{"id":87506,"date":"2026-09-02T09:29:30","date_gmt":"2026-09-02T12:29:30","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=87506"},"modified":"2026-09-02T09:29:37","modified_gmt":"2026-09-02T12:29:37","slug":"entre-casos-com-estadiamento-conhecido-69-dos-canceres-de-ovario-chegaram-aos-hospitais-em-fase-avancada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/entre-casos-com-estadiamento-conhecido-69-dos-canceres-de-ovario-chegaram-aos-hospitais-em-fase-avancada\/","title":{"rendered":"Entre casos com estadiamento conhecido, 69% dos c\u00e2nceres de ov\u00e1rio chegaram aos hospitais em fase avan\u00e7ada\u00a0"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p style=\"text-align: center;\"><em>Levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncol\u00f3gica (SBCO) na base de dados do Registro Hospitalar de C\u00e2ncer (RHC) de 2023, mostra diferen\u00e7as importantes na extens\u00e3o dos c\u00e2nceres ginecol\u00f3gicos registrados no pa\u00eds. Setembro \u00e9 o m\u00eas de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre essas doen\u00e7as, que devem somar cerca de 37 mil novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028, segundo estimativas do INCA<\/em><\/p>\n<p>Quase sete em cada dez registros hospitalares de c\u00e2ncer de ov\u00e1rio com informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel sobre o estadiamento correspondiam a doen\u00e7a avan\u00e7ada em 2023. A propor\u00e7\u00e3o chegou a 68,8% nos est\u00e1dios III ou IV, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncol\u00f3gica (SBCO) realizado a partir do Registro Hospitalar de C\u00e2ncer (RHC), sob gest\u00e3o do Instituto Nacional de C\u00e2ncer (INCA). No c\u00e2ncer do colo do \u00fatero, os est\u00e1dios III e IV concentraram 38% dos registros com estadiamento conhecido. Entre os tumores do corpo do \u00fatero, a propor\u00e7\u00e3o foi de 36,7%. Os resultados descrevem os casos atendidos pelos hospitais participantes e n\u00e3o representam a incid\u00eancia, nem todos os diagn\u00f3sticos ocorridos no Brasil.<\/p>\n<p>Os dados ganham destaque em setembro, m\u00eas de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre os c\u00e2nceres ginecol\u00f3gicos. Juntos, c\u00e2ncer do colo do \u00fatero, corpo do \u00fatero e ov\u00e1rio devem representar 36.980 novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028, segundo estimativas do INCA. S\u00e3o 19.310 casos anuais de c\u00e2ncer do colo do \u00fatero, 9.650 de c\u00e2ncer do corpo do \u00fatero e 8.020 de c\u00e2ncer de ov\u00e1rio. A diferen\u00e7a encontrada na extens\u00e3o da doen\u00e7a registrada nos hospitais \u00e9 especialmente marcada pelo c\u00e2ncer de ov\u00e1rio. Dos 1.244 casos registrados no RHC em 2023, 855 tinham informa\u00e7\u00e3o sobre o est\u00e1dio. Entre eles, 588 estavam nos est\u00e1dios III ou IV, sendo 270 no III e 318 no IV. Outros 200 estavam no est\u00e1dio I, 63 no II e quatro no est\u00e1dio 0. Dessa forma, 31,2% estavam nos est\u00e1dios 0, I ou II, enquanto 68,8% estavam nos est\u00e1dios III ou IV.