{"id":88286,"date":"2026-10-07T10:11:42","date_gmt":"2026-10-07T13:11:42","guid":{"rendered":"http:\/\/sol.fm.br\/radio\/?p=88286"},"modified":"2026-10-07T10:11:45","modified_gmt":"2026-10-07T13:11:45","slug":"ia-assume-tarefas-de-entrada-e-empresas-podem-enfrentar-escassez-de-lideres-no-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sol.fm.br\/radio\/ia-assume-tarefas-de-entrada-e-empresas-podem-enfrentar-escassez-de-lideres-no-futuro\/","title":{"rendered":"IA assume tarefas de entrada e empresas podem enfrentar escassez de l\u00edderes no futuro"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p style=\"text-align: center;\"><i data-olk-copy-source=\"MessageBody\">Automa\u00e7\u00e3o avan\u00e7a sobre atividades tradicionalmente executadas por profissionais juniores e abre discuss\u00e3o sobre como formar gestores quando parte do aprendizado inicial da carreira passa a ser feita por m\u00e1quinas<\/i><\/p>\n<div>\n<p>A intelig\u00eancia artificial come\u00e7a a avan\u00e7ar justamente sobre algumas das tarefas que historicamente serviram como porta de entrada para profissionais no mercado corporativo. Pesquisas, an\u00e1lises preliminares, elabora\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios, organiza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, produ\u00e7\u00e3o de apresenta\u00e7\u00f5es e revis\u00e3o de documentos j\u00e1 podem ser realizadas, em diferentes n\u00edveis, por ferramentas de IA. O ganho de produtividade \u00e9 imediato, mas come\u00e7a a criar uma quest\u00e3o menos \u00f3bvia para as empresas: se a tecnologia assumir boa parte do trabalho dos profissionais juniores, como ser\u00e3o formados os gestores e executivos do futuro?<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o ganha relev\u00e2ncia \u00e0 medida que companhias aceleram a ado\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancia artificial em \u00e1reas administrativas, financeiras, jur\u00eddicas, comerciais e de tecnologia. Em muitas delas, as primeiras tarefas automatizadas s\u00e3o justamente aquelas mais repetitivas e estruturadas, tradicionalmente destinadas a profissionais em in\u00edcio de carreira.<\/p>\n<p>Para Felipe Maffezzolli, fundador da Hub XP e cofundador da Elegant, o risco est\u00e1 em confundir a elimina\u00e7\u00e3o de uma tarefa com a elimina\u00e7\u00e3o da etapa de aprendizado associada a ela.<\/p>\n<p><em>\u201cQuando um profissional entra em uma empresa, ele n\u00e3o aprende apenas porque algu\u00e9m ensina. Aprende fazendo coisas mais simples, errando, revisando, observando como decis\u00f5es s\u00e3o tomadas e acumulando repert\u00f3rio ao longo do tempo. Se a IA assumir toda essa camada inicial, podemos ganhar efici\u00eancia agora e criar um problema de forma\u00e7\u00e3o de talentos mais adiante<\/em>\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Esse movimento j\u00e1 aparece em levantamentos internacionais sobre emprego e intelig\u00eancia artificial. O AI Jobs Barometer 2026, da PwC, aponta que fun\u00e7\u00f5es mais expostas \u00e0 IA est\u00e3o mudando mais rapidamente e exigindo novas compet\u00eancias. Em ocupa\u00e7\u00f5es com maior possibilidade de automa\u00e7\u00e3o, habilidades associadas a julgamento, criatividade e tomada de decis\u00e3o ganham peso, enquanto tarefas operacionais passam a perder relev\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a cria um paradoxo para as empresas. Ao mesmo tempo em que a intelig\u00eancia artificial reduz a necessidade de profissionais executando atividades b\u00e1sicas, as companhias continuam precisando formar pessoas capazes de assumir posi\u00e7\u00f5es mais complexas no futuro.<\/p>\n<p><em>\u201cN\u00e3o existe executivo s\u00eanior sem passado j\u00fanior\u201d,<\/em> diz Maffezzolli. <em>\u201cO problema \u00e9 que boa parte da experi\u00eancia que forma um bom gestor vem de atividades que hoje parecem facilmente automatiz\u00e1veis. A empresa pode economizar uma posi\u00e7\u00e3o de entrada, mas precisa pensar onde aquele profissional vai adquirir repert\u00f3rio para tomar decis\u00f5es mais sofisticadas depois.\u201d<\/em><\/p>\n<p>O impacto pode ser particularmente relevante em setores tradicionalmente estruturados em pir\u00e2mides profissionais. Consultorias, bancos, escrit\u00f3rios de advocacia, empresas de tecnologia e \u00e1reas financeiras costumam contratar grandes grupos de profissionais em in\u00edcio de carreira e promover uma parcela deles ao longo dos anos. Se a base dessa pir\u00e2mide diminuir, a l\u00f3gica de forma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m precisa mudar.