{"id":71682,"date":"2025-02-10T10:24:09","date_gmt":"2025-02-10T13:24:09","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=71682"},"modified":"2025-02-10T10:24:11","modified_gmt":"2025-02-10T13:24:11","slug":"nota-conjunta-amrigs-e-sociedade-gaucha-de-infectologia-sobre-a-dengue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/nota-conjunta-amrigs-e-sociedade-gaucha-de-infectologia-sobre-a-dengue\/","title":{"rendered":"Nota Conjunta | AMRIGS e Sociedade Ga\u00facha de Infectologia sobre a dengue"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p style=\"text-align: center;\"><em>Esclarecimentos e orienta\u00e7\u00f5es<\/em><\/p>\n<p>A dengue \u00e9 uma doen\u00e7a arboviral transmitida principalmente aos humanos pela picada de mosquitos do g\u00eanero Aedes, especialmente por Aedes aegypti e, em alguns casos raros, por Aedes albopictus. O v\u00edrus possui quatro sorotipos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Todos eles podem causar infec\u00e7\u00e3o em humanos. A dengue continua sendo um dos principais desafios de sa\u00fade p\u00fablica no Brasil. Com a chegada do per\u00edodo chuvoso e o aumento das temperaturas, o risco de surtos cresce, exigindo aten\u00e7\u00e3o redobrada da popula\u00e7\u00e3o e das autoridades sanit\u00e1rias. A Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) e a Sociedade Ga\u00facha de Infectologia (SGI), atrav\u00e9s da m\u00e9dica infectologista, Viviane Buffon e do infectologista Fabrizio Motta, prestam orienta\u00e7\u00f5es para popula\u00e7\u00e3o sobre o assunto. <br \/><br \/><strong>Epidemiologia da dengue<\/strong><br \/><br \/>A dengue \u00e9 end\u00eamica em v\u00e1rias regi\u00f5es tropicais e subtropicais do mundo, incluindo o Brasil. Nos \u00faltimos anos, tem-se observado um aumento na incid\u00eancia dos casos, com surtos sazonais que coincidem com o per\u00edodo de maior prolifera\u00e7\u00e3o do mosquito vetor. O Rio Grande do Sul registrou mais de 206 mil casos confirmados no ano de 2024, representando o maior n\u00famero de notifica\u00e7\u00f5es pela doen\u00e7a no estado.<br \/><br \/><strong>Transmiss\u00e3o<\/strong><br \/><br \/>O mosquito Aedes aegypti, vetor principal, prolifera-se em \u00e1reas urbanas e periurbanas. A transmiss\u00e3o ocorre quando um mosquito infectado pica uma pessoa, disseminando o v\u00edrus. A dengue n\u00e3o \u00e9 transmitida diretamente de pessoa para pessoa.<br \/><br \/><strong>Sintomas<\/strong><br \/><br \/>A dengue pode se manifestar de forma leve a grave. Os sintomas incluem:<br \/>\u2022 Febre alta s\u00fabita<br \/>\u2022 Dores de cabe\u00e7a intensas<br \/>\u2022 Dores atr\u00e1s dos olhos<br \/>\u2022 Fortes dores musculares e nas articula\u00e7\u00f5es<br \/>\u2022 N\u00e1useas e v\u00f4mitos<br \/>\u2022 Manchas vermelhas na pele<br \/><br \/>Nos casos graves, pode ocorrer a dengue hemorr\u00e1gica, que se caracteriza por sangramentos, queda brusca da press\u00e3o arterial e choque. Diante de qualquer sintoma, \u00e9 essencial procurar atendimento m\u00e9dico e n\u00e3o utilizar medicamentos \u00e0 base de \u00e1cido acetilsalic\u00edlico (AAS) ou anti-inflamat\u00f3rios, que podem agravar o quadro.<br \/><br \/><strong>Diagn\u00f3stico<\/strong><br \/><br \/>O diagn\u00f3stico da dengue inicia-se pela avalia\u00e7\u00e3o dos sintomas cl\u00ednicos e hist\u00f3rico epidemiol\u00f3gico. Testes laboratoriais como ELISA, testes r\u00e1pidos de detec\u00e7\u00e3o do ant\u00edgeno viral NS1 e anticorpos IgM confirmam a infec\u00e7\u00e3o. O teste de RT-PCR (Rea\u00e7\u00e3o em Cadeia da Polimerase em Tempo Real) \u00e9 uma t\u00e9cnica molecular com alta sensibilidade e especificidade que desempenha um papel importante no diagn\u00f3stico precoce e na diferencia\u00e7\u00e3o dos quatro sorotipos do v\u00edrus da dengue. Ao detectar o material gen\u00e9tico do v\u00edrus no sangue do paciente, o RT-PCR permite identificar a presen\u00e7a do v\u00edrus e determinar qual dos quatro sorotipos est\u00e1 causando a infec\u00e7\u00e3o. O tratamento deve ser iniciado logo ap\u00f3s os resultados para evitar formas graves da doen\u00e7a.