{"id":37958,"date":"2021-03-16T12:17:51","date_gmt":"2021-03-16T15:17:51","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=37958"},"modified":"2021-03-16T12:17:51","modified_gmt":"2021-03-16T15:17:51","slug":"papo-cientifico-governo-detalha-perfil-de-infectados-e-propagacao-de-variantes-do-coronavirus-no-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/papo-cientifico-governo-detalha-perfil-de-infectados-e-propagacao-de-variantes-do-coronavirus-no-rs\/","title":{"rendered":"Papo Cient\u00edfico: governo detalha perfil de infectados e propaga\u00e7\u00e3o de variantes do coronav\u00edrus no RS"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p><em>Em live nesta ter\u00e7a (16), especialistas em sa\u00fade explicaram os dados e responderam a perguntas sobre o novo Boletim Gen\u00f4mico<\/em><\/p>\n<p>Com objetivo de detalhar novos e complexos dados sobre a pandemia no Rio Grande do Sul, o governo do Estado realizou na manh\u00e3 desta ter\u00e7a-feira (16\/3) a primeira edi\u00e7\u00e3o do Papo Cient\u00edfico. Transmitido ao vivo pelas redes sociais, o novo formato, com participa\u00e7\u00e3o de especialistas, busca explicar informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas que embasam o enfrentamento \u00e0 Covid-19.<\/p>\n<p>\u201cSempre deixamos claro que nosso enfrentamento \u00e0 pandemia se baseia em dados e evid\u00eancias. Agora, queremos dividir ainda mais com a comunidade qual \u00e9 a ci\u00eancia por tr\u00e1s disso. Esta apresenta\u00e7\u00e3o de dados \u00e9 muito importante, com o perfil da ocupa\u00e7\u00e3o dos leitos, o crescimento que observamos nas interna\u00e7\u00f5es e nos \u00f3bitos, o que estamos observando, ou seja, quais s\u00e3o os dados que subsidiam as medidas adotadas pelo governador e pelo governo. Temos um corpo t\u00e9cnico muito qualificado e muito esfor\u00e7o, muita dedica\u00e7\u00e3o, que tem dado colabora\u00e7\u00e3o inestim\u00e1vel para que possamos salvar vidas no nosso Estado\u201d, afirmou o governador Eduardo Leite na abertura da live.<\/p>\n<p>Na pauta desta ter\u00e7a (16), a quarta edi\u00e7\u00e3o do Boletim Gen\u00f4mico, que identifica e analisa as diferentes linhagens de coronav\u00edrus em circula\u00e7\u00e3o no Estado, com participa\u00e7\u00e3o da diretora do Centro Estadual de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade (Cevs), Cynthia Goulart Molina-Bastos; do farmac\u00eautico da Vigil\u00e2ncia Epidemiol\u00f3gica da Secretaria Estadual da Sa\u00fade (SES) Eduardo Viegas da Silva; e o especialista em Sa\u00fade do Laborat\u00f3rio Central do Estado (Lacen-RS) Richard Steiner Salvato.<\/p>\n<p>\u201cO Papo Cient\u00edfico vai ajudar a gente a combater as fake news. Porque toda hora surge algu\u00e9m com a sua pr\u00f3pria verdade, apresentando suas vers\u00f5es dos fatos, sem amparar nos dados, em pesquisa. E aqui temos pesquisadores, ci\u00eancia, dando embasamento para as decis\u00f5es\u201d, acrescentou Leite.<\/p>\n<p>Divulgado desde 1\u00ba de fevereiro, o Boletim Gen\u00f4mico do coronav\u00edrus no RS, produzido pelo Cevs e publicado a cada duas semanas no site do governo sobre Covid-19, j\u00e1 est\u00e1 na quarta edi\u00e7\u00e3o. O documento leva em conta a an\u00e1lise de um conjunto de pacientes hospitalizados, determinando quais as linhagens mais frequentes distribu\u00eddas, o que \u00e9 essencial para a compreens\u00e3o do avan\u00e7o da pandemia e para guiar as medidas de controle da doen\u00e7a a serem adotadas pelo Gabinete de Crise.<\/p>\n<p>Para o escopo do quarto boletim, foram consideradas 478 amostras colhidas entre 23 de fevereiro e 9 de mar\u00e7o, em 117 munic\u00edpios, com representatividade de todas as regi\u00f5es geogr\u00e1ficas do Estado, nos diferentes grupos et\u00e1rios, incluindo pacientes internados ou n\u00e3o, al\u00e9m de considerar os atuais indicadores epidemiol\u00f3gicos. A partir disso, o Cevs fez o sequenciamento gen\u00f4mico das amostras e identificou 20 linhagens de coronav\u00edrus diferentes em circula\u00e7\u00e3o no RS.<\/p>\n<p>De acordo com Salvato, as muta\u00e7\u00f5es entre os v\u00edrus s\u00e3o extremamente frequentes e, de forma geral, n\u00e3o representam uma altera\u00e7\u00e3o no comportamento ou na a\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. As diferentes linhagens s\u00e3o identificadas pelas combina\u00e7\u00f5es entre as muta\u00e7\u00f5es que permanecem ao longo do tempo.