<\/p>\n<p>No c\u00e2ncer do colo do \u00fatero, a distribui\u00e7\u00e3o foi diferente. Dos 4.667 registros hospitalares de 2023, 3.918 possu\u00edam informa\u00e7\u00e3o sobre o est\u00e1dio. Nesse grupo, 2.430 casos, ou 62%, estavam nos est\u00e1dios 0, I ou II. Outros 946 estavam no est\u00e1dio III e 542 no IV, fazendo com que as duas fases mais avan\u00e7adas somassem 38%. Entre os tumores do corpo do \u00fatero, que t\u00eam no endom\u00e9trio seu local de origem mais frequente, o padr\u00e3o foi semelhante. Dos 1.731 casos com estadiamento conhecido, 63,3% estavam nos est\u00e1dios 0, I ou II. Somente o est\u00e1dio I concentrou 875 registros, equivalentes a 50,5% dos casos com essa informa\u00e7\u00e3o. Os est\u00e1dios III e IV somaram 635 casos, ou 36,7%.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros do RHC precisam ser interpretados considerando as caracter\u00edsticas da base. Os registros correspondem aos casos atendidos nos hospitais participantes e n\u00e3o representam todos os diagn\u00f3sticos ocorridos no Brasil. Al\u00e9m disso, parte dos registros n\u00e3o possui informa\u00e7\u00e3o sobre a extens\u00e3o da doen\u00e7a. Por isso, os percentuais usados na compara\u00e7\u00e3o foram calculados apenas entre os casos classificados do est\u00e1dio 0 ao IV.<\/p>\n<p>As diferen\u00e7as entre os tr\u00eas c\u00e2nceres tamb\u00e9m envolvem fatores de risco, formas de preven\u00e7\u00e3o e manifesta\u00e7\u00f5es. O c\u00e2ncer do colo do \u00fatero est\u00e1 diretamente relacionado \u00e0 infec\u00e7\u00e3o persistente por determinados tipos do papilomav\u00edrus humano, o HPV, especialmente aqueles associados ao desenvolvimento de c\u00e2ncer. Entre os tr\u00eas tumores, \u00e9 o \u00fanico que disp\u00f5e de vacina\u00e7\u00e3o e de uma estrat\u00e9gia populacional de rastreamento capaz de detectar a infec\u00e7\u00e3o por HPV e les\u00f5es precursoras antes do surgimento do c\u00e2ncer invasivo.<\/p>\n<p>A vacina\u00e7\u00e3o reduz o risco de infec\u00e7\u00e3o pelos tipos de HPV contemplados pelo imunizante, enquanto o rastreamento permite identificar a presen\u00e7a do v\u00edrus ou altera\u00e7\u00f5es no colo do \u00fatero. O SUS est\u00e1 implantando gradualmente o teste DNA-HPV como principal m\u00e9todo de rastreamento. O exame identifica diretamente o material gen\u00e9tico de tipos do v\u00edrus associados ao c\u00e2ncer e pode detectar a infec\u00e7\u00e3o antes do aparecimento de altera\u00e7\u00f5es nas c\u00e9lulas. Pelas novas diretrizes, \u00e9 indicado para mulheres e outras pessoas com colo do \u00fatero de 25 a 64 anos que j\u00e1 tiveram atividade sexual. Onde o teste ainda n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel, o Papanicolau continua sendo utilizado.<\/p>\n<p>Para os c\u00e2nceres de corpo do \u00fatero e ov\u00e1rio, n\u00e3o existe rastreamento de rotina recomendado para todas as mulheres sem sintomas e sem risco aumentado. No c\u00e2ncer do corpo do \u00fatero, o sangramento vaginal anormal, principalmente depois da menopausa, \u00e9 um dos principais sinais de alerta. Corrimento anormal e dor ou press\u00e3o na regi\u00e3o p\u00e9lvica tamb\u00e9m podem ocorrer. Entre os fatores associados \u00e0 doen\u00e7a est\u00e3o idade mais avan\u00e7ada, obesidade, diabetes, s\u00edndrome dos ov\u00e1rios polic\u00edsticos e s\u00edndrome de Lynch.<\/p>\n<p>No c\u00e2ncer de ov\u00e1rio, os sintomas podem ser pouco espec\u00edficos. Entre eles est\u00e3o incha\u00e7o persistente da barriga, dor abdominal ou p\u00e9lvica, sensa\u00e7\u00e3o de saciedade ap\u00f3s comer pouco, perda de apetite, altera\u00e7\u00f5es intestinais e necessidade de urinar com maior frequ\u00eancia. Algumas mulheres apresentam risco aumentado, incluindo aquelas com hist\u00f3rico familiar ou altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas herdadas, como muta\u00e7\u00f5es nos genes BRCA1 e BRCA2.