{"id":64784,"date":"2024-05-28T10:23:32","date_gmt":"2024-05-28T13:23:32","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=64784"},"modified":"2024-05-28T10:23:34","modified_gmt":"2024-05-28T13:23:34","slug":"solos-de-lavouras-precisarao-de-recuperacao-apos-enchentes-no-rio-grande-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/solos-de-lavouras-precisarao-de-recuperacao-apos-enchentes-no-rio-grande-do-sul\/","title":{"rendered":"Solos de lavouras precisar\u00e3o de recupera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s enchentes no Rio Grande do Sul"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p style=\"text-align: center;\"><em>Especialistas apresentam t\u00e9cnicas e solu\u00e7\u00f5es para minimizar impactos nas lavouras ap\u00f3s as enxurradas<\/em><\/p>\n<p>Uma das preocupa\u00e7\u00f5es dos produtores rurais atingidos pelas fortes enchentes em diversas regi\u00f5es do Rio Grande do Sul nas \u00faltimas semanas vem, a partir de agora, com a reconstru\u00e7\u00e3o de seus neg\u00f3cios. Al\u00e9m da perda de animais, m\u00e1quinas e propriedades, a perda dos solos para os plantios nas propriedades rurais assoladas pelas \u00e1guas tamb\u00e9m se trata de mais um preju\u00edzo para os agricultores.<\/p>\n<p>Conforme o diretor da SIA Brasil, Servi\u00e7o de Intelig\u00eancia em Agroneg\u00f3cios, Davi Teixeira, esta \u00e9 uma perda fundamental nos neg\u00f3cios agropecu\u00e1rios dos produtores rurais ga\u00fachos. \"<em>Talvez a maior riqueza dos seus neg\u00f3cios agropecu\u00e1rios, das suas vidas, algo constru\u00eddo ao longo de muitos anos, \u00e9 o solo. O solo \u00e9 a mem\u00f3ria do sistema de produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria, \u00e9 ele que registra tudo que o produtor vem fazendo ao longo dos anos na constru\u00e7\u00e3o da sua fertilidade, na constru\u00e7\u00e3o de uma camada f\u00e9rtil para que ali as culturas e as cria\u00e7\u00f5es possam desempenhar o seu potencial gen\u00e9tico<\/em>\", observa.<\/p>\n<p>Para o gerente de Sustentabilidade da SIA Brasil, Gustavo Heissler, quando ocorrem essas ocasi\u00f5es de fortes chuvas, que est\u00e3o gerando uma s\u00e9rie de enxurradas, principalmente nesse alto volume observado, especialmente em \u00e1reas mais declivosas, se visualiza a perda dos horizontes superficiais do solo. <em>\"S\u00e3o as primeiras camadas mais acima no solo. Um ponto que precisamos destacar quando abordamos essa tem\u00e1tica \u00e9 que, via de regra, o horizonte ou as por\u00e7\u00f5es mais f\u00e9rteis do solo s\u00e3o justamente essas da camada mais superficial. S\u00e3o as por\u00e7\u00f5es onde trabalhamos mais ativamente o solo e a fertilidade. Quando constru\u00edmos a fertilidade, \u00e9 justamente essa camada que, em alguns pontos, foi perdida. Aparentemente, no primeiro momento, talvez n\u00e3o percebamos tanto esse fen\u00f4meno, mas \u00e9 importante estarmos atentos a isso, porque essa perda pode, em teoria, gerar diminui\u00e7\u00e3o na produtividade dos sistemas agr\u00edcolas por algum per\u00edodo<\/em>\", destaca.