{"id":85025,"date":"2026-05-21T10:04:34","date_gmt":"2026-05-21T13:04:34","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=85025"},"modified":"2026-05-21T10:04:36","modified_gmt":"2026-05-21T13:04:36","slug":"melhores-praticas-globais-na-agricultura-e-conservacao-de-polinizadores","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/melhores-praticas-globais-na-agricultura-e-conservacao-de-polinizadores\/","title":{"rendered":"Melhores pr\u00e1ticas globais na agricultura e conserva\u00e7\u00e3o de polinizadores"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p><em data-olk-copy-source=\"MessageBody\">*Por Heber Luiz Pereira<\/em><\/p>\n<p>A prote\u00e7\u00e3o das abelhas e de outros polinizadores \u00e9 um pilar estrat\u00e9gico para a sustentabilidade da agricultura contempor\u00e2nea e para a seguran\u00e7a alimentar global. Estima-se que, entre 75% e 80% das culturas alimentares dependam, ao menos em parte, da poliniza\u00e7\u00e3o animal, o que evidencia o papel central desses organismos n\u00e3o apenas na produtividade agr\u00edcola, mas tamb\u00e9m na qualidade nutricional, na diversidade dos alimentos e na estabilidade dos sistemas produtivos. Al\u00e9m disso, os polinizadores contribuem para a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade, assegurando servi\u00e7os ambientais essenciais, como a regenera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas naturais e a resili\u00eancia frente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, em v\u00e1rios lugares do mundo, v\u00eam sendo implementadas a\u00e7\u00f5es concretas voltadas \u00e0 integra\u00e7\u00e3o entre produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e conserva\u00e7\u00e3o ambiental. Entre elas, destacam-se a ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas agr\u00edcolas que favorecem a presen\u00e7a de polinizadores nas \u00e1reas produtivas (como diversifica\u00e7\u00e3o de culturas e manejo mais criterioso de insumos), a manuten\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de habitats no entorno das lavouras e o desenvolvimento de pesquisas e sistemas de monitoramento que orientam melhor as decis\u00f5es no campo. Paralelamente, iniciativas de capacita\u00e7\u00e3o e de articula\u00e7\u00e3o entre diferentes atores t\u00eam contribu\u00eddo para incorporar a poliniza\u00e7\u00e3o como um elemento estrat\u00e9gico no planejamento agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Na Uni\u00e3o Europeia, por exemplo, o foco tem sido tornar a conserva\u00e7\u00e3o de polinizadores uma pr\u00e1tica operacional no campo. Entre as medidas mais comuns est\u00e3o: cria\u00e7\u00e3o de corredores ecol\u00f3gicos e \u00e1reas com plantas mel\u00edferas nas bordas de talh\u00f5es, diversifica\u00e7\u00e3o de culturas e redu\u00e7\u00e3o de pulveriza\u00e7\u00f5es em hor\u00e1rios de maior atividade de voo das abelhas. Na apicultura, avan\u00e7am a\u00e7\u00f5es de monitoramento sanit\u00e1rio e rastreabilidade, com registros de mortalidade para orientar corre\u00e7\u00f5es de manejo. Como incentivo pr\u00e1tico, muitos pa\u00edses europeus combinam pagamentos por pr\u00e1ticas agroambientais com programas de extens\u00e3o rural e guias t\u00e9cnicos padronizados para as boas pr\u00e1ticas ap\u00edcolas e agr\u00edcolas. Na rela\u00e7\u00e3o agricultor\u2013apicultor, \u00e9 frequente a formaliza\u00e7\u00e3o de acordos de poliniza\u00e7\u00e3o e a comunica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de pulveriza\u00e7\u00f5es, al\u00e9m do uso crescente de aplicativos e protocolos locais para avisos de aplica\u00e7\u00e3o, posicionamento de colmeias e defini\u00e7\u00e3o de zonas de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, a integra\u00e7\u00e3o entre agricultura e poliniza\u00e7\u00e3o \u00e9 