{"id":80860,"date":"2025-12-09T10:32:06","date_gmt":"2025-12-09T13:32:06","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=80860"},"modified":"2025-12-09T10:32:08","modified_gmt":"2025-12-09T13:32:08","slug":"credito-facil-vida-dificil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/credito-facil-vida-dificil\/","title":{"rendered":"Cr\u00e9dito f\u00e1cil, vida dif\u00edcil"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p style=\"text-align: center;\"><em>A ind\u00fastria do consignado est\u00e1 quebrando trabalhadores, empresas e a produtividade nacional<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Por Alan Carlos Ordakovski \u2013 Advogado Empresarial e especialista em Gest\u00e3o de Rela\u00e7\u00e3o do Trabalho.<\/p>\n<p>Em apenas sete meses, a contrata\u00e7\u00e3o de consignados por trabalhadores brasileiros quase triplicou e os juros j\u00e1 beiram 60% ao ano, cen\u00e1rio que empurra fam\u00edlias para um ciclo de endividamento cr\u00f4nico, mascarado pela falsa sensa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito f\u00e1cil, barato e \u201cseguro\u201d.<\/p>\n<p>S\u00f3 que ningu\u00e9m est\u00e1 contando a outra parte da hist\u00f3ria:<\/p>\n<p>a) o consignado est\u00e1 corroendo a sa\u00fade financeira dos trabalhadores;<br \/>b) destruindo a produtividade das empresas; e<br \/>c) criando um passivo explosivo dentro das \u00e1reas de RH, cr\u00e9dito e cobran\u00e7a<\/p>\n<p>Como advogado empresarial e estudioso do comportamento financeiro corporativo, afirmo sem hesitar: o consignado virou uma bomba-rel\u00f3gio social e empresarial.<\/p>\n<p>Na matem\u00e1tica cruel do consignado, os n\u00fameros s\u00e3o t\u00e3o escandalosos quanto silenciosos:<\/p>\n<ul>\n<li>Taxas que j\u00e1 chegam a 58% ao ano para determinadas modalidades.<\/li>\n<li>Comprometimento m\u00e9dio de 30% a 40% do sal\u00e1rio l\u00edquido dos trabalhadores endividados.<\/li>\n<li>Inadimpl\u00eancia recorde: mais de 72 milh\u00f5es de brasileiros est\u00e3o negativados, nada menos o maior n\u00famero da hist\u00f3ria.<\/li>\n<li>Entre 2023 e 2024, segundo dados apurados pela m\u00eddia financeira, houve incremento superior a 40% na busca por consignados apenas para pagar outras d\u00edvidas. A cl\u00e1ssica \u201cd\u00edvida para apagar d\u00edvida\u201d.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Isso n\u00e3o \u00e9 cr\u00e9dito! Isso \u00e9 eros\u00e3o de renda disfar\u00e7ada de solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida.<\/p>\n<p>E quando o sal\u00e1rio desaparece antes do dia 05, n\u00e3o h\u00e1 produtividade, foco, disciplina ou desempenho que sobreviva.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que muitos imaginam, o problema do consignado n\u00e3o \u00e9 apenas do trabalhador.<br \/>Ele \u00e9, tamb\u00e9m e cada vez mais, um problema empresarial.<\/p>\n<p>Empresas est\u00e3o lidando com:<\/p>\n<ol>\n<li>Aumento de faltas, atrasos e afastamentos: Funcion\u00e1rios sufocados por d\u00edvida apresentam sinais claros: queda de desempenho, desaten\u00e7\u00e3o e adoecimento. E quem paga essa conta? A empresa!<\/li>\n<li>Press\u00e3o por adiantamentos, acordos e \u201cempr\u00e9stimos internos\u201d: setores de RH est\u00e3o sendo convertidos, informalmente, em ag\u00eancias de socorro financeiro emergencial.<\/li>\n<li>Crescimento da litigiosidade trabalhista: sal\u00e1rios corro\u00eddos por consignados disparam conflitos, pedidos de rescis\u00e3o indireta, den\u00fancias e demandas judiciais alegando abusos ou \u201cdescontos indevidos\u201d. O Judici\u00e1rio, j\u00e1 abarrotado, virou o confession\u00e1rio do superendividamento.