<\/p>\n<p>Heissler frisa que existem algumas t\u00e9cnicas que aceleram o processo de recupera\u00e7\u00e3o destes solos, tais como o plantio direto, pois se atrav\u00e9s da ado\u00e7\u00e3o desta pr\u00e1tica se estimula o solo a trabalhar de forma cont\u00ednua e protegida, criando um ambiente prop\u00edcio para a ciclagem de nutrientes e o desenvolvimento de microrganismos ben\u00e9ficos. \"<em>A diversifica\u00e7\u00e3o de culturas tamb\u00e9m \u00e9 uma excelente ferramenta nesse momento, inclusive para melhorar a diversidade do solo e manter a sa\u00fade do ecossistema agr\u00edcola, al\u00e9m de ser uma estrat\u00e9gia para trazer nutrientes ao solo. Podemos utilizar esp\u00e9cies que t\u00eam como caracter\u00edstica a chamada aduba\u00e7\u00e3o verde<\/em>\", pondera o especialista, acrescentando, ainda, como terceira pr\u00e1tica para acelera\u00e7\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o das \u00e1reas degradadas a aplica\u00e7\u00e3o de ferramentas de agricultura de precis\u00e3o (como aplica\u00e7\u00e3o de fertilizantes \u00e0 taxa vari\u00e1vel), visto que as enxurradas podem resultar na forma\u00e7\u00e3o de manchas de fertilidade ao longo das \u00e1reas.<\/p>\n<p>A professora do Departamento de Solos, da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Amanda Posselt Martins, revela que o que est\u00e1 se vendo em muitas propriedades rurais ga\u00fachas \u00e9 a perda de toda a camada superficial do solo, que \u00e9 justamente a mais f\u00e9rtil, constru\u00edda ao longo de anos em \u00e1reas historicamente utilizadas por agricultores e pecuaristas para a obten\u00e7\u00e3o de seu ganha-p\u00e3o. \"<em>Sabemos que o solo f\u00e9rtil \u00e9 algo que se constr\u00f3i ao longo de anos de muito trabalho e bom manejo, especialmente na nossa condi\u00e7\u00e3o de clima subtropical, em que a fertilidade de um solo est\u00e1 diretamente relacionada ao teor de mat\u00e9ria org\u00e2nica. Ou, em outras palavras, relacionada \u00e0 vida do solo. Assim como a \u00e1gua levou a casa de muitas pessoas, tamb\u00e9m levou a casa de uma infinidade de organismos respons\u00e1veis por promover a fertilidade dos nossos solos, que s\u00e3o a base da produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria ga\u00facha. Agora, temos um trabalho de recome\u00e7o tamb\u00e9m para a fertilidade dos nossos solos<\/em>\", observa.<\/p>\n<p>Amanda prop\u00f5e, junto a um grupo de professores da Faculdade de Agronomia da UFRGS, um novo olhar para a agricultura e a pecu\u00e1ria, com a implementa\u00e7\u00e3o de manejos que s\u00e3o capazes de regenerar a fertilidade do solo em um menor espa\u00e7o de tempo, como \u00e9 o caso dos sistemas integrados de produ\u00e7\u00e3o e dos sistemas agroflorestais, sempre baseados em pr\u00e1ticas conservacionistas de manejo do solo. \"<em>Esses dois sistemas, os sistemas integrados e os sistemas agroflorestais, j\u00e1 v\u00eam sendo estudados h\u00e1 muito tempo por diversas pesquisas realizadas aqui na UFRGS e se caracterizam justamente por promover uma maior biodiversidade do sistema produtivo, tanto acima quanto abaixo da superf\u00edcie do solo. Isso \u00e9 resultado de muitos anos de pesquisas, que comprovam que tais pr\u00e1ticas resultam em altas produtividades prim\u00e1rias, ou seja, uma maior produtividade do produto agr\u00edcola que gera o retorno econ\u00f4mico, que \u00e9 de interesse direto do produtor rural, e tamb\u00e9m algo que \u00e9 de interesse da sociedade como um todo, que \u00e9 uma presta\u00e7\u00e3o muito maior de fun\u00e7\u00f5es do solo, mitigando a severidade de eventos clim\u00e1ticos extremos<\/em>\", salienta.