{"id":70640,"date":"2024-12-20T09:58:50","date_gmt":"2024-12-20T12:58:50","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=70640"},"modified":"2024-12-20T09:58:51","modified_gmt":"2024-12-20T12:58:51","slug":"populacao-menonita-do-sul-do-brasil-tem-risco-seis-vezes-maior-de-desenvolver-tipo-mais-comum-de-cancer-de-pele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/populacao-menonita-do-sul-do-brasil-tem-risco-seis-vezes-maior-de-desenvolver-tipo-mais-comum-de-cancer-de-pele\/","title":{"rendered":"Popula\u00e7\u00e3o menonita, do Sul do Brasil, tem risco seis vezes maior de desenvolver tipo mais comum de c\u00e2ncer de pele"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p style=\"text-align: center;\"><i data-olk-copy-source=\"MessageBody\">Popula\u00e7\u00e3o com 500 anos de isolamento gen\u00e9tico que reside\u00a0em alguns bairros de Curitiba e\u00a0col\u00f4nias rurais (PR e RS) t\u00eam seis vezes mais risco de desenvolver carcinoma basocelular, o tipo de c\u00e2ncer de pele mais comum. Pesquisadores identificaram a associa\u00e7\u00e3o com 49 variantes em 41 genes, abrindo caminho para a preven\u00e7\u00e3o e diagn\u00f3stico precoce nessas comunidades. Estudo foi destaque no III Congresso Brasileiro de C\u00e2ncer de Pele, realizado em S\u00e3o Paulo<\/i><\/p>\n<p>Os menonitas no Brasil apresentam uma predisposi\u00e7\u00e3o seis vezes maior de desenvolver o tipo mais comum de c\u00e2ncer de pele (carcinoma basocelular) do que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o menonita. A causa da maior preval\u00eancia estaria na gen\u00e9tica, tendo sido identificada a associa\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a com 49 variantes em 41 genes. Os dados s\u00e3o do <a href=\"https:\/\/cancerdepele2024.com.br\/evento\/cbcp2024\/trabalhosaprovados\/naintegra\/333\">estudo Alta preval\u00eancia de carcinoma basocelular na popula\u00e7\u00e3o menonita: percep\u00e7\u00f5es de uma an\u00e1lise gen\u00e9tica e epidemiol\u00f3gica<\/a>, apresentado III Congresso Brasileiro de C\u00e2ncer de Pele, em S\u00e3o Paulo, com organiza\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncol\u00f3gica (SBCO).<\/p>\n<p>Listado entre os destaques da programa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do evento, o trabalho foi apresentado oralmente por Maria Fernanda Carara, graduanda em Medicina na Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR). Os resultados, in\u00e9ditos, s\u00e3o uma continuidade do projeto gen\u00e9tico-epidemiol\u00f3gico chamado Mennogen, iniciado em 2016 pela Professora Ang\u00e9lica Boldt do departamento de Gen\u00e9tica da UFPR e orientadora da Maria Fernanda. <em>\u201cA pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o menonita expressou uma preocupa\u00e7\u00e3o relacionada ao que parecia ser uma alta preval\u00eancia de c\u00e2ncer em sua comunidade\u201d<\/em>, relata Maria Fernanda Carara.<\/p>\n<p>O cirurgi\u00e3o oncol\u00f3gico Matheus Lobo, presidente da Comiss\u00e3o Organizadora do congresso, afirma que a principal contribui\u00e7\u00e3o do trabalho foi colaborar no entendimento de popula\u00e7\u00f5es de risco para o desenvolvimento de neoplasias de pele. \u201c<em>Os autores perceberam um aumento na preval\u00eancia de casos de carcinoma basocelular na popula\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e investigaram as poss\u00edveis associa\u00e7\u00f5es, em um bonito trabalho de epidemiologia e gen\u00e9tica<\/em>\u201d, enaltece Lobo, que \u00e9 titular do Departamento de Oncologia Cut\u00e2nea do A.C.Camargo Cancer Center.<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es mais propensas a determinados tipos de c\u00e2ncer possibilita um melhor manejo, com foco na preven\u00e7\u00e3o e diagn\u00f3stico precoce. \u201c<em>As descobertas no campo da gen\u00e9tica geram informa\u00e7\u00f5es que contribuem para o acompanhamento por meio de exames de imagem, como dermatoscopia digital, que podem melhor selecionar os pacientes para a realiza\u00e7\u00e3o de bi\u00f3psias e cirurgias em fase mais precoce da doen\u00e7a, com resultados melhores para o paciente<\/em>\u201d, explica o cirurgi\u00e3o oncol\u00f3gico Rodrigo Nascimento Pinheiro, presidente da SBCO e titular do Hospital de Base, de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Os menonitas s\u00e3o