estruturada com foco em manejo de risco e acordos operacionais. \u00c9 comum o uso de contratos de servi\u00e7os de poliniza\u00e7\u00e3o, especialmente em culturas como am\u00eandoas, ma\u00e7\u00e3, mirtilo e mel\u00e3o, com padr\u00f5es m\u00ednimos de desenvolvimento das colmeias, log\u00edstica de transporte definida e janelas espec\u00edficas para aplica\u00e7\u00e3o de defensivos. No campo, produtores adotam faixas floridas, coberturas vegetais, t\u00e9cnicas de redu\u00e7\u00e3o de deriva e priorizam aplica\u00e7\u00f5es em per\u00edodos de menor atividade das abelhas, al\u00e9m de selecionar estrat\u00e9gias de controle com menor risco para polinizadores.<\/p>\n<p>Os incentivos concentram-se em programas de conserva\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia t\u00e9cnica, seguros e exig\u00eancias de mercado. Em v\u00e1rias regi\u00f5es, produtores recebem apoio para implanta\u00e7\u00e3o de habitats e orienta\u00e7\u00e3o para conciliar o controle de pragas com a prote\u00e7\u00e3o de polinizadores. Iniciativas privadas e o compartilhamento de dados sobre incidentes tamb\u00e9m t\u00eam contribu\u00eddo para reduzir perdas e aprimorar pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>No Canad\u00e1 e na Austr\u00e1lia, as estrat\u00e9gias combinam biosseguran\u00e7a e manejo sanit\u00e1rio. No Canad\u00e1, s\u00e3o amplamente adotadas orienta\u00e7\u00f5es para reduzir riscos durante pulveriza\u00e7\u00f5es, com destaque para comunica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, aten\u00e7\u00e3o ao florescimento e monitoramento da presen\u00e7a de abelhas. Tamb\u00e9m s\u00e3o comuns a\u00e7\u00f5es de restaura\u00e7\u00e3o de habitats com esp\u00e9cies mel\u00edferas. Na Austr\u00e1lia, o foco est\u00e1 na continuidade da poliniza\u00e7\u00e3o e na vigil\u00e2ncia de pragas e doen\u00e7as, com protocolos rigorosos para o tr\u00e2nsito de colmeias e resposta r\u00e1pida a emerg\u00eancias sanit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Nesses pa\u00edses, destacam-se como incentivos a remunera\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de poliniza\u00e7\u00e3o, com padr\u00f5es de manejo e sanidade ap\u00edcola; programas de treinamento e certifica\u00e7\u00f5es\/boas pr\u00e1ticas que facilitam o acesso a mercados; e apoio t\u00e9cnico para implanta\u00e7\u00e3o de habitats e gest\u00e3o integrada de pragas. Em ambos os pa\u00edses, a integra\u00e7\u00e3o entre apicultores e agricultores se materializa em acordos de posicionamento de colmeias, compartilhamento de calend\u00e1rios para manejo fitossanit\u00e1rio e, principalmente, na comunica\u00e7\u00e3o para reduzir riscos associados \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o a defensivos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>No Brasil, a prote\u00e7\u00e3o de polinizadores exige adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es tropicais, que imp\u00f5em desafios relevantes, como a press\u00e3o cont\u00ednua de pragas e a variabilidade ambiental ao longo do ano, o que exige monitoramento constante e estrat\u00e9gias adaptadas \u00e0s realidades locais de cada estado.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a sanidade das colmeias est\u00e1 diretamente associada \u00e0 qualidade do manejo e \u00e0 capacidade de interpretar sinais precoces de desequil\u00edbrio. A identifica\u00e7\u00e3o oportuna de altera\u00e7\u00f5es no desenvolvimento das col\u00f4nias permite diferenciar causas sanit\u00e1rias de eventos externos e orientar decis\u00f5es mais assertivas ao longo do ciclo produtivo.