<\/li>\n<li>Rotatividade crescente: O trabalhador altamente endividado busca sa\u00eddas desesperadas: troca de emprego por qualquer oferta que prometa \u201csal\u00e1rio maior\u201d, sem an\u00e1lise de carreira.<\/li>\n<\/ol>\n<p><br \/>A empresa perde talento, perde dinheiro e perde previsibilidade. O consignado virou muleta emocional e financeira que impede o trabalhador de evoluir e impede as empresas de performar. Ele n\u00e3o resolve o problema; ele anestesia o sintoma. O trabalhador entra, silenciosamente, numa espiral: sal\u00e1rio, d\u00edvida, novo consignado, limite estourado, inadimpl\u00eancia, desespero, queda de performance. Esse ciclo n\u00e3o \u00e9 individual. \u00c9 estrutural! \u00c9 cultura! E \u00e9 devastador! Tal contexto requer uma postura empresarial mais forte, isso porque as empresas s\u00e3o o \u00fanico agente que v\u00ea o problema antes dele explodir.<\/p>\n<p>As empresas precisam:<\/p>\n<ol>\n<li>Criar pol\u00edticas claras de preven\u00e7\u00e3o ao superendividamento: Sim, isso \u00e9 cultura organizacional. E cultura protege as rela\u00e7\u00f5es de trabalho e consequentemente o clima e os resultados corporativos.<\/li>\n<li>Trabalhar educa\u00e7\u00e3o financeira com autoridade e recorr\u00eancia: sem paternalismo, sem moralismo.\u00a0<\/li>\n<li>Rever pol\u00edticas internas que incentivam \u201ccr\u00e9dito f\u00e1cil\u201d: adiantamentos autom\u00e1ticos, antecipa\u00e7\u00f5es recorrentes e benef\u00edcios mal estruturados s\u00e3o gatilhos silenciosos.<\/li>\n<li>Atuar juridicamente de forma estrat\u00e9gica: ora para evitar passivos trabalhistas decorrentes do excesso de consignados, ora para proteger a empresa de alega\u00e7\u00f5es de abuso, ora para estruturar pol\u00edticas mais inteligentes e seguras.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>O Consignado Virou um Sintoma de Algo Maior...<\/strong><\/p>\n<p>O trabalhador est\u00e1 financiando seu pr\u00f3prio custo de vida a juros de pa\u00eds quebrado. E a empresa est\u00e1 absorvendo, sem perceber, a conta oculta dessa fragilidade financeira. Se n\u00e3o enfrentarmos esse tema agora, com dados, coragem e pol\u00edticas inteligentes, estamos condenando a economia e as rela\u00e7\u00f5es de trabalho, a um ciclo permanente de baixa produtividade, conflitos e estagna\u00e7\u00e3o. Diante de todo esse contexto, \u00e9 necess\u00e1rio deixar um recado claro e incomodamente necess\u00e1rio: o consignado n\u00e3o \u00e9 um vil\u00e3o solit\u00e1rio, mas \u00e9, hoje, um dos principais aceleradores do colapso financeiro silencioso do trabalhador brasileiro. E, se nada mudar, ser\u00e1 tamb\u00e9m o pr\u00f3ximo grande acelerador de passivos empresariais, conflitos judiciais e queda de competitividade. O Brasil precisa de uma virada cultural. E essa virada come\u00e7a com a coragem de falar o \u00f3bvio. Cr\u00e9dito f\u00e1cil est\u00e1 destruindo o futuro da nossa for\u00e7a de trabalho, sabotando silenciosamente o crescimento das empresas e contribuindo para o colapso da economia brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Ordakovski &amp; Tavares J\u00fanior Advogados Associados (OTJ)<\/em><\/strong><br \/><strong><em>Dr. Alan Carlos Ordakovski \u2014 Advogado especialista em Direito do Trabalho e Gest\u00e3o de Contencioso Empresarial.<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Ag\u00eancia Toda Comunica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n\n\n<center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ind\u00fastria do consignado est\u00e1 quebrando trabalhadores, empresas e a produtividade nacional Por Alan Carlos Ordakovski \u2013 Advogado Empresarial e especialista em Gest\u00e3o de Rela\u00e7\u00e3o do Trabalho. 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