{"id":73417,"date":"2025-04-11T10:15:30","date_gmt":"2025-04-11T13:15:30","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=73417"},"modified":"2025-04-11T10:17:04","modified_gmt":"2025-04-11T13:17:04","slug":"com-25-anos-de-atuacao-com-tribos-indigenas-da-amazonia-medico-defende-novo-olhar-sobre-a-saude-em-palestra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/com-25-anos-de-atuacao-com-tribos-indigenas-da-amazonia-medico-defende-novo-olhar-sobre-a-saude-em-palestra\/","title":{"rendered":"Com 25 anos de atua\u00e7\u00e3o com tribos ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia, m\u00e9dico defende novo olhar sobre a sa\u00fade em palestra\u00a0"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p style=\"text-align: center;\"><em>Contando as viv\u00eancias adquiridas no per\u00edodo, Dr. Oscar Espellet Soares aponta necessidade de compreender e respeitar culturas e promover o tratamento igualit\u00e1rio aos povos origin\u00e1rios<\/em><\/p>\n<p>Uma hist\u00f3ria dedicada a levar sa\u00fade aos cantos do Brasil que, muitas vezes, s\u00e3o esquecidos pelos governantes, e como a pr\u00e1tica m\u00e9dica pode transformar e impactar popula\u00e7\u00f5es inteiras. Com estes temas, o 8\u00ba encontro de ensino e pesquisa do Grupo S\u00e3o Pietro Hospitais e Cl\u00ednicas, teve a apresenta\u00e7\u00e3o do Oscar Espellet Soares, m\u00e9dico que mudou sua atua\u00e7\u00e3o como cirurgi\u00e3o geral para focar no cuidado das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia, em especial doen\u00e7as oftalmol\u00f3gicas como o tracoma, nesta ter\u00e7a-feira (8\/4). Com patroc\u00ednio da Crist\u00e1lia, o evento realizado na Casa do Marqu\u00eas foi direcionado para a resid\u00eancia m\u00e9dica do Grupo S\u00e3o Pietro e focou na experi\u00eancia de Espellet, al\u00e9m de trazer novas perspectivas sobre a pr\u00e1tica da medicina longe de grandes centros urbanos.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria do m\u00e9dico come\u00e7ou h\u00e1 25 anos, em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, cidade da Amaz\u00f4nia onde 90% dos moradores s\u00e3o ind\u00edgenas, sendo a maior popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena brasileira em um \u00fanico munic\u00edpio. A cidade possui 4 idiomas oficiais - com o portugu\u00eas como quinto - al\u00e9m de ter 26 l\u00ednguas nativas no total. \u00c9 o \u00fanico lugar do pa\u00eds onde se fala a l\u00edngua geral, idioma derivado do latim e do tupi guarani criado por portugueses para unificar a comunica\u00e7\u00e3o entre eles e os povos origin\u00e1rios. Por l\u00e1, percebeu alta incid\u00eancia de tracoma, doen\u00e7a infecciosa ocular que, em suas formas mais graves, causa cegueira, especialmente em faixas et\u00e1rias mais avan\u00e7a, em pessoas de todas as idades. Ao perceber o descaso do poder p\u00fablico com a quest\u00e3o, passou a dedicar sua vida a percorrer uma \u00e1rea de 110 mil km2 de barco ou a p\u00e9 para levar sa\u00fade e trazer consigo um pouco da cultura das tribos que conheceu.<\/p>\n<p><em>\"Onde existe fome, mis\u00e9ria, mal\u00e1ria, tuberculose, pneumonia, hansen\u00edase e outras doen\u00e7as esquecidas, o tracoma vem junto. O tracoma serve como um indicativo de vulnerabilidade social<\/em>\", contextualiza Espellet. <em>\"\u00c9 uma doen\u00e7a que fica escondida onde n\u00e3o h\u00e1 aten\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o h\u00e1 interesse das pessoas resolverem. Para solucionar o problema tem que ter vontade para procurar a doen\u00e7a\"<\/em>, finaliza.<\/p>\n<p>Em sua primeira viagem, conheceu Carlinhos, crian\u00e7a de 7 anos da etnia Huphda, em est\u00e1gio avan\u00e7ado de tracoma, sem conseguir abrir os olhos. Normalmente, a condi\u00e7\u00e3o s\u00f3 atinge esta etapa em adultos com uma sequ\u00eancia de infec\u00e7\u00f5es repetidas, causando baixa vis\u00e3o e cegueira, sendo o incomum acontecer em uma crian\u00e7a e demonstrando a gravidade do quadro do jovem. Espellet assumiu o compromisso de aprender a cirurgia corretiva e tornou-se o primeiro m\u00e9dico a operar tracoma em aldeias ind\u00edgenas no Brasil sem ser oftalmologista.