{"id":85663,"date":"2026-06-16T11:08:00","date_gmt":"2026-06-16T14:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=85663"},"modified":"2026-06-16T11:08:08","modified_gmt":"2026-06-16T14:08:08","slug":"o-futuro-do-agro-comeca-no-campo-e-depende-das-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/o-futuro-do-agro-comeca-no-campo-e-depende-das-pessoas\/","title":{"rendered":"O futuro do agro come\u00e7a no campo e depende das pessoas"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p><em data-olk-copy-source=\"MessageBody\">*Evandro Martins<\/em><\/p>\n<p>O setor agropecu\u00e1rio brasileiro j\u00e1 n\u00e3o cabe mais nos estere\u00f3tipos que o acompanharam por d\u00e9cadas. A imagem de uma atividade baseada apenas na for\u00e7a f\u00edsica, na repeti\u00e7\u00e3o de tarefas e na transmiss\u00e3o de pr\u00e1ticas tradicionais perdeu espa\u00e7o para uma realidade muito mais complexa, tecnol\u00f3gica e din\u00e2mica. O campo se transformou em um ambiente produtivo estrat\u00e9gico, conectado a cadeias globais, influenciado por mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, exig\u00eancias de mercado, avan\u00e7os regulat\u00f3rios e pela necessidade constante de produzir mais com efici\u00eancia e responsabilidade.<\/p>\n<p>Hoje, a rotina no agro envolve tecnologias digitais, sistemas de monitoramento em tempo real, automa\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia artificial, an\u00e1lise de dados, agricultura de precis\u00e3o e ferramentas de gest\u00e3o cada vez mais integradas. M\u00e1quinas, sensores, softwares e plataformas passaram a apoiar decis\u00f5es que antes dependiam quase exclusivamente da experi\u00eancia emp\u00edrica. Essa evolu\u00e7\u00e3o ampliou a capacidade produtiva, reduziu desperd\u00edcios e trouxe novas possibilidades para propriedades de diferentes portes. No entanto, tamb\u00e9m tornou-se mais evidente um desafio central: nenhuma tecnologia gera resultados sozinha.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s de cada equipamento, sistema ou indicador, existe uma pessoa respons\u00e1vel por interpretar informa\u00e7\u00f5es, tomar decis\u00f5es e transformar dados em a\u00e7\u00e3o. Por isso, um dos principais limites para o avan\u00e7o do setor n\u00e3o est\u00e1 apenas no acesso \u00e0s ferramentas, mas na forma\u00e7\u00e3o de profissionais preparados para utiliz\u00e1-las de forma estrat\u00e9gica. A moderniza\u00e7\u00e3o do agro depende, cada vez mais, de gente capaz de compreender o campo como um sistema integrado, em que produ\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o, mercado, sustentabilidade e inova\u00e7\u00e3o caminham juntos.<\/p>\n<p>Nos debates recentes sobre trabalho e desenvolvimento no agro, fica evidente que o problema central n\u00e3o est\u00e1 na falta de oportunidades. Ao contr\u00e1rio, a demanda por profissionais qualificados cresce em diferentes \u00e1reas da cadeia produtiva. H\u00e1 espa\u00e7o para t\u00e9cnicos, operadores especializados, engenheiros, agr\u00f4nomos, profissionais de tecnologia, gestores, especialistas em dados, consultores e lideran\u00e7as capazes de conectar conhecimento t\u00e9cnico \u00e0 vis\u00e3o de neg\u00f3cio. O que existe, de fato, \u00e9 um descompasso entre as compet\u00eancias exigidas pelo novo campo e aquelas que ainda s\u00e3o desenvolvidas em muitos processos de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O profissional do agro precisa ir al\u00e9m do conhecimento t\u00e9cnico operacional, \u00e9 necess\u00e1rio reunir habilidades anal\u00edticas, capacidade de tomada de decis\u00e3o em cen\u00e1rios incertos, familiaridade com tecnologias digitais e compreens\u00e3o do neg\u00f3cio de forma integrada, da produ\u00e7\u00e3o \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o. Em um setor sujeito a varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, oscila\u00e7\u00f5es de mercado, custos elevados e mudan\u00e7as constantes nas demandas dos consumidores, saber operar n\u00e3o \u00e9 mais suficiente. \u00c9 preciso interpretar cen\u00e1rios, antecipar riscos, planejar investimentos e agir com vis\u00e3o de longo prazo.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio tamb\u00e9m redefine a sucess\u00e3o rural, j\u00e1 que n\u00e3o basta incentivar a perman\u00eancia das novas gera\u00e7\u00f5es no campo apenas por meio de v\u00ednculos culturais, familiares ou afetivos. Embora a rela\u00e7\u00e3o com a terra continue sendo um elemento importante para muitas fam\u00edlias, a continuidade da atividade passa pela constru\u00e7\u00e3o de um ambiente que ofere\u00e7a condi\u00e7\u00f5es concretas de desenvolvimento pessoal e profissional. Os jovens s\u00f3 permanecer\u00e3o no agro se enxergarem no setor um espa\u00e7o de inova\u00e7\u00e3o, autonomia, gera\u00e7\u00e3o de renda e crescimento estruturado.