<br \/><br \/><strong>Preven\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/><br \/>A forma mais eficaz de evitar a dengue \u00e9 impedir a prolifera\u00e7\u00e3o do mosquito transmissor. Para isso, a popula\u00e7\u00e3o deve:<br \/><br \/>\u2022 Eliminar criadouros: esvaziar recipientes que acumulam \u00e1gua, como vasos de plantas, pneus, garrafas e caixas d'\u00e1gua sem tampa;<br \/>\u2022 Manter calhas e ralos limpos: evitando ac\u00famulo de \u00e1gua parada;<br \/>\u2022 Utilizar telas e repelentes: protegendo-se contra picadas;<br \/>\u2022 Descarte correto de lixo: impedindo o ac\u00famulo de materiais que possam reter \u00e1gua;<br \/>\u2022 Participar das a\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias de controle vetorial: colaborando com os agentes de sa\u00fade e denunciando locais com poss\u00edveis criadouros.<br \/><br \/><strong>Tecnologias recentes no controle da dengue<\/strong><br \/><br \/>Existem atualmente duas vacinas dispon\u00edveis no Brasil contra a dengue: a Dengvaxia (Sanofi Pasteur), indicada para pessoas de 9 a 45 anos que j\u00e1 tiveram dengue previamente confirmada, sendo administrada em um esquema de tr\u00eas doses com intervalos de seis meses; e a Qdenga (Takeda), recomendada para pessoas entre 4 e 60 anos, independentemente de infec\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, aplicada em duas doses com intervalo de tr\u00eas meses.<br \/><br \/>Essas vacinas reduzem a gravidade da doen\u00e7a e a necessidade de hospitaliza\u00e7\u00e3o, contribuindo para o controle da dengue.<br \/><br \/><strong>Mosquitos com Wolbachia:<\/strong> A tecnologia Wolbachia, que envolve a libera\u00e7\u00e3o de mosquitos Aedes aegypti infectados com a bact\u00e9ria Wolbachia pipientis, tem se mostrado eficaz na redu\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia de dengue. Estudos realizados em diferentes locais, incluindo o Brasil, demonstraram que a introdu\u00e7\u00e3o de Wolbachia em popula\u00e7\u00f5es de mosquitos pode reduzir significativamente a transmiss\u00e3o do v\u00edrus da dengue. Por exemplo, um estudo em Niter\u00f3i, Brasil, mostrou uma redu\u00e7\u00e3o de 69% na incid\u00eancia de dengue ap\u00f3s a libera\u00e7\u00e3o de mosquitos infectados com Wolbachia.[1] Outro estudo em Yogyakarta, Indon\u00e9sia, relatou uma efic\u00e1cia de 77% na redu\u00e7\u00e3o da dengue.[2]<br \/><br \/><strong>Drones e Intelig\u00eancia Artificial:<\/strong> No Brasil, a aplica\u00e7\u00e3o de tecnologias como drones e armadilhas inteligentes para a libera\u00e7\u00e3o e monitoramento de mosquitos infectados com Wolbachia est\u00e1 em desenvolvimento. A utiliza\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos a\u00e9reos n\u00e3o tripulados (drones) para a libera\u00e7\u00e3o de mosquitos foi demonstrada como uma abordagem vi\u00e1vel e eficaz, compar\u00e1vel aos m\u00e9todos tradicionais de libera\u00e7\u00e3o em solo, sem a necessidade de m\u00e3o de obra intensiva.[3] Essa tecnologia pode facilitar a implementa\u00e7\u00e3o em larga escala, especialmente em \u00e1reas de dif\u00edcil acesso ou onde a seguran\u00e7a do pessoal \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>N\u00e3o h\u00e1 um tratamento espec\u00edfico para a dengue, sendo o manejo voltado para o al\u00edvio dos sintomas e a preven\u00e7\u00e3o de complica\u00e7\u00f5es. Recomenda-se:<br \/><br \/>\u2022 Hidrata\u00e7\u00e3o oral e, em casos graves, intravenosa;<br \/><br \/>\u2022 Uso de medicamentos antit\u00e9rmicos e analg\u00e9sicos, exceto os \u00e0 base de \u00e1cido acetilsalic\u00edlico que podem aumentar o risco de sangramentos;<br \/><br \/>\u2022 Monitoramento constante dos sinais vitais e dos sintomas.