh\u00e3o, avan\u00e7o de 10,3% no mesmo intervalo. A China manteve-se como principal fornecedora, respondendo por 59,3% do total (aproximadamente 370 mil toneladas) e registrando aumento de 24,8%.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o pre\u00e7o m\u00e9dio de importa\u00e7\u00e3o caiu de US$ 2,24\/kg para US$ 2,06\/kg, enquanto o valor m\u00e9dio dos produtos chineses caiu de US$ 1,40 para US$ 1,30\/kg, redu\u00e7\u00e3o de 10,8%. Esses n\u00fameros n\u00e3o refletem apenas oscila\u00e7\u00f5es conjunturais, mas sim uma mudan\u00e7a estrutural na din\u00e2mica global de competi\u00e7\u00e3o, que amea\u00e7a a base industrial brasileira caso n\u00e3o haja uma rea\u00e7\u00e3o firme e coordenada.<\/p>\n<p>Nesse contexto, \u00e9 necess\u00e1rio repensar o que se entende por \u201cCusto Brasil\u201d. O termo n\u00e3o \u00e9 apenas um conceito abstrato, mas a soma de entraves log\u00edsticos, regula\u00e7\u00e3o lenta, sistema tribut\u00e1rio complexo, energia cara e cr\u00e9dito restrito. Essa combina\u00e7\u00e3o resulta em margens comprimidas, adiamento de investimentos e menor capacidade de competir no mercado internacional, especialmente em um setor que transforma insumos b\u00e1sicos em produtos de alto valor agregado.<\/p>\n<p>O setor vem registrando retra\u00e7\u00e3o nos volumes comercializados, que ca\u00edram 7,7% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado. Essa redu\u00e7\u00e3o, contudo, n\u00e3o reflete uma diminui\u00e7\u00e3o da demanda, mas sim a perda de espa\u00e7o das ind\u00fastrias nacionais para os produtos importados, que n\u00e3o sofrem o impacto do chamado \u201ccusto Brasil\u201d em seus pre\u00e7os.<\/p>\n<p>A relev\u00e2ncia desse setor \u00e9 inquestion\u00e1vel. A ind\u00fastria processadora de a\u00e7o ocupa um papel essencial na economia nacional: \u00e9 ela que fabrica os itens que sustentam a constru\u00e7\u00e3o civil, a infraestrutura, o setor de energia, o transporte e os bens de capital. Quando esse elo da cadeia se enfraquece, todo o sistema produtivo em quest\u00e3o perde vigor. O aumento das importa\u00e7\u00f5es, sem contrapartida de agrega\u00e7\u00e3o de valor ou benef\u00edcio industrial, inibe investimentos em inova\u00e7\u00e3o, automa\u00e7\u00e3o, qualifica\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra e sustentabilidade, pilares indispens\u00e1veis \u00e0 competitividade global.<\/p>\n<p>A resposta a esse desafio n\u00e3o se limita \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de instrumentos de defesa comercial. \u00c9 fato que mecanismos de garantia de isonomia competitiva s\u00e3o indispens\u00e1veis: \u00e9 preciso coibir pr\u00e1ticas de\u00a0<em>dumping,<\/em>\u00a0utiliza\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios estatais, caso comum nos produtos fabricados pela China, acelerar investiga\u00e7\u00f5es\u00a0<em>antidumping\u00a0<\/em>e aplicar salvaguardas quando necess\u00e1rio. Contudo, a defesa comercial representa apenas uma parte da solu\u00e7\u00e3o. Sem a redu\u00e7\u00e3o efetiva do Custo Brasil e a implementa\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica industrial de m\u00e9dio e longo prazo, o pa\u00eds continuar\u00e1 operando com desvantagens estruturais que comprometem a produ\u00e7\u00e3o e a inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O caminho para recuperar a competitividade da siderurgia nacional passa por quatro vetores complementares. O primeiro \u00e9 a simplifica\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria e tribut\u00e1ria, com marcos legais previs\u00edveis, menos fragmentados e processos mais \u00e1geis para instalar e expandir unidades de produ\u00e7\u00e3o. O segundo \u00e9 o investimento em infraestrutura e energia a custos competitivos, condi\u00e7\u00e3o essencial para reduzir gargalos log\u00edsticos e alinhar o pa\u00eds aos padr\u00f5es internacionais. O terceiro \u00e9 o incentivo \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o industrial, estimulando automa\u00e7\u00e3o, digitaliza\u00e7\u00e3o, economia circular e produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel com maior valor agregado. E, por fim, o quarto vetor \u00e9 a expans\u00e3o do mercado consumidor, sem a qual nenhum dos anteriores ter\u00e1 efeito duradouro. Enquanto o consumo per capita de a\u00e7o na Coreia do Sul chega a 1.150 kg por habitante, no Brasil mal ultrapassa 100 kg. Avan\u00e7ar nesses quatro eixos n\u00e3o \u00e9 um favor \u00e0 ind\u00fastria, mas uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento nacional.<\/p>\n<p>Fortalecer a ind\u00fastria processadora de a\u00e7o significa fortalecer o pr\u00f3prio aparato produtivo do pa\u00eds. Empregos qualificados, avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, inova\u00e7\u00e3o, fortalecimento da cadeia de fornecedores e aumento da arrecada\u00e7\u00e3o para estados e munic\u00edpios s\u00e3o resultados diretos de um setor competitivo. O contr\u00e1rio disso \u00e9 aceitar que o Brasil continue importando o que tem capacidade de produzir, concentrando esfor\u00e7os em etapas de menor valor agregado.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><br clear=\"none\" \/><em>* Ricardo Martins \u00e9 presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria Processadora de A\u00e7o e Sindicato Nacional da Ind\u00fastria Processadora de A\u00e7o (Abimetal-Sicetel) desde 2019, com mandato at\u00e9 2027. Engenheiro e fundador da Grampofix, atua no setor metal\u00fargico desde 1994. Foi diretor de Com\u00e9rcio Exterior da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (FIESP) e do Centro das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (CIESP) por mais de uma d\u00e9cada, liderando miss\u00f5es internacionais. \u00c9 diretor da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (FIESP) e da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) e preside o Conselho Consultivo de Metalurgia da Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Industrial de S\u00e3o Paulo (SENAI-SP).<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Press Manager | Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n\n\n<center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Por Ricardo Martins, presidente da Abimetal-Sicetel A ind\u00fastria processadora de a\u00e7o brasileira enfrenta hoje uma encruzilhada que exige resposta imediata e consistente. Para quem produz no pa\u00eds, o cen\u00e1rio \u00e9 duplamente desafiador: de um lado, persistem custos internos elevados; do outro, cresce a concorr\u00eancia de produtos importados com escala maior e condi\u00e7\u00f5es de custo muito [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":79874,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-79873","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79873","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79873"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79873\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":79875,"href":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79873\/revisions\/79875"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79874"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79873"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79873"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79873"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}