{"id":82310,"date":"2026-01-30T21:39:19","date_gmt":"2026-01-31T00:39:19","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=82310"},"modified":"2026-01-30T21:39:23","modified_gmt":"2026-01-31T00:39:23","slug":"credito-rural-decisao-judicial-suspende-cobranca-apos-frustracao-de-safra-no-parana","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/credito-rural-decisao-judicial-suspende-cobranca-apos-frustracao-de-safra-no-parana\/","title":{"rendered":"Cr\u00e9dito rural: decis\u00e3o judicial suspende cobran\u00e7a ap\u00f3s frustra\u00e7\u00e3o de safra no Paran\u00e1"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p><em data-olk-copy-source=\"MessageBody\">Por Reda\u00e7\u00e3o | Publicado em 29.jan.2026 | Atualizado \u00e0s 10h16<\/em><\/p>\n<p>Uma decis\u00e3o recente da Justi\u00e7a do Paran\u00e1 reacende o debate sobre a prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica dos produtores rurais diante de eventos clim\u00e1ticos extremos. A ju\u00edza Maria Silvia Cartaxo Fernandes Mesquita, da 6\u00aa Vara C\u00edvel de Curitiba, concedeu liminar suspendendo a cobran\u00e7a de opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito rural firmadas por um agricultor atingido por severa crise h\u00eddrica. A medida, que tamb\u00e9m impede a inscri\u00e7\u00e3o do produtor em cadastros de inadimplentes, refor\u00e7a a import\u00e2ncia do direito \u00e0 renegocia\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es de for\u00e7a maior.<\/p>\n<p>O caso envolve um produtor do munic\u00edpio de Tunas do Paran\u00e1, que apresentou \u00e0 Justi\u00e7a laudos t\u00e9cnicos, imagens e documentos comprovando perdas significativas na safra, provocadas por seca intensa, al\u00e9m de problemas f\u00fangicos e varia\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas no setor florestal. Segundo a decis\u00e3o, ficou caracterizado um cen\u00e1rio de frustra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, situa\u00e7\u00e3o prevista no Manual de Cr\u00e9dito Rural como justificativa para prorroga\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas.<\/p>\n<p><em>\u201cO cr\u00e9dito rural \u00e9 uma ferramenta de pol\u00edtica agr\u00edcola, e sua regulamenta\u00e7\u00e3o reconhece que o campo est\u00e1 sujeito a riscos imprevis\u00edveis. Por isso, a prorroga\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito do produtor, quando houver provas contundentes de que ele n\u00e3o teve culpa pelos preju\u00edzos\u201d<\/em>, explica o advogado Marco T\u00falio Elias Alves, especialista em direito agr\u00e1rio e do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>O produtor afirmou ter buscado, sem sucesso, a renegocia\u00e7\u00e3o dos contratos com a institui\u00e7\u00e3o financeira antes de ingressar com a a\u00e7\u00e3o judicial. A negativa da institui\u00e7\u00e3o, mesmo diante de provas robustas da incapacidade tempor\u00e1ria de pagamento, motivou o pedido de liminar. A ju\u00edza considerou o conjunto probat\u00f3rio suficiente para reconhecer a plausibilidade do direito e o risco de dano grave \u00e0 continuidade da atividade agr\u00edcola.<\/p>\n<p>O especialista Marco T\u00falio Elias Alves ressalta que a jurisprud\u00eancia, incluindo a S\u00famula 298 do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), j\u00e1 consolidou o entendimento de que, comprovada a frustra\u00e7\u00e3o de safra, o alongamento do cr\u00e9dito deve ser assegurado.<em> \u201cN\u00e3o \u00e9 uma faculdade da institui\u00e7\u00e3o financeira, mas uma obriga\u00e7\u00e3o. Quando o produtor comprova o preju\u00edzo, n\u00e3o se trata de inadimpl\u00eancia dolosa, mas de um caso de for\u00e7a maior<\/em>\u201d, completa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de suspender a cobran\u00e7a das parcelas vencidas e vincendas, a magistrada proibiu a pr\u00e1tica de qualquer ato constritivo por parte do banco, como leil\u00f5es, bloqueios judiciais ou protesto de t\u00edtulos. Tamb\u00e9m determinou que o nome do produtor seja mantido fora de registros como SPC, Serasa e Banco Central, medida essencial para garantir acesso a insumos e novos financiamentos.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o ainda imp\u00f5e \u00e0 institui\u00e7\u00e3o financeira a obriga\u00e7\u00e3o de apresentar os contratos originais e a planilha de evolu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida na contesta\u00e7\u00e3o. Essa exig\u00eancia, segundo o advogado, demonstra a preocupa\u00e7\u00e3o do Judici\u00e1rio com a transpar\u00eancia das opera\u00e7\u00f5es.<em> \u201cMuitas vezes, os contratos de cr\u00e9dito rural sofrem altera\u00e7\u00f5es sem que o produtor tenha plena ci\u00eancia. Exigir a documenta\u00e7\u00e3o completa \u00e9 um avan\u00e7o\u201d,<\/em> afirma Alves.