{"id":87422,"date":"2026-08-28T09:35:51","date_gmt":"2026-08-28T12:35:51","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=87422"},"modified":"2026-08-28T09:35:58","modified_gmt":"2026-08-28T12:35:58","slug":"expansao-do-etanol-de-cereais-abre-fronteiras-para-milho-e-sorgo-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/expansao-do-etanol-de-cereais-abre-fronteiras-para-milho-e-sorgo-no-brasil\/","title":{"rendered":"Expans\u00e3o do etanol de cereais abre fronteiras para milho e sorgo no Brasil"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p style=\"text-align: center;\"><em>Como projetos em desenvolvimento, ind\u00fastria tamb\u00e9m avan\u00e7a para regi\u00f5es como o MATOPIBA e pode estimular novas cadeias produtivas no Brasil e no exterior<\/em><\/p>\n<p>A expans\u00e3o do etanol produzido a partir de cereais come\u00e7a a desenhar uma nova geografia para a ind\u00fastria de biocombust\u00edveis no Brasil. Depois de se consolidar principalmente em regi\u00f5es com grande disponibilidade de milho, como Mato Grosso, o setor passa a avan\u00e7ar para novas fronteiras agr\u00edcolas, aproximando as usinas de \u00e1reas com potencial de crescimento na produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os e abrindo espa\u00e7o para mat\u00e9rias-primas alternativas, especialmente o sorgo.<\/p>\n<p>Estima-se que o Pa\u00eds possui atualmente 29 usinas de etanol de milho em opera\u00e7\u00e3o, com capacidade para processar aproximadamente 20,9 milh\u00f5es de toneladas de milho por ano e produzir cerca de 10,6 bilh\u00f5es de litros de etanol. A expans\u00e3o, entretanto, deve continuar, levantamentos setoriais de 2026 apontam 27 novos projetos em desenvolvimento para os pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>Segundo Enilson Nogueira, engenheiro agr\u00f4nomo e consultor de mercado da C\u00e9leres, a origem do etanol de milho est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 necessidade de reduzir os impactos da log\u00edstica sobre o pre\u00e7o do gr\u00e3o. \u201c<em>O etanol de milho surgiu como uma estrat\u00e9gia de agrega\u00e7\u00e3o de valor ao cereal produzido localmente. Em vez de simplesmente exportar o gr\u00e3o, passou-se a transform\u00e1-lo em etanol, fortalecendo as cadeias produtivas internas e criando novas oportunidades econ\u00f4micas na pr\u00f3pria regi\u00e3o<\/em>\u201d, explica.<\/p>\n<p>O modelo ganhou for\u00e7a inicialmente no interior de Mato Grosso, em regi\u00f5es como Campo Novo do Parecis, e posteriormente avan\u00e7ou para o eixo da BR-163, onde est\u00e3o algumas das maiores unidades produtoras do pa\u00eds. A instala\u00e7\u00e3o das usinas permitiu transformar parte do excedente de milho da segunda safra em combust\u00edvel, reduzindo a necessidade de transportar grandes volumes do cereal para outros mercados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da agrega\u00e7\u00e3o de valor, a proximidade com os centros consumidores tamb\u00e9m se tornou uma vantagem competitiva. Regi\u00f5es do Centro-Oeste e do Centro-Norte, que anteriormente dependiam do etanol produzido em estados como S\u00e3o Paulo, Goi\u00e1s e Minas Gerais, passaram a contar com oferta mais pr\u00f3xima. \u201c<em>O ganho de efici\u00eancia industrial ampliou ainda mais a competitividade. Atualmente, o etanol produzido em Mato Grosso chega, por exemplo, ao mercado paulista e disputa espa\u00e7o diretamente com o combust\u00edvel produzido a partir da cana-de-a\u00e7\u00facar<\/em>\u201d, destacou o consultor.<\/p>\n<p><strong>Raio-x do MATOPIBA<\/strong><\/p>\n<p>Com a consolida\u00e7\u00e3o do modelo em MT e a busca por novas fontes de mat\u00e9ria-prima, a ind\u00fastria come\u00e7a a olhar para regi\u00f5es que ainda apresentam espa\u00e7o para expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de cereais. O MATOPIBA, formado por Maranh\u00e3o, Tocantins, Piau\u00ed e Bahia, ganha destaque nesse cen\u00e1rio. A Bahia j\u00e1 conta com uma usina em opera\u00e7\u00e3o, enquanto o Maranh\u00e3o tamb\u00e9m passou a integrar o movimento de expans\u00e3o do etanol de cereais.<\/p>\n<p>Para Nogueira, a din\u00e2mica dessas novas fronteiras \u00e9 diferente daquela observada nas regi\u00f5es mais tradicionais do Centro-Oeste. Em determinados locais, as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e a maior instabilidade da janela de plantio tornam mais arriscado apostar exclusivamente no milho de segunda safra.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente nesse ambiente que o sorgo pode ganhar espa\u00e7o. \u201c<em>O MATOPIBA re\u00fane dois fatores importantes: demanda industrial e um calend\u00e1rio produtivo mais arriscado. Nesse cen\u00e1rio, o sorgo se encaixa muito bem\u201d<\/em>, afirma.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de apresentar maior toler\u00e2ncia a condi\u00e7\u00f5es de d\u00e9ficit h\u00eddrico e altas temperaturas, o sorgo pode ser processado utilizando uma l\u00f3gica industrial semelhante \u00e0 do milho. Discuss\u00f5es t\u00e9cnicas e estudos recentes indicam que o cereal pode apresentar rendimento de etanol pr\u00f3ximo ao do cereal por tonelada, com ajustes no processo industrial, enquanto os coprodutos resultantes tamb\u00e9m apresentam caracter\u00edsticas adequadas para utiliza\u00e7\u00e3o na nutri\u00e7\u00e3o animal.