<\/p>\n<p>\u201cA gente v\u00ea que a distribui\u00e7\u00e3o da linhagem por m\u00eas durante a pandemia n\u00e3o \u00e9 heterog\u00eanea. Algumas predominaram no in\u00edcio da pandemia, mas foram perdendo lugar para outras que passaram a predominar. Hoje, no \u00faltimo boletim, temos cinco linhagens predominantes\u201d, afirmou o especialista do Lacen.<\/p>\n<p>Entre estas variantes mapeadas, as mais frequentes em territ\u00f3rio ga\u00facho foram, na ordem, B.1.1.28, P2, B.1.1.33, P1 e B.1.1.61.<\/p>\n<p>Pessoas que tenham se contaminado pela Covid-19 em algum momento n\u00e3o podem se considerar imunes \u00e0 reinfec\u00e7\u00e3o pela doen\u00e7a. \u201cTivemos casos em que a quantidade de anticorpos diminuiu. As reinfec\u00e7\u00f5es ocorrem independentemente das variantes. Ent\u00e3o, temos de continuar nos cuidando, usando m\u00e1scara. A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 a vacina\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o das medidas de distanciamento\u201d, destacou Salvato.<\/p>\n<p><strong>Variantes que preocupam<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-37960 alignleft\" src=\"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tyfyfytfyt-400x267.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tyfyfytfyt-400x267.jpg 400w, https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tyfyfytfyt-768x512.jpg 768w, https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tyfyfytfyt-600x400.jpg 600w, https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tyfyfytfyt.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/>O Boletim Gen\u00f4mico pontua que, apesar do aumento no n\u00famero de linhagens circulantes, poucas s\u00e3o as que causam preocupa\u00e7\u00e3o quanto a altera\u00e7\u00f5es no comportamento do v\u00edrus.<\/p>\n<p>O que tem trazido preocupa\u00e7\u00e3o no mundo todo \u00e9 o surgimento de variantes que abrigam um n\u00famero maior de muta\u00e7\u00f5es em prote\u00edna chamada Spike, sobretudo, ap\u00f3s a recente identifica\u00e7\u00e3o de duas cepas, uma no Reino Unido, j\u00e1 detectada em outros Estados, e outra na \u00c1frica do Sul, ainda n\u00e3o identificada no Brasil.<\/p>\n<p>No pa\u00eds, a epidemia ocorreu a partir de duas linhagens, denominadas B.1.1.28 e B.1.1.33, que, provavelmente, surgiram em fevereiro de 2020. As variantes P1 e P2, as mais frequentes no 4\u00aa Boletim Gen\u00f4mico do RS, s\u00e3o as que mais preocupam atualmente.<\/p>\n<p>\u201cAs variantes v\u00e3o dominando porque s\u00e3o mais r\u00e1pidas. Se circulam mais r\u00e1pido, tamb\u00e9m come\u00e7am a gerar novas muta\u00e7\u00f5es mais rapidamente. O que nos preocupa atualmente \u00e9 a P1, mas, categoricamente, neste momento do RS, a predomin\u00e2ncia nestes v\u00edrus que est\u00e3o aqui n\u00e3o tem nenhuma rela\u00e7\u00e3o com os pacientes que vieram do Norte do pa\u00eds para ser atendidos solidariamente no RS\u201d, afirmou Cynthia.<\/p>\n<p>A P1 \u00e9 associada \u00e0 explos\u00e3o de casos de Covid-19 em Manaus, no Amazonas, devido \u00e0 alta capacidade de reprodu\u00e7\u00e3o e de transmissibilidade. No entanto, o registro da P1 detectado em Gramado, na Serra, ocorreu em 14 de janeiro de 2021, dez dias antes de os primeiros pacientes do Norte do pa\u00eds serem transferidos ao Rio Grande do Sul para receber tratamento hospitalar.<\/p>\n<p>A cepa P2, identificada originalmente no Rio de Janeiro, carrega a muta\u00e7\u00e3o E484K no ponto de liga\u00e7\u00e3o do receptor da prote\u00edna Spike. Al\u00e9m disso, ela se tornou uma das vers\u00f5es mais frequentes da Covid-19 no RS, principalmente a partir de novembro do ano passado.<\/p>\n<p><strong>Perfil dos infectados<\/strong><\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao perfil dos infectados no RS, os especialistas do Gabinete de Crise t\u00eam analisado os indicadores e afirmam que h\u00e1 um n\u00famero maior de jovens infectados atualmente. No entanto, isso possivelmente acontece porque h\u00e1 uma parcela maior da popula\u00e7\u00e3o contaminada, uma vez que o coronav\u00edrus est\u00e1 circulando mais.