{"id":87449,"date":"2026-08-31T09:35:44","date_gmt":"2026-08-31T12:35:44","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=87449"},"modified":"2026-08-31T09:35:51","modified_gmt":"2026-08-31T12:35:51","slug":"apesar-de-resilientes-plantas-do-cerrado-dependem-de-polinizadores-para-atingir-o-sucesso-reprodutivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/apesar-de-resilientes-plantas-do-cerrado-dependem-de-polinizadores-para-atingir-o-sucesso-reprodutivo\/","title":{"rendered":"Apesar de resilientes, plantas do Cerrado dependem de polinizadores para atingir o sucesso reprodutivo"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p style=\"text-align: center;\"><em>Estudo acompanhou, ao longo de dois anos, 13 tipos de arbustos canela-de-ema, esp\u00e9cies com alta taxa de endemismo e adaptadas ao fogo; resultados apontaram que indiv\u00edduos que apresentaram os frutos e as sementes mais vigorosos foram aqueles que receberam visitas de beija-flores e abelhas<\/em><\/p>\n<p>A Serra do Cip\u00f3, no estado de Minas Gerais, atrai turistas de todo o Brasil interessados em conhecer suas cachoeiras com po\u00e7os cristalinos e realizar trilhas em meio ao cerrado. Mas n\u00e3o s\u00e3o apenas as quedas d\u2019\u00e1gua que chamam a aten\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o: a biodiversidade local tamb\u00e9m \u00e9 riqu\u00edssima, com mais de 1.500 esp\u00e9cies de plantas j\u00e1 catalogadas nos arredores. Entre as esp\u00e9cies que comp\u00f5em a vegeta\u00e7\u00e3o da Serra do Cip\u00f3, destacam-se representantes da fam\u00edlia Velloziaceae, especialmente do g\u00eanero Vellozia, popularmente conhecidos como canelas-de-ema.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia Velloziaceae compreende cerca de 265 esp\u00e9cies end\u00eamicas da Am\u00e9rica do Sul, sendo 85% ocorrendo em campos rupestres, \u00e1reas que combinam afloramentos rochosos, solos com poucos nutrientes, sazonalidade clim\u00e1tica, isolamento geogr\u00e1fico e \u00e1reas de altitude. Essa combina\u00e7\u00e3o espec\u00edfica colabora para que 75% das esp\u00e9cies sejam end\u00eamicas. Isso quer dizer que tr\u00eas quartos das plantas da fam\u00edlia Velloziaceae existem apenas em sua regi\u00e3o de ocorr\u00eancia. Portanto, as canelas-de-ema que os turistas observam nos campos da Chapada Diamantina, no sert\u00e3o da Bahia, n\u00e3o s\u00e3o as mesmas encontradas na Serra do Cip\u00f3 mineira ou no cerrado goiano, por exemplo.<\/p>\n<p>Esse isolamento acaba representando um risco para esses grupos, uma vez que um inc\u00eandio intenso na vegeta\u00e7\u00e3o local ou mesmo a mudan\u00e7a no uso do solo de uma vasta \u00e1rea pode resultar na perda de toda uma esp\u00e9cie. Ao mesmo tempo, tamb\u00e9m desperta a curiosidade de cientistas. Um estudo conduzido pelas pesquisadoras Irene G\u00e9lvez-Z\u00fa\u00f1iga e Patricia Morellato, ambas associadas ao CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudan\u00e7as do Clima) e ao Instituto de Bioci\u00eancias da Unesp, no c\u00e2mpus de Rio Claro, buscou aprofundar o entendimento da ci\u00eancia sobre o g\u00eanero Vellozia, no intuito de oferecer uma base cient\u00edfica para a conserva\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies end\u00eamicas.<\/p>\n<p>Durante dois anos, uma equipe de pesquisadores especializados em ecologia, fenologia e biologia reprodutiva de plantas e incluiu colegas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Nacional de C\u00f3rdoba, da Argentina, acompanhou popula\u00e7\u00f5es de Vellozia para investigar os principais padr\u00f5es de flora\u00e7\u00e3o dessas plantas e tamb\u00e9m a import\u00e2ncia dos polinizadores para a sua reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O trabalho, financiado pela Fapesp (Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo), foi publicado na <a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/aob\/advance-article-abstract\/doi\/10.1093\/aob\/mcag152\/8697548?redirectedFrom=fulltext&amp;login=false\">revista Annals of Botany<\/a> e recebeu apoio log\u00edstico do Parque Nacional da Serra do Cip\u00f3, do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade) e de pousadas da regi\u00e3o, o que revela a preocupa\u00e7\u00e3o e envolvimento da comunidade nos estudos envolvendo as esp\u00e9cies locais.