{"id":43238,"date":"2021-11-22T10:56:28","date_gmt":"2021-11-22T13:56:28","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=43238"},"modified":"2021-11-22T10:56:28","modified_gmt":"2021-11-22T13:56:28","slug":"estudo-mostra-panorama-da-desigualdade-racial-no-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/estudo-mostra-panorama-da-desigualdade-racial-no-rs\/","title":{"rendered":"Estudo mostra panorama da desigualdade racial no RS"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p><em>Dados apontam que pessoas negras est\u00e3o em desvantagem na compara\u00e7\u00e3o com brancos em um s\u00e9rie de indicadores sociais<\/em><\/p>\n<p>Representando 21% da popula\u00e7\u00e3o ga\u00facha, cerca de 2,3 milh\u00f5es de habitantes, as pessoas negras (pretas e pardas) est\u00e3o em desvantagem na compara\u00e7\u00e3o com os brancos em uma s\u00e9rie de indicadores relativos \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, mercado de trabalho e representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Conforme dados reunidos pelo Departamento de Economia e Estat\u00edstica (DEE), vinculado \u00e0 Secretaria de Planejamento, Governan\u00e7a e Gest\u00e3o (SPGG), h\u00e1, por exemplo, maiores taxas de analfabetismo entre negros do que entre brancos, diferen\u00e7as significativas nas taxas de Ensino Superior completo, maior distor\u00e7\u00e3o idade-s\u00e9rie entre negros (percentual de alunos que t\u00eam idade acima da esperada para o ano em que est\u00e3o matriculados), al\u00e9m de maior risco de \u00f3bito por Covid-19 entre pessoas com mais de 60 anos e maior taxa de desemprego entre negros em rela\u00e7\u00e3o aos brancos no Estado.<\/p>\n<p>Este e outros dados sobre a desigualdade de ra\u00e7a\/cor est\u00e3o no relat\u00f3rio t\u00e9cnico \"Panorama das desigualdades de ra\u00e7a\/cor no Rio Grande do Sul\", divulgado nesta sexta-feira (19\/11) \u2013 v\u00e9spera do Dia da Consci\u00eancia Negra. O estudo contempla dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlio Cont\u00ednua (Pnad Cont\u00ednua), Censo Escolar, Censo do Ensino Superior, Sistema de Avalia\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Saeb), Pesquisa Nacional da Sa\u00fade (PNS), Sivep\/Gripe, DataSus, Departamento Penitenci\u00e1rio Nacional, F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Cadastro \u00danico.<\/p>\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A taxa de analfabetismo entre a popula\u00e7\u00e3o negra do Rio Grande do Sul \u00e9 maior do que entre os brancos em todas as faixas et\u00e1rias, chegando a ser tr\u00eas vezes maior em alguns casos. Entre pessoas com 15 e 17 anos, por exemplo, a taxa \u00e9 de 5,2% ante 2% dos brancos, chegando a 16% entre a popula\u00e7\u00e3o negra com 60 anos ou mais contra 5,2% na mesma faixa et\u00e1ria entre os brancos.<\/p>\n<p>Quando o tema \u00e9 escolaridade, a popula\u00e7\u00e3o negra tamb\u00e9m est\u00e1 em desvantagem. No Estado, 16,4% dos brancos tinham Ensino Superior completo em 2019 contra 6,3% dos negros. J\u00e1 entre a popula\u00e7\u00e3o com Ensino Fundamental incompleto, o percentual entre os negros era de 38,8% contra 31,5% dos brancos. Entre os matriculados na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, os brancos representavam 84% do total dos estudantes, contra 10% de pardos e 5% de pretos. Na popula\u00e7\u00e3o com at\u00e9 17 anos do Rio Grande do Sul, brancos eram, em 2019, 77% do total de habitantes e os negros (pardos e pretos) eram 23%.<\/p>\n<p>Outro indicador presente no relat\u00f3rio \u00e9 a distor\u00e7\u00e3o idade-s\u00e9rie dos estudantes da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica no RS. Conforme os dados levantados, entre o terceiro e o nono ano do Ensino Fundamental o percentual de alunos com idade acima da esperada para o ano em que est\u00e3o matriculados \u00e9 maior entre a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena no Rio Grande do Sul, seguida da popula\u00e7\u00e3o preta e parda. No terceiro ano, a taxa de distor\u00e7\u00e3o entre os ind\u00edgenas era de 21%, enquanto entre os pretos era de 20%, 17% nos pardos e 9% na popula\u00e7\u00e3o branca. No s\u00e9timo ano a distor\u00e7\u00e3o entre os ind\u00edgenas chega a 62%, seguido de uma taxa de 50% entre os pretos, 46% entre os pardos e 29% entre os brancos. Do terceiro ao nono ano a taxa de distor\u00e7\u00e3o idade-s\u00e9rie nunca ultrapassa os 30% na popula\u00e7\u00e3o branca.<\/p>\n<p>No Ensino M\u00e9dio, a distor\u00e7\u00e3o idade-s\u00e9rie permanece elevada entre ind\u00edgenas, pretos e pardos e chega a ser tr\u00eas vezes maior em rela\u00e7\u00e3o aos brancos. No terceiro ano, a taxa era de 51% entre os ind\u00edgenas, 39% entre a popula\u00e7\u00e3o preta, 28% entre os pardos e 19% entre os brancos.