um grupo anabatista-crist\u00e3o que surgiu na Su\u00ed\u00e7a no s\u00e9culo XVI. A persegui\u00e7\u00e3o religiosa, fome, doen\u00e7as e guerras os for\u00e7aram a viver isolados em col\u00f4nias e realizar v\u00e1rios movimentos migrat\u00f3rios. Em conjunto, esses eventos levaram a uma menor variabilidade gen\u00e9tica nesta popula\u00e7\u00e3o e, consequentemente, ao aumento da frequ\u00eancia de diversas doen\u00e7as, entre as quais o carcinoma basocelular (CBC). O movimento migrat\u00f3rio para o Brasil de menonitas surgiu em 1930, com imigrantes menonitas de l\u00edngua baixo alem\u00e3, provenientes de col\u00f4nias que foram destru\u00eddas na Ucr\u00e2nia durante a revolu\u00e7\u00e3o bolchevique, se estabelecendo no munic\u00edpio de Witmarsum, em Santa Catarina. Quase um s\u00e9culo depois, existem tr\u00eas localidades principais onde os menonitas residem no Brasil. A maior concentra\u00e7\u00e3o \u00e9 na cidade de Curitiba, em bairros como Xaxim, Boqueir\u00e3o e \u00c1gua Verde, assim como a Col\u00f4nia Nova, na fronteira com o Uruguai; em Acegu\u00e1, no Rio Grande do Sul e a pr\u00f3pria comunidade da Col\u00f4nia Witmarsum, a 60 Km de Curitiba, no munic\u00edpio de Palmeira.<\/p>\n<p><strong>COMO O ESTUDO FOI FEITO?<\/strong><\/p>\n<p>Inicialmente, a popula\u00e7\u00e3o menonita do Sul do Brasil foi convidada para participa\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria por meio de correspond\u00eancias, an\u00fancios em jornais e atividades de divulga\u00e7\u00e3o em eventos sociais, envolvendo, principalmente, a atua\u00e7\u00e3o do grupo de pesquisa do CNPq em Epigen\u00e9tica e Gen\u00e9tica Epidemiol\u00f3gica da UFPR, incluindo bolsistas da CAPES e volunt\u00e1rios das pr\u00f3prias comunidades. Com isso, foram aplicados question\u00e1rios para 941 participantes, sendo 770 menonitas e 171 n\u00e3o menonitas. Destes menonitas, foi realizada a extra\u00e7\u00e3o de DNA de 325 participantes. Por fim, foi feito o exoma de 51 participantes menonitas, sendo 18 com hist\u00f3ria pr\u00e9via de CBC e 33 controles.<\/p>\n<p>Carara explica que, apesar de ser uma amostra relativamente pequena, houve signific\u00e2ncia estat\u00edstica, com intervalos de confian\u00e7a razo\u00e1veis. \u201c<em>Essa \u00e9 uma das principais vantagens em se trabalhar com a popula\u00e7\u00e3o menonita - devido a sua hist\u00f3ria demogr\u00e1fica com eventos de \"gargalo de garrafa\"<\/em> <em>- nos quais h\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica da popula\u00e7\u00e3o, seguida por efeito fundador com nova expans\u00e3o populacional e isolamento \u2013 que reduzem a diversidade gen\u00e9tica, aumentando a frequ\u00eancia de variantes normalmente raras. Dessa forma, \u00e9 necess\u00e1ria uma amostra menor para se encontrar variantes gen\u00e9ticas de risco para doen\u00e7as<\/em>\u201d, contextualiza a pesquisadora. Al\u00e9m disso, complementa Carara, a popula\u00e7\u00e3o mant\u00e9m registros geneal\u00f3gicos e as fam\u00edlias em geral s\u00e3o muito bem estruturadas, permitindo a sele\u00e7\u00e3o de controles sem qualquer tipo de c\u00e2ncer na fam\u00edlia, independentemente da idade de surgimento desse c\u00e2ncer.<\/p>\n<p><strong>OS PRINCIPAIS RESULTADOS<\/strong> - A preval\u00eancia de carcinoma basocelular, ao se comparar menonitas e n\u00e3o menonitas residentes na mesma localidade, foi de 8,26% contra 1,37%, ou seja, seis vezes maior entre os menonitas. Na busca por causas gen\u00e9ticas, a an\u00e1lise resultou na identifica\u00e7\u00e3o de 49 variantes de risco em 41 genes que j\u00e1 eram conhecidos como importantes no c\u00e2ncer em geral, mas nenhuma ainda tinha uma associa\u00e7\u00e3o apontada para o carcinoma basocelular. Neste achado, h\u00e1 uma aten\u00e7\u00e3o especial para o JAK3, que \u00e9 um oncogene que apresenta algumas variantes de alta penetr\u00e2ncia na suscetibilidade ao c\u00e2ncer (n\u00e3o somente ao CBC)<\/p>\n<p>O estudo, portanto, contribui para a preven\u00e7\u00e3o e manejo da popula\u00e7\u00e3o mais suscet\u00edvel a este c\u00e2ncer de pele. \u201c<em>Como sabemos agora que a popula\u00e7\u00e3o menonita \u00e9 de alto risco para o CBC, estamos planejando a realiza\u00e7\u00e3o de campanhas para a preven\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e diagn\u00f3stico do CBC nesta popula\u00e7\u00e3o, dentro as atividades extensionistas do projeto MedEpiGen, tamb\u00e9m coordenado pela minha orientadora<\/em>\u201d, relata Carara.