<\/p>\n<p>Apesar de liminar, a decis\u00e3o tem potencial de influenciar outros casos semelhantes no pa\u00eds, especialmente diante da crescente frequ\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos extremos. Para Marco T\u00falio Elias Alves, o precedente pode fortalecer a defesa de produtores em situa\u00e7\u00f5es semelhantes, mas refor\u00e7a a necessidade de preparo t\u00e9cnico e documental ao acionar o Judici\u00e1rio.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o segue em tr\u00e2mite na Justi\u00e7a estadual e ser\u00e1 analisada definitivamente nos pr\u00f3ximos meses. Enquanto isso, o produtor permanece amparado pela decis\u00e3o liminar, garantindo a continuidade de suas atividades no campo.<\/p>\n<p><em><strong>Cr\u00e9dito rural e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas: o campo sob press\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A decis\u00e3o judicial que suspendeu a cobran\u00e7a de cr\u00e9dito rural ap\u00f3s frustra\u00e7\u00e3o de safra no Paran\u00e1 escancara uma realidade cada vez mais frequente no agroneg\u00f3cio brasileiro: a vulnerabilidade do setor frente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O produtor de Tunas do Paran\u00e1 \u00e9 apenas um entre milhares que enfrentam perdas causadas por estiagens, enchentes ou pragas que se intensificam ano ap\u00f3s ano.<\/p>\n<p>De acordo com o advogado Marco T\u00falio Elias Alves, especialista em direito agr\u00e1rio, a legisla\u00e7\u00e3o brasileira j\u00e1 prev\u00ea mecanismos para proteger o produtor em situa\u00e7\u00f5es excepcionais. \u201c<em>O Manual de Cr\u00e9dito Rural e as resolu\u00e7\u00f5es do Conselho Monet\u00e1rio Nacional autorizam prorrogar d\u00edvidas em caso de frustra\u00e7\u00e3o de safra. Mas, na pr\u00e1tica, muitos bancos se negam a aplicar essa regra, exigindo interven\u00e7\u00e3o judicial<\/em>\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Essa resist\u00eancia, segundo o especialista, tem como pano de fundo o receio das institui\u00e7\u00f5es financeiras de abrir precedentes ou perder o controle sobre a inadimpl\u00eancia. No entanto, essa postura pode agravar ainda mais a situa\u00e7\u00e3o dos produtores, comprometendo safras futuras e o pr\u00f3prio abastecimento interno. \u201c<em>O que vemos \u00e9 uma judicializa\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, em vez de di\u00e1logo e reestrutura\u00e7\u00e3o contratual\u201d<\/em>, critica Alves.<\/p>\n<p>A inseguran\u00e7a clim\u00e1tica tamb\u00e9m pressiona o produtor a buscar ferramentas de prote\u00e7\u00e3o, como o seguro rural. Apesar dos avan\u00e7os nos \u00faltimos anos, a cobertura ainda \u00e9 limitada e os custos, altos. <em>\u201cMuitos pequenos e m\u00e9dios produtores sequer t\u00eam acesso a seguros, ficando \u00e0 merc\u00ea da sorte e da boa vontade dos bancos\u201d<\/em>, explica o advogado.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, cresce a import\u00e2ncia de pol\u00edticas p\u00fablicas mais robustas e da cria\u00e7\u00e3o de linhas de cr\u00e9dito espec\u00edficas para eventos clim\u00e1ticos. Propostas nesse sentido j\u00e1 tramitam no Congresso Nacional, mas ainda enfrentam resist\u00eancia pol\u00edtica e falta de consenso t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>Para Marco T\u00falio, a chave est\u00e1 em fortalecer a cultura do planejamento financeiro no campo.<em> \u201c\u00c9 preciso que o produtor, assessorado por t\u00e9cnicos e advogados, registre tudo: laudos, fotos, notas fiscais. Quando ocorre uma frustra\u00e7\u00e3o, quem tem documenta\u00e7\u00e3o robusta consegue melhores resultados, inclusive na Justi\u00e7a.\u201d<\/em><\/p>\n<p>A decis\u00e3o da ju\u00edza de Curitiba pode servir de alerta \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras e ao pr\u00f3prio Estado sobre a necessidade de se adaptar \u00e0 nova realidade clim\u00e1tica. Com o agro respondendo por cerca de 25% do PIB nacional, garantir a estabilidade do setor n\u00e3o \u00e9 apenas quest\u00e3o de justi\u00e7a social, mas de seguran\u00e7a econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Enquanto isso, casos como o de Tunas do Paran\u00e1 seguem ganhando espa\u00e7o no Judici\u00e1rio. E a tend\u00eancia, segundo os especialistas, \u00e9 de que esse n\u00famero cres\u00e7a. Afinal, no campo, o clima pode at\u00e9 ser imprevis\u00edvel, mas o direito do produtor n\u00e3o pode ser.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Marco Adv<\/strong><\/h6>\n\n\n<center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Reda\u00e7\u00e3o | Publicado em 29.jan.2026 | Atualizado \u00e0s 10h16 Uma decis\u00e3o recente da Justi\u00e7a do Paran\u00e1 reacende o debate sobre a prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica dos produtores rurais diante de eventos clim\u00e1ticos extremos. 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