{"id":75776,"date":"2025-07-08T10:59:53","date_gmt":"2025-07-08T13:59:53","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=75776"},"modified":"2025-07-08T10:59:54","modified_gmt":"2025-07-08T13:59:54","slug":"banco-de-areia-no-guaiba-existe-ha-mais-de-60-anos-e-nao-influencia-nas-cheias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/banco-de-areia-no-guaiba-existe-ha-mais-de-60-anos-e-nao-influencia-nas-cheias\/","title":{"rendered":"Banco de areia no Gua\u00edba existe h\u00e1 mais de 60 anos e n\u00e3o influencia nas cheias"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p>O banco de areia que pode ser visto junto \u00e0 Ilha das Balseiras, no Gua\u00edba, em Porto Alegre, \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o antiga e que n\u00e3o foi gerada pelas cheias de 2024. Mapas do Ex\u00e9rcito e da Marinha Brasileira elaborados com base em levantamentos realizados entre 1961 e 1964 j\u00e1 indicavam sua presen\u00e7a.<\/p>\n<p>Esse tipo de forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica ocorre devido a um processo natural de sedimenta\u00e7\u00e3o e, apesar de o banco ter aumentado de tamanho ap\u00f3s o evento extremo do ano passado, isso n\u00e3o representa risco maior de inunda\u00e7\u00f5es na capital do Estado nem interfere na capacidade de navega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os documentos cartogr\u00e1ficos antigos das For\u00e7as Armadas apontavam uma \u00e1rea de deposi\u00e7\u00e3o de sedimentos ao redor da Ilha das Balseiras, incluindo a chamada \u201ccoroa da Balseiras\u201d, representada com pontilhado para sinalizar o banco de areia envolt\u00f3rio. Imagens de sat\u00e9lite tamb\u00e9m comprovam que a forma\u00e7\u00e3o j\u00e1 existia muito antes de 2024. Um exemplo \u00e9 uma imagem registrada em 2020, na qual o banco de areia aparece de forma n\u00edtida. A visibilidade varia conforme o n\u00edvel das \u00e1guas.<\/p>\n<div id=\"attachment_75778\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-75778\" class=\"wp-image-75778 size-medium\" src=\"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/91-400x257.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"257\" srcset=\"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/91-400x257.jpeg 400w, https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/91-768x492.jpeg 768w, https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/91.jpeg 945w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-75778\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Google Earth<\/p><\/div>\n<p>\"<em>\u00c9 uma forma\u00e7\u00e3o natural na \u00e1rea do delta do rio Jacu\u00ed, onde sedimentos s\u00e3o depositados, e sua influ\u00eancia \u00e9 desprez\u00edvel para as cheias do Gua\u00edba<\/em>\", enfatiza Fernando\u00a0Mainardi Fan, doutor em Recursos H\u00eddricos e Saneamento Ambiental e professor do Instituto de Pesquisas Hidr\u00e1ulicas (IPH) da Ufrgs.\u00a0Ele exemplifica com um engarrafamento na freeway: <em>\"\u00e9 a mesma influ\u00eancia no engarrafamento da rodovia provocado por um ve\u00edculo parado naquelas \u00e1reas para descanso. Praticamente nenhum\"<\/em>.<\/p>\n<p>\u201c<em>Esse banco de areia foi identificado na d\u00e9cada de 1960. Houve um crescimento em raz\u00e3o do evento adverso de 2024, porque processos dessa magnitude sempre deixam marcas na paisagem. Por\u00e9m trata-se de uma \u00e1rea muito pequena em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dimens\u00e3o do Gua\u00edba<\/em>\u201d, acrescenta o analista-chefe do departamento de qualidade ambiental da Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (Fepam), Glaucus Ribeiro. <em>\u201cTecnicamente, essa por\u00e7\u00e3o de areia n\u00e3o trar\u00e1 efeitos no que tange a inunda\u00e7\u00f5es em Porto Alegre, e sua remo\u00e7\u00e3o seria ineficaz no que diz respeito ao controle de enchentes.