<\/p>\n<p>Entre os principais sinais de alerta, destacam-se a queda acelerada da popula\u00e7\u00e3o da colmeia, a redu\u00e7\u00e3o da postura e falhas de cria, a presen\u00e7a de abelhas com asas deformadas, a mortalidade na entrada da colmeia e ind\u00edcios de deteriora\u00e7\u00e3o nos favos, como larvas, t\u00faneis ou in\u00edcio de fermenta\u00e7\u00e3o do mel. A observa\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica desses indicadores \u00e9 fundamental para direcionar interven\u00e7\u00f5es de forma mais precisa.<\/p>\n<p>Para reduzir perdas, pr\u00e1ticas de manejo t\u00eam sido adotadas com foco na estabilidade das col\u00f4nias ao longo do ano, incluindo a manuten\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es adequados de popula\u00e7\u00e3o e reservas, a renova\u00e7\u00e3o de rainhas, o controle sanit\u00e1rio e o cuidado na origem de enxames e materiais. Essas medidas contribuem para diminuir a introdu\u00e7\u00e3o e a dissemina\u00e7\u00e3o de pat\u00f3genos e aumentar a resili\u00eancia dos api\u00e1rios.<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o com a agricultura tamb\u00e9m \u00e9 um componente central desse processo, envolvendo o planejamento do posicionamento de api\u00e1rios, a comunica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via sobre pulveriza\u00e7\u00f5es, o respeito a dist\u00e2ncias seguras e a prioriza\u00e7\u00e3o de locais com barreiras naturais, al\u00e9m da considera\u00e7\u00e3o das culturas no entorno. Esse alinhamento permite reduzir riscos associados \u00e0s aplica\u00e7\u00f5es e melhorar as condi\u00e7\u00f5es de oferta de alimento e abrigo para as abelhas. O principal desafio \u00e9 viabilizar esse planejamento e o acompanhamento com inspe\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas sem que o custo operacional comprometa a rentabilidade da atividade.<\/p>\n<p>Como incentivo \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas, iniciativas de coopera\u00e7\u00e3o t\u00eam contribu\u00eddo para reduzir conflitos e aumentar a previsibilidade no campo. Um exemplo \u00e9 o Colmeia Viva (Sindiveg), que re\u00fane protocolos de preven\u00e7\u00e3o e resposta a incidentes, capacita\u00e7\u00f5es e ferramentas de comunica\u00e7\u00e3o (como o Colmeia Viva APP) para aproximar agricultores, aplicadores e criadores de abelhas.<\/p>\n<p>No Brasil, tamb\u00e9m se observam mecanismos de incentivo vinculados \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas. A remunera\u00e7\u00e3o por servi\u00e7os de poliniza\u00e7\u00e3o, associada a crit\u00e9rios de sanidade e qualidade das colmeias, j\u00e1 est\u00e1 presente em diferentes contextos produtivos, assim como instrumentos de mercado que valorizam produtores que adotam pr\u00e1ticas favor\u00e1veis aos polinizadores. A valoriza\u00e7\u00e3o de produtos com rastreabilidade e padr\u00e3o sanit\u00e1rio tem avan\u00e7ado em toda a cadeia, contribuindo para reduzir perdas e ampliar o acesso a mercados.<\/p>\n<p>Em conjunto, essas a\u00e7\u00f5es exigem coordena\u00e7\u00e3o entre agricultores, apicultores, assist\u00eancia t\u00e9cnica, pesquisa e setor privado e representam uma decis\u00e3o t\u00e9cnica e econ\u00f4mica para elevar produtividade e competitividade no agroneg\u00f3cio brasileiro, conciliando produ\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Proteger polinizadores n\u00e3o \u00e9 apenas uma resposta a uma crise ambiental, mas uma estrat\u00e9gia para fortalecer sistemas produtivos mais eficientes, resilientes e alinhados \u00e0s exig\u00eancias de mercado.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Attuale Comunica\u00e7\u00e3o | Foto: Canva<\/strong><\/h6>\n\n\n<center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Por Heber Luiz Pereira A prote\u00e7\u00e3o das abelhas e de outros polinizadores \u00e9 um pilar estrat\u00e9gico para a sustentabilidade da agricultura contempor\u00e2nea e para a seguran\u00e7a alimentar global. 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