<\/p>\n<p>De acordo com a cirurgi\u00e3 oncol\u00f3gica Viviane Rezende de Oliveira, vice-presidente da SBCO, essas diferen\u00e7as exigem estrat\u00e9gias espec\u00edficas para cada doen\u00e7a. \u201c<em>No c\u00e2ncer do colo do \u00fatero, temos a possibilidade de agir antes que exista um c\u00e2ncer invasivo, com vacina\u00e7\u00e3o e rastreamento. Para o corpo do \u00fatero e ov\u00e1rio, n\u00e3o temos um exame recomendado para rastrear todas as mulheres sem sintomas. Por isso, \u00e9 fundamental conhecer os sinais que precisam ser investigados e identificar quem apresenta risco aumentado para que possa receber acompanhamento individualizado\u201d.<\/em><\/p>\n<p>O tratamento tamb\u00e9m depende do tipo de tumor e da extens\u00e3o da doen\u00e7a. No c\u00e2ncer do corpo do \u00fatero, a cirurgia \u00e9 o principal tratamento para grande parte das pacientes e geralmente envolve a retirada do \u00fatero, al\u00e9m das tubas uterinas e dos ov\u00e1rios. No c\u00e2ncer do colo do \u00fatero, a cirurgia tem papel especialmente importante nas fases iniciais, enquanto casos mais avan\u00e7ados podem exigir radioterapia e quimioterapia. No c\u00e2ncer de ov\u00e1rio, a opera\u00e7\u00e3o pode envolver diferentes \u00f3rg\u00e3os e tecidos, e a quimioterapia pode ser realizada antes ou depois da cirurgia.<\/p>\n<p>Segundo o cirurgi\u00e3o oncol\u00f3gico Paulo Henrique de Sousa Fernandes, presidente da SBCO, conhecer a extens\u00e3o da doen\u00e7a \u00e9 uma etapa fundamental para definir a estrat\u00e9gia terap\u00eautica. <em>\u201cC\u00e2ncer do colo do \u00fatero, corpo do \u00fatero e ov\u00e1rio s\u00e3o doen\u00e7as diferentes e exigem estrat\u00e9gias espec\u00edficas, mas em todas elas precisamos saber onde est\u00e1 o tumor e quanto ele se espalhou para definir o tratamento. Quando a cirurgia est\u00e1 indicada, o planejamento deve considerar a extens\u00e3o da doen\u00e7a, as caracter\u00edsticas do tumor e as condi\u00e7\u00f5es de cada paciente, sempre dentro de uma abordagem multidisciplinar<\/em>\u201d, conclui.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Sobre a SBCO -<\/strong> Fundada em 31 de maio de 1988, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncol\u00f3gica (SBCO) \u00e9 uma entidade sem fins lucrativos, com personalidade jur\u00eddica pr\u00f3pria, que agrega cirurgi\u00f5es oncol\u00f3gicos e outros profissionais envolvidos no cuidado multidisciplinar ao paciente com c\u00e2ncer. Sua miss\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m promover educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica continuada, com interc\u00e2mbio de conhecimentos, que promovam a preven\u00e7\u00e3o, detec\u00e7\u00e3o precoce e o melhor tratamento poss\u00edvel aos pacientes, fortalecendo e representando a cirurgia oncol\u00f3gica brasileira. \u00c9 presidida pelo cirurgi\u00e3o oncol\u00f3gico Paulo Henrique Fernandes (2025-2027).<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>SENSU Consultoria de Comunica\u00e7\u00e3o | Foto: Natty88<\/strong><\/h6>\n\n\n<center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncol\u00f3gica (SBCO) na base de dados do Registro Hospitalar de C\u00e2ncer (RHC) de 2023, mostra diferen\u00e7as importantes na extens\u00e3o dos c\u00e2nceres ginecol\u00f3gicos registrados no pa\u00eds. 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