<\/p>\n<p>Para o estudo, a equipe analisou 13 esp\u00e9cies de canela-de-ema no Parque Nacional da Serra do Cip\u00f3 e na Reserva Vellozia, localizada na por\u00e7\u00e3o sul da Serra do Espinha\u00e7o (MG). Dessas esp\u00e9cies, tr\u00eas s\u00e3o classificadas como \u201cem risco de extin\u00e7\u00e3o\u201d, uma como \u201cquase amea\u00e7ada\u201d, uma como \u201cbaixa preocupa\u00e7\u00e3o\u201d e sete t\u00eam seus estados de conserva\u00e7\u00e3o como \u201cn\u00e3o avaliados\u201d.<\/p>\n<p>G\u00e9lvez-Z\u00fa\u00f1iga, autora principal do artigo, divide a metodologia do trabalho em quatro partes: a primeira envolveu viagens quinzenais \u00e0 campo, permitindo aos cientistas anotar a frequ\u00eancia em que as plantas floriam e tamb\u00e9m a intensidade dessa flora\u00e7\u00e3o, considerada em uma escala de zero a um. Com isso, a equipe conseguiu avaliar a intensidade da flora\u00e7\u00e3o das diferentes esp\u00e9cies, quais florescem ao mesmo tempo, quais florescem em per\u00edodos muito distintos, entre outros fatores.<\/p>\n<p>A segunda parte envolveu as poliniza\u00e7\u00f5es. <em>\u201cBasicamente, o que fizemos foi acompanhar a forma\u00e7\u00e3o das flores desde o bot\u00e3o e isol\u00e1-las em saquinhos de organza para evitar a visita de polinizadores e outros agentes<\/em>\u201d, explica a cientista. Dessa forma, um grupo de flores ficou exposto aos visitantes, outro foi polinizado manualmente pelos pesquisadores e o terceiro ficou restrito, com acesso impedido dos animais. Depois, a equipe quantificou quantas flores produziam frutos, se esses frutos produziam sementes e se essas sementes germinavam ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>A terceira etapa do processo ocorreu j\u00e1 dentro dos laborat\u00f3rios dos pesquisadores. \u201c<em>N\u00f3s juntamos os grupos de sementes formadas em cada tipo de poliniza\u00e7\u00e3o e levamos para germinar em laborat\u00f3rio. Essa \u00e9 uma abordagem que geralmente n\u00e3o costuma ser feita em outros projetos de pesquisa porque demanda muito tempo e paci\u00eancia. Mas ela \u00e9 importante pois mostra o ciclo completo de reprodu\u00e7\u00e3o da planta\u201d<\/em>, relata G\u00e9lvez-Z\u00fa\u00f1iga sobre a pen\u00faltima etapa do trabalho.<\/p>\n<p>A quarta parte da pesquisa entra como um extra. Ao longo do per\u00edodo de acompanhamento das plantas, os pesquisadores instalaram c\u00e2meras que, acionadas pelo movimento no entorno, detectavam e registravam a presen\u00e7a de visitantes. \u201c<em>Isso nos permitiu ver o comportamento dos polinizadores, a sua frequ\u00eancia, o hor\u00e1rio e quais as esp\u00e9cies visitadas\u201d<\/em>, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p>Um dos principais resultados do estudo foi demonstrar a import\u00e2ncia da atividade dos polinizadores para a reprodu\u00e7\u00e3o bem-sucedida da canela-de-ema. Sete das 11 esp\u00e9cies avaliadas nos experimentos reprodutivos n\u00e3o produziram frutos ou sementes quando os polinizadores foram exclu\u00eddos. Em alguns casos, havia frutos, mas suas sementes apresentavam baixa qualidade ou n\u00e3o germinavam, o que mostra que esse n\u00e3o deve ser o \u00fanico par\u00e2metro para julgar o sucesso reprodutivo das plantas.<\/p>\n<p>Leia <a href=\"https:\/\/jornal.unesp.br\/2026\/08\/25\/apesar-de-resilientes-plantas-do-cerrado-dependem-de-polinizadores-para-atingir-o-sucesso-reprodutivo\/\">a reportagem completa no Jornal da Unesp<\/a>.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Unesp -\u00a0Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o e Imprensa | Foto: CBioClima\/Unesp<\/strong><\/h6>\n\n\n<center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo acompanhou, ao longo de dois anos, 13 tipos de arbustos canela-de-ema, esp\u00e9cies com alta taxa de endemismo e adaptadas ao fogo; resultados apontaram que indiv\u00edduos que apresentaram os frutos e as sementes mais vigorosos foram aqueles que receberam visitas de beija-flores e abelhas A Serra do Cip\u00f3, no estado de Minas Gerais, atrai turistas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":87450,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-87449","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87449","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=87449"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87449\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":87451,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87449\/revisions\/87451"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/87450"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=87449"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=87449"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=87449"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}