<\/p>\n<p>No mercado financeiro, por exemplo, analistas juniores costumam passar anos construindo modelos, pesquisando empresas, preparando materiais e acompanhando profissionais mais experientes antes de assumir decis\u00f5es de maior responsabilidade. Parte significativa desse trabalho j\u00e1 pode ser acelerada por intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia n\u00e3o precisa ser necessariamente uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica das contrata\u00e7\u00f5es, mas uma mudan\u00e7a no perfil das vagas.<\/p>\n<p><em>\u201cA exig\u00eancia para quem est\u00e1 come\u00e7ando tende a subir<\/em>\u201d, afirma Maffezzolli. <em>\u201cSe uma IA consegue fazer a pesquisa b\u00e1sica, organizar os dados e produzir uma primeira an\u00e1lise, o profissional j\u00fanior passa a precisar entrar sabendo interpretar, questionar e contextualizar. S\u00f3 que essas s\u00e3o compet\u00eancias que tradicionalmente eram desenvolvidas ao longo da carreira.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Essa transforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m come\u00e7a a aparecer nos sal\u00e1rios. Estudos recentes mostram que profissionais com compet\u00eancias em intelig\u00eancia artificial recebem pr\u00eamios salariais relevantes em diferentes mercados, enquanto empresas aumentam a procura por trabalhadores capazes de combinar conhecimento t\u00e9cnico com julgamento e capacidade de neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Para Maffezzolli, o risco \u00e9 criar uma esp\u00e9cie de \u201ccompress\u00e3o da carreira\u201d, na qual empresas passam a exigir experi\u00eancia de profissionais que ainda n\u00e3o tiveram oportunidade de acumul\u00e1-la.<\/p>\n<p><em>\u201cPodemos chegar a uma situa\u00e7\u00e3o curiosa: a empresa elimina v\u00e1rias tarefas de entrada porque a IA faz melhor e mais r\u00e1pido, mas depois reclama que n\u00e3o encontra profissionais preparados para posi\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias e de lideran\u00e7a. A discuss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 preservar trabalho ineficiente. \u00c9 redesenhar a maneira como as pessoas aprendem.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, programas de trainee, mentorias, rota\u00e7\u00e3o entre \u00e1reas e projetos supervisionados podem ganhar nova import\u00e2ncia. Em vez de formar profissionais pela repeti\u00e7\u00e3o de tarefas operacionais, as empresas ter\u00e3o de criar experi\u00eancias deliberadas de aprendizagem.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a tamb\u00e9m altera a rela\u00e7\u00e3o entre produtividade e contrata\u00e7\u00e3o. Um analista equipado com intelig\u00eancia artificial pode produzir mais do que v\u00e1rios profissionais fariam anteriormente. Para as companhias, isso reduz a press\u00e3o por ampliar equipes na mesma propor\u00e7\u00e3o do crescimento do neg\u00f3cio, mas aumenta a necessidade de planejamento de sucess\u00e3o.<\/p>\n<p><em>\u201cProdutividade e forma\u00e7\u00e3o de talentos precisam come\u00e7ar a ser discutidas juntas<\/em>\u201d, diz Maffezzolli. <em>\u201cSe voc\u00ea olha apenas para o trimestre, reduzir uma camada de trabalho pode parecer uma decis\u00e3o \u00f3bvia. Mas empresas s\u00e3o constru\u00eddas ao longo de d\u00e9cadas. Algu\u00e9m precisa estar sendo preparado hoje para liderar essas organiza\u00e7\u00f5es daqui a dez ou quinze anos.\u201d<\/em><\/p>\n<p>A tend\u00eancia, segundo ele, \u00e9 que a intelig\u00eancia artificial n\u00e3o elimine necessariamente o in\u00edcio da carreira, mas mude radicalmente seu conte\u00fado.<\/p>\n<p><em>\u201cO profissional j\u00fanior do futuro provavelmente far\u00e1 menos trabalho mec\u00e2nico e ser\u00e1 exposto mais cedo a problemas complexos. Isso pode ser muito positivo. Mas exige que a empresa assuma um papel mais ativo na forma\u00e7\u00e3o. A tecnologia consegue eliminar tarefas. Ela n\u00e3o resolve sozinha como criar experi\u00eancia<\/em>\u201d, conclui Maffezzolli.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>MGA Press | Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n\n\n<center><iframe loading=\"lazy\" class=\"jmvplayer\" src=\"https:\/\/player.jmvstream.com\/lvw\/YYGWo5wfZuZ8fEW7Qoq1ISwhLSEDhU\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\" frameborder=\"0\" width=\"640\" height=\"360\" ><\/iframe><\/center>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Automa\u00e7\u00e3o avan\u00e7a sobre atividades tradicionalmente executadas por profissionais juniores e abre discuss\u00e3o sobre como formar gestores quando parte do aprendizado inicial da carreira passa a ser feita por m\u00e1quinas A intelig\u00eancia artificial come\u00e7a a avan\u00e7ar justamente sobre algumas das tarefas que historicamente serviram como porta de entrada para profissionais no mercado corporativo. 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