<\/p>\n<p>O especialista acrescenta ainda que o mesmo racioc\u00ednio pode ser aplicado ao Vale do Araguaia, no leste de Mato Grosso, especialmente em \u00e1reas entre \u00c1gua Boa e Quer\u00eancia. Enquanto regi\u00f5es como Campo Novo do Parecis, Lucas do Rio Verde, Sinop e Sorriso possuem uma cadeia de milho consolidada, com mercado e forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os bem estruturados, o leste do estado apresenta caracter\u00edsticas mais pr\u00f3ximas \u00e0s novas fronteiras agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>Nessas \u00e1reas, o sorgo pode funcionar como alternativa para produtores que enfrentam maior risco clim\u00e1tico e dificuldades para estabelecer uma segunda safra de milho dentro da janela ideal.<\/p>\n<p><strong>Uma ind\u00fastria que vai al\u00e9m do etanol<\/strong><\/p>\n<p>Outro fator que contribuiu para a consolida\u00e7\u00e3o do modelo foi o aproveitamento dos coprodutos. O DDG (gr\u00e3os secos de destilaria) passou a ter papel relevante na composi\u00e7\u00e3o da receita das usinas e na integra\u00e7\u00e3o com outras cadeias do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Dependendo do modelo de neg\u00f3cio, os coprodutos podem representar entre 20% e 30% da receita das unidades, al\u00e9m de serem utilizados na alimenta\u00e7\u00e3o de bovinos, aves e su\u00ednos. \u201c<em>O DDG passou a integrar de forma muito direta outras cadeias do agroneg\u00f3cio. A usina compra o milho, produz etanol e DDG, e esse coproduto \u00e9 utilizado na alimenta\u00e7\u00e3o de bovinos, aves e su\u00ednos da pr\u00f3pria regi\u00e3o. Criou-se uma verdadeira engrenagem de economia circular, que fortalece a economia regional e agrega valor ao milho produzido localmente<\/em>\u201d, destaca Nogueira.<\/p>\n<p>Esse modelo ajuda a explicar por que a instala\u00e7\u00e3o de uma usina pode provocar efeitos que v\u00e3o al\u00e9m da ind\u00fastria de biocombust\u00edveis. Ao criar um mercado consumidor local para os gr\u00e3os, a planta tamb\u00e9m pode estimular investimentos na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, melhorar a estrutura de comercializa\u00e7\u00e3o e fortalecer atividades pecu\u00e1rias que utilizam os coprodutos.<\/p>\n<p><strong>Nova era do etanol de cereais<\/strong><\/p>\n<p>A mudan\u00e7a de perspectiva \u00e9 estrat\u00e9gica para a ind\u00fastria. Como o processo de produ\u00e7\u00e3o utiliza o amido dos gr\u00e3os, as usinas podem trabalhar com diferentes mat\u00e9rias-primas, desde que sejam adequadas ao processo industrial.<\/p>\n<p>Isso permite pensar em uma nova gera\u00e7\u00e3o de unidades mais flex\u00edveis, capazes de ajustar o mix de mat\u00e9rias-primas de acordo com pre\u00e7o, disponibilidade regional, produtividade, condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e log\u00edstica. \u201c<em>O mais adequado hoje \u00e9 falar em etanol de cereais. Seja milho, trigo ou sorgo, todos possuem amido e podem ser utilizados para a produ\u00e7\u00e3o de etanol e de coprodutos. A ind\u00fastria ganha flexibilidade e pode adaptar sua mat\u00e9ria-prima \u00e0s caracter\u00edsticas de cada regi\u00e3o<\/em>\u201d, ressalta o consultor.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, isso abre espa\u00e7o para um novo conceito: a transforma\u00e7\u00e3o das atuais usinas de etanol de milho em biorrefinarias de gr\u00e3os, capazes de trabalhar com diferentes cereais de acordo com a oferta regional. \u201c<em>Hoje, o sorgo re\u00fane dois fatores importantes: produtividade e margem. Para a ind\u00fastria, \u00e9 uma mat\u00e9ria-prima competitiva, principalmente em regi\u00f5es onde seu pre\u00e7o tende a ser inferior ao do milho. E, para o produtor, pode representar uma alternativa interessante justamente onde o risco de estabelecer uma segunda safra de milho \u00e9 maior<\/em>\u201d, conclui Nogueira.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>RuralPress | Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n\n\n<center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como projetos em desenvolvimento, ind\u00fastria tamb\u00e9m avan\u00e7a para regi\u00f5es como o MATOPIBA e pode estimular novas cadeias produtivas no Brasil e no exterior A expans\u00e3o do etanol produzido a partir de cereais come\u00e7a a desenhar uma nova geografia para a ind\u00fastria de biocombust\u00edveis no Brasil. Depois de se consolidar principalmente em regi\u00f5es com grande disponibilidade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":87423,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-87422","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87422","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=87422"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87422\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":87424,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87422\/revisions\/87424"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/87423"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=87422"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=87422"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=87422"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}