<\/p>\n<p>A graduanda em Medicina refere-se, principalmente, \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o de maneiras de se proteger do CBC - como o uso de protetor solar, e a investiga\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica mais frequente para essa popula\u00e7\u00e3o. <em>\u201cPois \u00e9 uma doen\u00e7a que \u00e9 facilmente negligenciada e s\u00f3 diagnosticada em momentos mais avan\u00e7ados e de dif\u00edcil tratamento<\/em>\u201d, complementa.<\/p>\n<p><strong>OS PR\u00d3XIMOS PASSOS<\/strong> - Segundo a autora, s\u00e3o necess\u00e1rios mais estudos para confirmar e validar o risco na popula\u00e7\u00e3o miscigenada brasileira (podem ser outras variantes, nos mesmos genes) e os mecanismos funcionais das variantes que foram encontradas. \u201c<em>Contudo, no futuro, seria poss\u00edvel utiliz\u00e1-las para um painel de investiga\u00e7\u00e3o de alto risco com teste gen\u00e9tico, caso sejam confirmadas, especialmente com os estudos gen\u00f4micos que se seguir\u00e3o ainda em 2024<\/em>\u201d, vislumbra Carara.<\/p>\n<p>O objetivo, segundo ela, \u00e9 sequenciar o genoma de cerca de mil amostras menonitas, incluindo as de menonitas ultraortodoxos (representantes de 40 das 196 col\u00f4nias na Bol\u00edvia) e de mil amostras de brasileiros n\u00e3o menonitas, do sul do pa\u00eds, que responderam ao mesmo question\u00e1rio. Isso porque a popula\u00e7\u00e3o menonita sul-americana ainda \u00e9 pouco estudada, comparado com outras popula\u00e7\u00f5es isoladas anabatistas, como os Amish, e com muitos casos familiares de CBC. <em>\u201cAcredito que seja muito importante avan\u00e7ar esta pesquisa no futuro, inclusive com participantes de outras comunidades da Am\u00e9rica do Sul, como na Bol\u00edvia, M\u00e9xico e Paraguai, o que pretendemos fazer dentro do projeto para o qual obtivemos fomento do CNPq, chamado MedEpiGen internacional\u201d<\/em>, vislumbra.<\/p>\n<p><strong>ESFOR\u00c7O COLABORATIVO<\/strong> - O projeto, iniciado em 2016, tamb\u00e9m contou com a colabora\u00e7\u00e3o de Fabiana Lopes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ent\u00e3o pesquisadora em p\u00f3s-doutorado no National Institute of Mental Health (NIMH), o que permitiu o sequenciamento de parte do genoma (exomas), em parceria com a Regeneron. A m\u00e9dica Viktoria Weihermann, pela UFPR, realizou o seu trabalho de conclus\u00e3o de curso com os primeiros resultados, que confirmaram a exist\u00eancia de um componente gen\u00e9tico importante para o que de fato, era uma alta preval\u00eancia de CBC. Este trabalho foi premiado no Congresso Brasileiro de Gen\u00e9tica M\u00e9dica em 2019. Com a obten\u00e7\u00e3o das sequ\u00eancias de DNA, foi poss\u00edvel aprofundar esse estudo, que levou aos dados in\u00e9ditos apresentados em S\u00e3o Paulo, no III Congresso Brasileiro de C\u00e2ncer de Pele, no dia 12 de outubro.<\/p>\n<p><strong>Sobre a SBCO<\/strong> - Fundada em 31 de maio de 1988, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncol\u00f3gica (SBCO) \u00e9 uma entidade sem fins lucrativos, com personalidade jur\u00eddica pr\u00f3pria, que agrega cirurgi\u00f5es oncol\u00f3gicos e outros profissionais envolvidos no cuidado multidisciplinar ao paciente com c\u00e2ncer. Sua miss\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m promover educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica continuada, com interc\u00e2mbio de conhecimentos, que promovam a preven\u00e7\u00e3o, detec\u00e7\u00e3o precoce e o melhor tratamento poss\u00edvel aos pacientes, fortalecendo e representando a cirurgia oncol\u00f3gica brasileira. \u00c9 presidida pelo cirurgi\u00e3o oncol\u00f3gico Rodrigo Nascimento Pinheiro (2023-2025).<\/p>\n<hr \/>\n<div>\n<h6><strong>SENSU Consultoria de Comunica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n\n\n<center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Popula\u00e7\u00e3o com 500 anos de isolamento gen\u00e9tico que reside\u00a0em alguns bairros de Curitiba e\u00a0col\u00f4nias rurais (PR e RS) t\u00eam seis vezes mais risco de desenvolver carcinoma basocelular, o tipo de c\u00e2ncer de pele mais comum. 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