{"id":83221,"date":"2026-03-06T11:15:45","date_gmt":"2026-03-06T14:15:45","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=83221"},"modified":"2026-03-06T11:15:48","modified_gmt":"2026-03-06T14:15:48","slug":"conflitos-no-oriente-medio-pressionam-o-agro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/conflitos-no-oriente-medio-pressionam-o-agro\/","title":{"rendered":"Conflitos no Oriente M\u00e9dio pressionam o agro"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p style=\"text-align: center;\"><i data-olk-copy-source=\"MessageBody\">Milho \u00e9 uma das commodities que dever\u00e1 ser mais afetada com a guerra entre Ir\u00e3, EUA e Israel, segundo especialistas da C\u00e9leres<\/i><\/p>\n<div>\n<p>A intensifica\u00e7\u00e3o do conflito entre os Estados Unidos, Ir\u00e3 e Israel j\u00e1 provoca ondas de choque nos mercados globais e imp\u00f5e um novo patamar de risco para o agroneg\u00f3cio brasileiro. Petr\u00f3leo em alta, moedas emergentes pressionadas, risco log\u00edstico no Estreito de Ormuz e poss\u00edvel impacto sobre fertilizantes e exporta\u00e7\u00f5es de milho, colocam a safra 2026\/27 sob um cen\u00e1rio de incerteza estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>Do ponto de vista macroecon\u00f4mico, os reflexos s\u00e3o imediatos. \u201c<em>Espera-se um cen\u00e1rio de volatilidade e incerteza sobre produtos produzidos ou relacionados \u00e0 regi\u00e3o. J\u00e1 temos visto essas incertezas repercutirem sobre as bolsas globais, inclusive de commodities agr\u00edcolas, e sobre o mercado de c\u00e2mbio\u201d,<\/em> afirma Enilson Nogueira, Coordenador de Estudos Econ\u00f4micos da C\u00e9leres Consultoria.<\/p>\n<p>O primeiro impacto direto recai sobre o petr\u00f3leo, que j\u00e1 registra alta na semana. O efeito secund\u00e1rio \u00e9 a press\u00e3o sobre combust\u00edveis e infla\u00e7\u00e3o global. \u201c<em>O reflexo mais prov\u00e1vel seria sobre os pre\u00e7os do petr\u00f3leo. Como consequ\u00eancia, temos aumento nos pre\u00e7os de combust\u00edveis e press\u00e3o inflacion\u00e1ria. Para o produtor rural brasileiro, se esse efeito for repassado, podemos ter um custo maior de combust\u00edveis para a safra 2026\/27<\/em>\u201d, destaca Nogueira.<\/p>\n<p>Embora o Ir\u00e3 n\u00e3o seja fornecedor relevante de diesel ao Brasil, pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio representam cerca de 10% do valor importado em 2025, um fator que amplia a sensibilidade do mercado. No c\u00e2mbio, a rea\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 vis\u00edvel: na \u00faltima semana o Real operava pr\u00f3ximo de R$ 5,10 e, com a escalada do conflito, depreciou para a faixa de R$ 5,30. \u201c<em>As incertezas globais t\u00eam desvalorizado moedas emergentes, inclusive o Real. Se mantido ou intensificado, esse movimento pode sustentar, no curto prazo, a forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os de gr\u00e3os no Brasil, especialmente o milho<\/em>\u201d, acrescenta o economista.<\/p>\n<p><strong>Log\u00edstica e fertilizantes no centro da tens\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O ponto mais sens\u00edvel da crise est\u00e1 na log\u00edstica internacional. O Estreito de Ormuz \u00e9 rota vital para petr\u00f3leo e insumos agr\u00edcolas, e qualquer entrave pode gerar um efeito domin\u00f3 nos custos globais. Segundo Maria Luisa Franzotti, Analista econ\u00f4mica e de geopol\u00edtica da C\u00e9leres, o impacto pode ser imediato e severo, especialmente no mercado de fertilizantes.<\/p>\n<p><em>\u201cO conflito ter\u00e1 um impacto imediato e severo no mercado de fertilizantes, com \u00eanfase nos nitrogenados. O Ir\u00e3 responde por 10% das exporta\u00e7\u00f5es globais de ureia, enquanto o Oriente M\u00e9dio como um todo concentra 25% do fornecimento mundial<\/em>\u201d, explica a especialista.<\/p>\n<p>No caso dos fosfatados, a depend\u00eancia log\u00edstica \u00e9 igualmente cr\u00edtica. <em>\u201cGrande parte da oferta vem da Ar\u00e1bia Saudita e pa\u00edses vizinhos, que dependem do Canal de Suez e do Estreito de Ormuz para escoamento. Uma interrup\u00e7\u00e3o cria gargalos que afetam a disponibilidade e custo final dos formulados,\"<\/em> cita Maria.