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-73420 aligncenter\" src=\"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/51-400x301.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"301\" srcset=\"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/51-400x301.jpeg 400w, https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/51-768x578.jpeg 768w, https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/51-1536x1157.jpeg 1536w, https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/51-2048x1542.jpeg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p>Durante a opera\u00e7\u00e3o, sedou o jovem e chamou toda a aldeia para acompanhar o evento. A opera\u00e7\u00e3o foi feita com aux\u00edlio da minha auxiliar geral e t\u00e9cnica de enfermagem da etnia Tukano, Genesia Prado, que atuava como tradutora do idioma nativo e uma pessoa que fazia a fun\u00e7\u00e3o de monitorar sinais vitais, usando um rel\u00f3gio para contar os batimentos, verificando a respira\u00e7\u00e3o e tocando no paciente para sentir temperatura. Apesar de ser uma pr\u00e1tica autorizada, difundida em popula\u00e7\u00f5es desassistidas - em especial na \u00c1frica e \u00c1sia - e autorizada pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), ele foi denunciado ao Conselho Federal de Medicina sob acusa\u00e7\u00e3o de que fazia experimentos com os ind\u00edgenas.<\/p>\n<p><em>\"Foi feita uma reuni\u00e3o em Bras\u00edlia, de portas fechadas, querendo impedir minha atua\u00e7\u00e3o. Na \u00e9poca, meu superior me defendeu dizendo que aquilo era um grave equ\u00edvoco e que, o que eu fazia l\u00e1, n\u00e3o foi feito em 50 anos por quem poderia. Enquanto diziam que eu havia o matado Carlinhos e ia tirar os olhos do jovem, eu o operava. Quando eu terminei, ele despertou, abriu os olhos para mim e foi uma festa na aldeia. No momento que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade soube disso, enviou uma equipe para ir a S\u00e3o Gabriel da Cachoeira e passou a educar os profissionais e eu n\u00e3o fui convidado, mas frente ao meu testemunho inesperado, ingressou nas fileiras de combate ao tracoma<\/em>\", relembra.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-73422 aligncenter\" src=\"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/52-301x400.jpeg\" alt=\"\" width=\"301\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/52-301x400.jpeg 301w, https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/52-768x1020.jpeg 768w, https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/52-1157x1536.jpeg 1157w, https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/52-1542x2048.jpeg 1542w, https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/52-scaled.jpeg 1928w\" sizes=\"auto, (max-width: 301px) 100vw, 301px\" \/><\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, o debate sobre tracoma e popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas evoluiu e ganhou mais aten\u00e7\u00e3o, apesar de ainda estar aqu\u00e9m da cobertura de sa\u00fade necess\u00e1ria, conforme explica Espellet. Apesar do corpo t\u00e9cnico e apoio do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade seguir como parceiro no combate ao tracoma \u2013 al\u00e9m do esfor\u00e7o de luta coletivo com profissionais de diferentes partes do Brasil - o m\u00e9dico ainda percebe manipula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que tentam esquecer e negligenciar a doen\u00e7a. No final de 2024, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade fez um processo para comprovar elimina\u00e7\u00e3o de doen\u00e7a no pa\u00eds, no entanto, n\u00e3o foi poss\u00edvel devido aos casos em tribos ind\u00edgenas, onde ainda h\u00e1 alta preval\u00eancia. Para o m\u00e9dico, h\u00e1 um descaso preocupante sobre as estat\u00edsticas da condi\u00e7\u00e3o. \"<em>Meus dados n\u00e3o agradam Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, partidos pol\u00edticos e Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, mas s\u00e3o reais. Sem falar que, se voc\u00ea n\u00e3o vai ao local e n\u00e3o luta pela causa, os dados n\u00e3o aparecem, os dados somem\"<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Interc\u00e2mbio cultural e a pr\u00e1tica m\u00e9dica<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m da sua luta contra o tracoma, Espellet compartilhou fotos e outras viv\u00eancias adquiridas nestes 25 anos de atua\u00e7\u00e3o com as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. Desde as condi\u00e7\u00f5es que atuava, esterilizando seus equipamentos em uma panela de press\u00e3o no meio do mato e operando em escolas de aldeias - quando haviam - com redes de prote\u00e7\u00e3o contra mosquito, at\u00e9 as particularidades das culturas que conheceu. Como exemplo, citou a cultura Huphda e a forma como lidam com o envelhecimento.