<\/p>\n<p>\u201cA Covid ainda \u00e9 uma doen\u00e7a que afeta os mais velhos, e a idade ainda \u00e9 um fator de risco bem maior. Acontece que, em um momento de incid\u00eancia do v\u00edrus a n\u00edvel populacional tremendamente alta, a quantidade de pessoas jovens que adoecem e morrem tamb\u00e9m \u00e9 alta. A circula\u00e7\u00e3o maior do v\u00edrus \u00e9 a grande habilidade que essa nova variante (P1) tem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s anteriores, por isso ela predomina\u201d, explicou o farmac\u00eautico do Cevs Eduardo da Silva.<\/p>\n<p>No enfrentamento \u00e0 pandemia, essa acelera\u00e7\u00e3o de propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus \u00e9 o que mais preocupa junto ao fato de jovens n\u00e3o serem considerados grupo de risco, o que pode acabar levando a um relaxamento nas medidas de preven\u00e7\u00e3o e aumento da transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cSe temos tanta gente jovem no hospital, temos muito mais gente jovem fora do hospital transmitindo, em isolamento em casa ou na rua sem saber. Esse \u00e9 um pouco o exerc\u00edcio que fazemos e que come\u00e7a a dar medo, porque essas pessoas est\u00e3o se encontrando, tendo contatos. Portanto, o que n\u00e3o queremos \u00e9 circula\u00e7\u00e3o de pessoas, porque n\u00e3o tem mais como saber quem \u00e9 esse n\u00famero gigante que ainda pode estar transmitindo e sem quase nada de sintomas. E n\u00e3o temos leitos para todos se forem infectados todos ao mesmo tempo, porque inevitavelmente uma parcela vai ter quadro grave e at\u00e9 vir a \u00f3bito\u201d, acrescentou Cynthia.<\/p>\n<p>Outro ponto observado pelos especialistas \u00e9 um aumento de pessoas sem comorbidades que se infectaram e est\u00e3o apresentando gravidade e at\u00e9 mesmo morrendo. O perfil das pessoas internadas, conforme a especialista, n\u00e3o pode ser creditado \u00e0s muta\u00e7\u00f5es do v\u00edrus, porque ainda n\u00e3o se tem dados suficientes para isso.<\/p>\n<p>\u201cComo o v\u00edrus se espalhou muito e muito r\u00e1pido, \u00e9 prov\u00e1vel que esse espalhamento tenha afetado uma propor\u00e7\u00e3o maior de pessoas, e que na maioria tem um perfil sem comorbidade, que circula mais, que promove mais aglomera\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, h\u00e1 pessoas que muitas vezes nem s\u00e3o vistas com comorbidades, como o paciente que ronca e tem apneia do sono, ou aquele que abusa de \u00e1lcool, n\u00e3o faz atividade f\u00edsica, ou que tem um sobrepeso. Esses entram como \u2018sem comorbidades\u2019, mas apresentam fatores de risco e \u00e0s vezes demoram a buscar ajuda, podendo ser tarde demais\u201d, apontou a diretora do Cevs.<\/p>\n<p>Os dados tamb\u00e9m apontam um tempo maior entre o come\u00e7o dos sintomas, a procura por atendimento e a efetiva hospitaliza\u00e7\u00e3o. No come\u00e7o deste ano, a m\u00e9dia de tempo para a interna\u00e7\u00e3o era de seis a sete dias, n\u00famero que cresceu, nas \u00faltimas semanas, para oito ou nove dias.<\/p>\n<p>\u201cO esfor\u00e7o de amplia\u00e7\u00e3o de leitos de UTI \u00e9 impressionante \u2013 mais de 150% de leitos em um ano \u2013, algo que sem d\u00favidas evitou muitas mortes. Neste momento em que nos encontramos, por\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 leitos que segurem o n\u00famero de \u00f3bitos, nem com a melhor das disponibilidades e dinheiro. Apenas medidas a n\u00edvel populacional, como uso de m\u00e1scara, de respeito aos protocolos. Percebemos que as pessoas est\u00e3o demorando mais para serem internadas, e isso \u00e9 um sinal de sobrecarga do sistema de sa\u00fade. Estamos passando por algo nunca visto, e os dados mostram isso. Precisamos, mais do que nunca, ter uma consci\u00eancia individual de o quando \u00e9 necess\u00e1rio sair de casa e ter contato com outras pessoas neste momento\u201d, reflete Cynthia.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Texto: Vanessa Kannenberg e Suzy Scarton |\u00a0Foto: Itamar Aguiar \/ Pal\u00e1cio Piratini<\/strong><br \/>\n<strong>Edi\u00e7\u00e3o: Marcelo Flach\/Secom<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center><\/p>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em live nesta ter\u00e7a (16), especialistas em sa\u00fade explicaram os dados e responderam a perguntas sobre o novo Boletim Gen\u00f4mico Com objetivo de detalhar novos e complexos dados sobre a pandemia no Rio Grande do Sul, o governo do Estado realizou na manh\u00e3 desta ter\u00e7a-feira (16\/3) a primeira edi\u00e7\u00e3o do Papo Cient\u00edfico. 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