<\/p>\n<p>Para o Brasil, o impacto pode ser expressivo: em 2025, Ir\u00e3 e pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio concentraram cerca de 35% das importa\u00e7\u00f5es brasileiras de ureia, 17% dos fosfatados e 10% do Cloreto de Pot\u00e1ssio (KCl). Os reflexos devem aparecer nas negocia\u00e7\u00f5es da safra 2026\/27, tanto para soja quanto para milho segunda safra, pressionando margens em um momento de maior disciplina financeira no campo.<\/p>\n<p><strong>Milho na linha de frente<\/strong><\/p>\n<p>Se pelo lado dos custos o alerta j\u00e1 est\u00e1 aceso, pelo lado da demanda o sinal tamb\u00e9m \u00e9 de aten\u00e7\u00e3o m\u00e1xima. O Ir\u00e3 consolidou-se como um dos principais destinos do milho brasileiro nos \u00faltimos cinco anos, liderando as importa\u00e7\u00f5es em tr\u00eas deles. Em 2025, o pa\u00eds importou mais de 9 milh\u00f5es de toneladas do cereal brasileiro. \u201c<em>A incerteza sobre demanda e condi\u00e7\u00f5es log\u00edsticas de com\u00e9rcio com o Ir\u00e3 deve impactar a forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os ainda em 2026. Uma eventual interrup\u00e7\u00e3o nos embarques pode gerar represamento da oferta interna, elevar estoques e pressionar negativamente as cota\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas, sobretudo do milho<\/em>\u201d, alerta Nogueira.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a substitui\u00e7\u00e3o dessa demanda n\u00e3o \u00e9 simples. <em>\u201cN\u00e3o vemos outro consumidor com o mesmo potencial de absor\u00e7\u00e3o no curto prazo. Se a exporta\u00e7\u00e3o para o Ir\u00e3 for menor, \u00e9 um fator de aten\u00e7\u00e3o relevante para toda a cadeia do milho\u201d,<\/em> refor\u00e7a o coordenador da C\u00e9leres.<\/p>\n<p>Os impactos indiretos tamb\u00e9m se estendem \u00e0 prote\u00edna animal, j\u00e1 que o Oriente M\u00e9dio representou 26% das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de carne de frango e 6% da carne bovina. Uma desacelera\u00e7\u00e3o pode afetar a demanda por ra\u00e7\u00e3o, retroalimentando a press\u00e3o sobre o milho. Ainda, a\u00e7\u00facar, soja, farelo de soja e celulose tamb\u00e9m possuem exposi\u00e7\u00e3o relevante ao bloco regional.<\/p>\n<p>Um componente adicional de incerteza envolve poss\u00edveis restri\u00e7\u00f5es comerciais dos Estados Unidos a parceiros do Ir\u00e3, uma hip\u00f3tese j\u00e1 mencionada pelo presidente Donald Trump no in\u00edcio do ano. Caso se concretize, o cen\u00e1rio pode abrir um novo cap\u00edtulo de tens\u00e3o geopol\u00edtica envolvendo o Brasil, ampliando a instabilidade no com\u00e9rcio internacional.<\/p>\n<p><strong>Volatilidade estrutural no radar\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Para a C\u00e9leres, o conflito eleva o grau de imprevisibilidade em um momento crucial de planejamento da safra 2026\/27. Petr\u00f3leo, fertilizantes, c\u00e2mbio, log\u00edstica e demanda externa passam a operar sob um regime de maior risco geopol\u00edtico. O agro brasileiro, altamente integrado ao com\u00e9rcio global, entra em um per\u00edodo de vigil\u00e2ncia redobrada, em que estrat\u00e9gia, hedge e gest\u00e3o de risco ser\u00e3o t\u00e3o determinantes quanto produtividade no campo.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>RuralPress | Foto: Divulga\u00e7\u00e3o C\u00e9leres<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n\n\n<center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Milho \u00e9 uma das commodities que dever\u00e1 ser mais afetada com a guerra entre Ir\u00e3, EUA e Israel, segundo especialistas da C\u00e9leres A intensifica\u00e7\u00e3o do conflito entre os Estados Unidos, Ir\u00e3 e Israel j\u00e1 provoca ondas de choque nos mercados globais e imp\u00f5e um novo patamar de risco para o agroneg\u00f3cio brasileiro. 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