<\/p>\n<p>A professora da UFRGS diz, ainda, que \u00e9 urgentemente necess\u00e1rio que se tenha mais \u00e1rvores nas lavouras e pastagens do Rio Grande do Sul. \"<em>As ra\u00edzes, especialmente as das \u00e1rvores, auxiliam os nossos solos a terem uma maior taxa de infiltra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e, consequentemente, menos \u00e1gua e menos solo chegar\u00e3o ao leito do rio em um evento de chuva extrema, como a que tivemos algumas semanas atr\u00e1s. Em contrapartida, em anos de estiagem, como os que tivemos recentemente, essa \u00e1gua armazenada nas camadas mais profundas do solo pode ser redistribu\u00edda para camadas superficiais do solo por essas \u00e1rvores, e assim ser disponibilizada para os cultivos anuais de lavoura e pastagem, que possuem ra\u00edzes menos profundas<\/em>\", complementa.<\/p>\n<p>J\u00e1 o produtor rural de S\u00e3o Gabriel (RS), Murilo Teixeira Gon\u00e7alves, refor\u00e7a que o solo \u00e9 a base de qualquer sistema e para isso existem tr\u00eas pilares: o pilar qu\u00edmico, o pilar f\u00edsico e o pilar biol\u00f3gico. \"<em>Precisamos de um equil\u00edbrio entre eles para manter os pr\u00f3prios microrganismos do solo. O que ocorreu com esse excesso de chuva, especialmente num per\u00edodo de colheita? Muitos dos nossos solos estavam descobertos ou sem uma planta de cobertura, e com isso sabemos que a energia cin\u00e9tica da gota da chuva atinge diretamente o solo, salpicando e levando pequenos agregados que acabam selando os poros superficiais, por onde a \u00e1gua deveria infiltrar. Portanto, tivemos muita perda por eros\u00e3o, com o solo sendo deslocado pela \u00e1gua devido \u00e0 falta de uma estrutura de macroporos, respons\u00e1veis pela taxa de infiltra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua no solo, ou por falta de cobertura<\/em>\", enfatiza.<\/p>\n<p>Gon\u00e7alves lembra tamb\u00e9m que em algumas \u00e1reas na sua propriedade, j\u00e1 havia implantado algumas culturas nas quais observou que todo o sistema radicular conseguiu manter os agregados e a parte org\u00e2nica, que \u00e9 a parte mais especial e rica do solo, evitando sua perda. <em>\"Acho que isso destaca a import\u00e2ncia de sempre ter alguma planta ocupando o solo, sem deix\u00e1-lo exposto ao sol. Isso tamb\u00e9m impede que a gota da chuva incida diretamente no solo, quebrando sua energia na massa da folha da planta que o cobre. Acredito que isso nos leva a refletir sobre a necessidade de um plantio direto bem feito. Ainda temos algumas pessoas que, em \u00e1reas onde n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio, realizam o manejo mec\u00e2nico do solo, o que \u00e9 muito prejudicial. Observamos muitas lavouras perdendo grandes quantidades de solo devido a esse manejo mec\u00e2nico. Portanto, devemos procurar fazer essa diversidade de plantas, mantendo o solo coberto o m\u00e1ximo de tempo poss\u00edvel, para obter uma melhor taxa de infiltra\u00e7\u00e3o e menos perda por eros\u00e3o<\/em>\", conclui.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>AgroEffective | Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o de Intelig\u00eancia em Agroneg\u00f3cios (SIA Brasil) | Foto: Rafael Pradebon\/Divulga\u00e7\u00e3o | Texto: Nestor Tipa J\u00fanior\/AgroEffective<\/strong><\/h6>\n\n\n<center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas apresentam t\u00e9cnicas e solu\u00e7\u00f5es para minimizar impactos nas lavouras ap\u00f3s as enxurradas Uma das preocupa\u00e7\u00f5es dos produtores rurais atingidos pelas fortes enchentes em diversas regi\u00f5es do Rio Grande do Sul nas \u00faltimas semanas vem, a partir de agora, com a reconstru\u00e7\u00e3o de seus neg\u00f3cios. 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