<\/p>\n<p><strong>Sa\u00fade<\/strong><\/p>\n<p>Em 2019, 19,2% da popula\u00e7\u00e3o branca do Estado avaliava seu estado de sa\u00fade como \"muito bom\", percentual que cai para 16,7% entre os pardos e 12,2% entre os pretos. O acesso a servi\u00e7os privados de sa\u00fade chega a 30,4% entre os brancos ante 17,1% entre os pardos e 16,3% entre os pretos.<\/p>\n<p>Apesar de estarem cadastradas em menor percentual na unidade de sa\u00fade da fam\u00edlia, os domic\u00edlios da popula\u00e7\u00e3o branca recebem com mais frequ\u00eancia as visitas de agentes comunit\u00e1rios ou de algum membro da equipe de sa\u00fade da fam\u00edlia. Entre os brancos, 51,8% dos domic\u00edlios est\u00e3o cadastrados em Unidade de Sa\u00fade da Fam\u00edlia, percentual que sobe para 60,3% entre os pardos e 57,1% entre os pretos. Quando se trata de visitas, 34% dos domic\u00edlios de brancos receberam visitas mensais e 10% a cada dois meses. Entre os pardos os percentuais foram de 32% e 7% e com os pretos de 31% e 4%, respectivamente.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 taxa de letalidade hospitalar em fun\u00e7\u00e3o da pandemia da Covid-19, a popula\u00e7\u00e3o preta inscrita no Cadastro \u00danico registrou percentuais maiores do que a branca e a parda para faixas et\u00e1rias mais altas. Na faixa et\u00e1ria entre 60 a 79 anos, no per\u00edodo entre mar\u00e7o de 2020 e junho de 2021, a taxa chegou a 49,6% entre os pretos, 45,5% nos pardos e 45,8% entre os brancos. Na faixa et\u00e1ria de 80 anos ou mais, os percentuais foram de 67,1% entre a popula\u00e7\u00e3o preta, 59,1% entre os pardos e 59,2% nos brancos.<\/p>\n<p>Por faixa de renda, o risco de \u00f3bito entre adultos internados com Covid-19 \u00e9 12% maior para pessoas pretas em rela\u00e7\u00e3o a pessoas brancas na faixa de renda acima de meio sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p>\"Observando o comportamento dos dados na pandemia, nas \u00e1reas da educa\u00e7\u00e3o e da sa\u00fade, vemos que as desigualdades entre negros e brancos foram agravadas\", afirma o pesquisador do DEE\/SPGG, Rodrigo Campelo.<\/p>\n<p><strong>Trabalho<\/strong><\/p>\n<p>Na taxa de desemprego por ra\u00e7a\/cor no Rio Grande do Sul, o percentual \u00e9 mais expressivo entre os pretos e pardos em rela\u00e7\u00e3o aos brancos. No primeiro trimestre de 2020, o \u00faltimo antes dos maiores efeitos da pandemia do Covid-19, a taxa era de 13,5% entre a popula\u00e7\u00e3o preta, 12,8% entre os pardos e 7,2% entre os brancos.<\/p>\n<p>No mesmo per\u00edodo de 2020, o rendimento m\u00e9dio dos negros respondia por pouco mais de 55% do rendimento dos brancos. Enquanto a renda m\u00e9dia dos pretos era de R$ 1.996 e dos pardos, R$ 1.848 no primeiro trimestre do ano passado, entre os brancos o rendimento chegava a R$ 2.990, conforme dados da Pnad Cont\u00ednua do IBGE.<\/p>\n<p><strong>Representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es de 2014, de 91 eleitos pelo Rio Grande do Sul no pleito, 90 eram brancos (98,9%) e um era negro (1,1%). O cen\u00e1rio quatro anos depois permaneceu sem altera\u00e7\u00e3o significativa: dos 94 eleitos, 91 eram brancos (96,8%) e tr\u00eas, negros (3,2%). Quanto ao n\u00famero de candidaturas, houve um aumento entre os pleitos: 6,5% do total de candidaturas eram de negros em 2014 e 11,5% do total em 2018.<\/p>\n<p>O estudo foi produzido pelos pesquisadores Andr\u00e9 Augustin, Daiane Menezes, L\u00edvio de Oliveira, Marilyn Agranonik, Ricardo de Oliveira J\u00fanior, Rodrigo Campelo, Ana Clara Grassi, Henrique Silva e Gabriele dos Anjos.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Texto: Vagner Benites\/Ascom SPGG<\/strong><br \/>\n<strong>Edi\u00e7\u00e3o: Marcelo Flach\/Secom<\/strong><\/h6>\n<p><center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center><\/p>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados apontam que pessoas negras est\u00e3o em desvantagem na compara\u00e7\u00e3o com brancos em um s\u00e9rie de indicadores sociais Representando 21% da popula\u00e7\u00e3o ga\u00facha, cerca de 2,3 milh\u00f5es de habitantes, as pessoas negras (pretas e pardas) est\u00e3o em desvantagem na compara\u00e7\u00e3o com os brancos em uma s\u00e9rie de indicadores relativos \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, mercado de trabalho [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":43239,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-43238","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43238","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43238"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43238\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43240,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43238\/revisions\/43240"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43239"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43238"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43238"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43238"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}