<\/p>\n<p><em>\"Quando os Huphdas ficam idosos com idade de n\u00e3o conseguir mais manter o pr\u00f3prio sustento, o restante da tribo considera que essas pessoas est\u00e3o mortas, \u00e9 uma morte social. Com isso, podemos perceber o peso de ser cego nessa comunidade. \u00c9 como eles encaram a vida, s\u00e3o os h\u00e1bitos e costumes daquele povo. \u00c9 importante lembrar que, a \u00fanica coisa que eu posso fazer, \u00e9 n\u00e3o gostar. Ao falar da cultura de uma popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podemos romper ou modificar. No m\u00e1ximo, gostar ou n\u00e3o<\/em>\", explica.<\/p>\n<p>Outro destaque de sua apresenta\u00e7\u00e3o foi a cr\u00edtica feita ao pensamento ocidental verticalizado, que pretende apenas levar algo aos povos ind\u00edgenas, mas n\u00e3o v\u00ea esta oportunidade como possibilidade de uma troca. \u201c<em>\u00c9 fundamental entender e reconhecer que eles tamb\u00e9m est\u00e3o te educando. Precisamos entender que, somos criados a partir de uma s\u00e9rie de conven\u00e7\u00f5es que fazem sentido para n\u00f3s e eles tamb\u00e9m. \u00c9 necess\u00e1rio perceber, reconhecer o outro, respeitar sua cultura e entender que podem nos ensinar muito. N\u00e3o h\u00e1 barreiras entre os povos, deve haver respeito m\u00fatuo\u201d<\/em>, encerra Espellet.<\/p>\n<p><strong>Sobre o Grupo S\u00e3o Pietro Hospitais e Cl\u00ednicas<\/strong><br \/>Com cuidado e transforma\u00e7\u00e3o em seu DNA, o Grupo S\u00e3o Pietro Hospitais e Cl\u00ednicas destaca-se com atua\u00e7\u00e3o em hospitais especializados, em rede de cl\u00ednicas de Oftalmologia e Urologia e no segmento de s\u00eanior living com a gest\u00e3o do Magno S\u00eanior Tr\u00eas Figueiras S\u00e3o Pietro j\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o. Possui em sua rede o Hospital Banco de olhos, o maior centro de ensino e cuidado de oftalmologia do sul do pa\u00eds, e o Prime Day Hospital especializado em urologia. O Grupo S\u00e3o Pietro Hospitais e Cl\u00ednicas conta com unidades em Porto Alegre, Canoas, Port\u00e3o, S\u00e3o Leopoldo, Taquara e Xangri-l\u00e1, oferecendo \u00e0 popula\u00e7\u00e3o servi\u00e7os norteados pela sustentabilidade, qualidade e seguran\u00e7a, inova\u00e7\u00e3o e tecnologia, \u00e9tica e respeito. Mais informa\u00e7\u00f5es em: <a href=\"http:\/\/www.saopietro.com.br\/\">www.saopietro.com.br<\/a>.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Martha Becker Connections<\/strong><\/h6>\n\n\n<center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Contando as viv\u00eancias adquiridas no per\u00edodo, Dr. Oscar Espellet Soares aponta necessidade de compreender e respeitar culturas e promover o tratamento igualit\u00e1rio aos povos origin\u00e1rios Uma hist\u00f3ria dedicada a levar sa\u00fade aos cantos do Brasil que, muitas vezes, s\u00e3o esquecidos pelos governantes, e como a pr\u00e1tica m\u00e9dica pode transformar e impactar popula\u00e7\u00f5es inteiras. Com estes [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":73418,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-73417","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73417","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=73417"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73417\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73423,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73417\/revisions\/73423"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/73418"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=73417"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=73417"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=73417"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}