<\/p>\n<p>Para isso, \u00e9 preciso garantir acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade, conectividade, cr\u00e9dito, gest\u00e3o eficiente e participa\u00e7\u00e3o ativa nas decis\u00f5es. A perman\u00eancia no campo deve estar associada a oportunidades reais, capazes de mostrar que o agro pode ser um ambiente competitivo, moderno e promissor. Quando o jovem participa da gest\u00e3o, recebe informa\u00e7\u00e3o e percebe que pode inovar dentro da propriedade, aumenta tamb\u00e9m a chance de continuidade dos neg\u00f3cios familiares e de fortalecimento das economias locais.<\/p>\n<p><strong>Tecnologia como aliada<\/strong><\/p>\n<p>A tecnologia, embora seja central nesse processo, n\u00e3o pode ser tratada como solu\u00e7\u00e3o isolada. Equipamentos modernos, softwares de gest\u00e3o e ferramentas baseadas em intelig\u00eancia artificial j\u00e1 fazem parte da realidade de muitas propriedades. No entanto, o impacto dessas solu\u00e7\u00f5es depende diretamente da capacidade humana de interpretar informa\u00e7\u00f5es e integr\u00e1-las \u00e0s estrat\u00e9gias produtivas. Dados coletados no campo s\u00f3 geram valor quando s\u00e3o analisados corretamente e usados para orientar decis\u00f5es pr\u00e1ticas, seja no plantio, no manejo, na aplica\u00e7\u00e3o de insumos, na gest\u00e3o de custos ou na comercializa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, a forma\u00e7\u00e3o profissional precisa evoluir. O desafio n\u00e3o \u00e9 apenas preparar operadores de m\u00e1quinas ou executores de processos, mas desenvolver gestores capazes de compreender o sistema produtivo de maneira ampla, identificar oportunidades, lidar com riscos e tomar decis\u00f5es mais assertivas. O agro necessita de profissionais com repert\u00f3rio t\u00e9cnico, mas tamb\u00e9m com capacidade de lideran\u00e7a, comunica\u00e7\u00e3o, resolu\u00e7\u00e3o de problemas e adapta\u00e7\u00e3o a contextos em constante mudan\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Comunica\u00e7\u00e3o assertiva<\/strong><\/p>\n<p>Outro ponto importante \u00e9 a forma como o pr\u00f3prio setor se comunica com a sociedade. Ainda persistem narrativas que associam o trabalho rural exclusivamente \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o e ao esfor\u00e7o f\u00edsico, deixando em segundo plano seu car\u00e1ter inovador, tecnol\u00f3gico e empreendedor. Essa percep\u00e7\u00e3o limitada contribui para afastar talentos, especialmente os mais jovens, que buscam ambientes profissionais conectados \u00e0 modernidade, \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o e ao impacto positivo. Reposicionar o agro como um espa\u00e7o de conhecimento, tecnologia e desenvolvimento \u00e9 essencial para atrair novos perfis, diversificar o capital humano e fortalecer o futuro do setor.<\/p>\n<p>O futuro do trabalho no agro ser\u00e1 definido, em grande medida, pela capacidade de alinhar forma\u00e7\u00e3o, expectativas e oportunidades. Esse movimento envolve institui\u00e7\u00f5es de ensino, empresas, cooperativas, pol\u00edticas p\u00fablicas e iniciativas privadas comprometidas com o desenvolvimento do setor. A qualifica\u00e7\u00e3o profissional deve estar mais pr\u00f3xima da realidade do campo, das demandas das empresas e das transforma\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que j\u00e1 est\u00e3o em curso.<\/p>\n<p>A digitaliza\u00e7\u00e3o tende a se intensificar nos pr\u00f3ximos anos, ampliando o uso de dados, automa\u00e7\u00e3o, conectividade e tecnologias avan\u00e7adas. Ainda assim, o fator humano continuar\u00e1 sendo decisivo. S\u00e3o as pessoas que interpretam informa\u00e7\u00f5es, tomam decis\u00f5es, constroem estrat\u00e9gias e d\u00e3o sentido \u00e0 inova\u00e7\u00e3o. O agro do futuro ser\u00e1 mais conectado, tecnol\u00f3gico e automatizado, mas sua evolu\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 dependendo da intelig\u00eancia, da capacidade de adapta\u00e7\u00e3o e da vis\u00e3o de quem est\u00e1 \u00e0 frente das opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-85665 aligncenter\" src=\"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/71-1-1-300x400.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/71-1-1-300x400.jpg 300w, https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/71-1-1-768x1024.jpg 768w, https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/71-1-1-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/71-1-1-1536x2048.jpg 1536w, https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/71-1-1-scaled.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>*Produtor Rural e presidente do Grupo J2M<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>RuralPress | Fotos: Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n\n\n<center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Evandro Martins O setor agropecu\u00e1rio brasileiro j\u00e1 n\u00e3o cabe mais nos estere\u00f3tipos que o acompanharam por d\u00e9cadas. 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