<br \/><br \/>A Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) e a Sociedade Ga\u00facha de Infectologia ressaltam que combater a dengue requer esfor\u00e7o coletivo. Preven\u00e7\u00e3o e controle s\u00e3o essenciais para reduzir a incid\u00eancia e complica\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a. A coopera\u00e7\u00e3o social \u00e9 fundamental para eliminar os criadouros do mosquito e preservar a sa\u00fade p\u00fablica.<br \/><br \/>Juntos, podemos prevenir a dengue e salvar vidas.<br \/><br \/><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><br \/><br \/>1. Effectiveness of Wolbachia-Infected Mosquito Deployments in Reducing the Incidence of Dengue and Other Aedes-Borne Diseases in Niter\u00f3i, Brazil: A Quasi-Experimental Study. Pinto SB, Riback TIS, Sylvestre G, et al. PLoS Neglected Tropical Diseases. 2021;15(7):e0009556. doi:10.1371\/journal.pntd.0009556. <br \/><br \/>2. Efficacy of Wolbachia-Infected Mosquito Deployments for the Control of Dengue. Utarini A, Indriani C, Ahmad RA, et al. The New England Journal of Medicine. 2021;384(23):2177-2186. doi:10.1056\/NEJMoa2030243.<br \/><br \/>3. Field Deployment of Wolbachia-Infected Aedes Aegypti Using Uncrewed Aerial Vehicle. Lin YH, Joubert DA, Kaeser S, et al. Science Robotics. 2024;9(92):eadk7913. doi:10.1126\/scirobotics.adk7913.<br \/><br \/><strong>Tratamento<\/strong><br \/><br \/>M.B. Khan, Z.-S. Yang, C.-Y. Lin et al. Dengue Overview: An Updated Systemic Review. Journal of Infection and Public Health, 16 (2023): 1625\u20131642.<br \/><br \/>Retirado de https:\/\/ti.saude.rs.gov.br\/dengue\/painel_de_casos.html. Acesso em 02\/02\/2025.<br \/><br \/>Retirado de https:\/\/www.cdc.gov\/dengue\/hcp\/index.html. Acesso em 02\/02\/2025.<br \/><br \/>Brasil. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade e Ambiente. Departamento de Doen\u00e7as Transmiss\u00edveis. Dengue : diagn\u00f3stico e manejo cl\u00ednico : adulto e crian\u00e7a [recurso eletr\u00f4nico] \/ Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade e Ambiente, Departamento de Doen\u00e7as Transmiss\u00edveis. \u2013 6. ed. \u2013 Bras\u00edlia : Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2024.<br \/><br \/><br \/><strong>Sobre a AMRIGS<\/strong><\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica do Rio Grande do Sul \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos voltada para a atualiza\u00e7\u00e3o do conhecimento t\u00e9cnico-cient\u00edfico e para a realiza\u00e7\u00e3o de debates cient\u00edfico-culturais relacionados \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 Medicina e \u00e0 vida profissional. Desde o momento de sua funda\u00e7\u00e3o em 1951, a AMRIGS integra a vida do m\u00e9dico em todas as etapas da profiss\u00e3o, tendo como objetivos:<\/p>\n<ul>\n<li>Fomentar a ci\u00eancia e a cultura m\u00e9dica;<\/li>\n<li>Promover a defesa profissional;<\/li>\n<li>Fortalecer o associativismo e a representatividade m\u00e9dica;<\/li>\n<li>Ser influenciadora como entidade protagonista de a\u00e7\u00f5es em prol da sa\u00fade.<\/li>\n<\/ul>\n<hr \/>\n<h6><strong>PlayPress | AMRIGS - Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica do Rio Grande do Sul | Marcelo Roxo Matusiak<\/strong><br \/><br \/><\/h6>\n\n\n<center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esclarecimentos e orienta\u00e7\u00f5es A dengue \u00e9 uma doen\u00e7a arboviral transmitida principalmente aos humanos pela picada de mosquitos do g\u00eanero Aedes, especialmente por Aedes aegypti e, em alguns casos raros, por Aedes albopictus. 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