\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>Fen\u00f4meno natural<\/strong><\/p>\n<p>Refor\u00e7ando esse entendimento, o secret\u00e1rio-executivo do Comit\u00ea Cient\u00edfico de Adapta\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia Clim\u00e1tica do Rio Grande do Sul, professor Joel Goldenfum, explica que a forma\u00e7\u00e3o de bancos de areia \u00e9 um fen\u00f4meno natural em ambientes que se comportam de maneira semelhante a lagos \u2013 como \u00e9 o caso do Gua\u00edba. Nesses cursos d\u2019\u00e1gua, o material em suspens\u00e3o transportado pelas \u00e1guas tende a se depositar quando a velocidade da corrente diminui.<\/p>\n<p>\u201c<em>A forma\u00e7\u00e3o de bancos de areia nesse tipo de ambiente \u00e9 um processo absolutamente normal, comum em \u00e1reas onde a \u00e1gua perde velocidade, o que favorece a deposi\u00e7\u00e3o de material em suspens\u00e3o. Primeiro, formam-se bancos de areia e, \u00e0 medida que eles v\u00e3o crescendo, podem ou n\u00e3o se tornar ilhas<\/em>\u201d, detalha Goldenfum. <em>\u201cAs Ilhas dos Marinheiros e da Pintada, por exemplo, se formaram por meio de processos semelhantes, mas num intervalo de tempo bem maior.\u201d<\/em><\/p>\n<p>O professor tamb\u00e9m aponta que, nesse caso, a dragagem \u00e9 desnecess\u00e1ria. <em>\u201cN\u00e3o h\u00e1 nenhum motivo t\u00e9cnico para isso. O volume do banco de areia \u00e9 muito pequeno se comparado ao volume total do Gua\u00edba. Al\u00e9m de ser um processo que demanda altos investimentos, n\u00e3o h\u00e1 indicativos de que sua retirada possa ter um impacto significativo no controle de enchentes<\/em>\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, segundo a Portos RS, a \u00e1rea onde est\u00e1 localizado o banco de areia \u00e9 muito distante do canal de navega\u00e7\u00e3o e n\u00e3o oferece qualquer risco ao transporte de cargas.<\/p>\n<p><strong>Desassoreamento de rios<\/strong><\/p>\n<p>Por meio do\u00a0<a href=\"https:\/\/planoriogrande.rs.gov.br\/inicial\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Plano Rio Grande<\/strong><\/a>, um programa de Estado liderado pelo governador Eduardo Leite para reconstruir o Rio Grande do Sul e torn\u00e1-lo ainda mais forte e resiliente, preparado para o futuro, o governo est\u00e1 executado o Programa Desassorear RS \u2013 que promove o desassoreamento e a limpeza de recursos h\u00eddricos.<\/p>\n<p>O Eixo 1 do Desassorear RS envolve pequenos rios. A primeira fase do programa contempla 154 cidades e incluem a limpeza de pequenos rios, arroios, canais de drenagem e sistemas pluviais em diversas regi\u00f5es do Estado. S\u00e3o R$ 301 milh\u00f5es via Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). Este trabalho j\u00e1 vem mostrando resultados h\u00e1 v\u00e1rios meses e foi fundamental para amenizar os efeitos das intensas chuvas de junho de 2025.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Eixo 2 do Desassorear RS envolve grandes rios e\u00a0depende da conclus\u00e3o da batimetria, que \u00e9 o mapeamento da topografia do fundo dos rios realizado por meio de ecobat\u00edmentro e GPS de precis\u00e3o. Os trabalhos come\u00e7aram nesta segunda-feira (7\/7) no rio Taquari, em Triunfo. \u00c9 medida fundamental para apontar onde \u00e9 necess\u00e1rio o desassoreamento.\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>GOV RS | Texto: Juliana Dias\/Secom | Edi\u00e7\u00e3o: Felipe Borges\/Secom | Foto: Cartografia de Marinha - levantamentos de 1961 a 1964<\/strong><\/h6>\n\n\n<center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O banco de areia que pode ser visto junto \u00e0 Ilha das Balseiras, no Gua\u00edba, em Porto Alegre, \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o antiga e que n\u00e3o foi gerada pelas cheias de 2024. 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