5 provas de que as empresas devem rever sua cultura de aprendizagem

Para o especialista Conrado Schlochauer, repensar modelos de desenvolvimento é crucial para redefinir liderança, colaboração e circulação do conhecimento nas organizações

À medida que as transformações tecnológicas e de mercado se aceleram, as empresas têm redescoberto um componente decisivo para manter competitividade: a maneira como seus times aprendem. A cultura de aprendizagem contínua, antes vista como tendência, tornou-se estratégia central de negócios ao substituir o antigo modelo de treinamentos isolados por práticas integradas ao cotidiano de trabalho. 

Para se ter uma ideia desse impacto,76% dos funcionários se sentem mais engajados quando a empresa investe em seu desenvolvimento, segundo estudo da WifiTalents. A pesquisa também mostra que companhias que estruturam programas consistentes de capacitação chegam a registrar margens de lucro 24% maiores, evidenciando que estimular o aprendizado, além de ser uma iniciativa do RH, é um vetor direto nos resultados.

Esse reposicionamento tem levado organizações de diferentes setores a reconsiderar seus modelos internos e a transformar o desenvolvimento em parte natural da operação. Em vez de treinamentos padronizados e esporádicos, cresce a adoção de estruturas que favorecem trocas constantes, experimentação e desenvolvimento no ritmo do trabalho real. 

“O reflexo dessa mudança aparece na inovação, na retenção de talentos e na capacidade de resposta das empresas às exigências de um mercado em constante mutação”, analisa Conrado Schlochauer, especialista em aprendizado organizacional e autor best-seller.

Tal movimento representa uma virada de mentalidade que reposiciona o papel das pessoas dentro das empresas. “Apoiei processos de transformação em empresas como a Natura e a Ipê e vi de perto como a aprendizagem contínua muda tudo. Quando aprender deixa de ser um evento e passa a fazer parte do cotidiano, as equipes ganham agilidade, criatividade e capacidade real de inovar”, comenta.

Pensando nisso, Conrado listou cinco pontos que comprovam a necessidade dessa virada de chave:

Líderes como facilitadores do aprendizado

Gestores deixam de ser meros transmissores de conteúdo e assumem a função de facilitadores do crescimento, estimulando conversas frequentes, experimentação e ambientes de segurança psicológica. Essa postura transforma a relação entre líderes e equipes, promovendo colaboração e autonomia, essenciais para o desenvolvimento contínuo.

“Líderes que apoiam a aprendizagem diária das equipes tornam o desenvolvimento parte da operação e fortalecem a capacidade das pessoas de resolver problemas reais de forma independente, criando culturas mais colaborativas e resilientes”, explica Conrado.

Aprendizagem contínua como motor da inovação

Ao adotar uma visão integrada, as empresas acompanham mudanças do mundo do trabalho e constroem bases estratégicas para crescimento sustentável. A aprendizagem deixa de ser um complemento e passa a guiar processos, decisões e experimentações, criando um diferencial competitivo.

“A verdadeira força da aprendizagem contínua está na capacidade de transformar comportamento e ampliar repertório. Quando isso acontece, a inovação deixa de ser esporádica e passa a fazer parte da cultura, permitindo que a organização responda com mais agilidade e criatividade às mudanças do mercado”, completa. 

Maior engajamento dos times

O engajamento cresce quando o aprendizado deixa de ser um evento isolado e se integra ao cotidiano de trabalho. Equipes que aprendem enfrentando desafios reais desenvolvem habilidades continuamente, fortalecendo o senso de pertencimento e estimulando a participação ativa.

Quando o aprendizado acontece no dia a dia, ele deixa de ser obrigação e passa a ser motivação genuína. As equipes percebem seu impacto, participam de forma mais ativa e encontram sentido nas tarefas que realizam, tornando-se protagonistas do próprio desenvolvimento”, complementa.

Conhecimento que circula entre áreas e reduz barreiras internas

O compartilhamento contínuo de conhecimento entre diferentes áreas e funções reduz silos e amplia a compreensão coletiva dos desafios. Equipes que trocam experiências regularmente constroem soluções mais consistentes e se preparam melhor para lidar com situações complexas.

O conhecimento ganha força quando circula livremente entre equipes e áreas. A troca constante promove decisões mais consistentes e prepara a organização para enfrentar desafios de forma colaborativa”, explica o especialista.

Desenvolvimento incorporado à rotina operacional

Integrar o aprendizado ao ritmo natural da operação torna o desenvolvimento um processo contínuo e alinhado às demandas do dia a dia. Isso permite adaptação rápida, reforça a inovação e transforma a aprendizagem em parte essencial da cultura organizacional.

“Quando o aprendizado acompanha a rotina da operação, ele deixa de ser evento e se torna prática cotidiana. Isso permite que a empresa evolua de maneira consistente, adaptando-se rapidamente às mudanças e consolidando uma cultura de melhoria contínua”, finaliza.

A revisão da cultura de aprendizagem deixa de ser um diferencial e se consolida como necessidade estratégica. Empresas que incorporam práticas contínuas, integradas e colaborativas fortalecem liderança, engajamento e circulação de conhecimento, criando bases sustentáveis para inovação e resultados consistentes. Aprender todos os dias passa a ser, assim, o novo modelo de gestão, capaz de preparar equipes e organizações para os desafios de um mercado cada vez mais dinâmico.

Sobre Conrado Schlochauer

É especialista em aprendizagem contínua, pesquisador, consultor e fundador da nōvi – a lifewide learning company. Mestre em Criatividade pela PUC-SP e doutor em Aprendizagem de Adultos pelo Instituto de Psicologia da USP, dedica-se há três décadas a repensar os modelos tradicionais de educação corporativa, promovendo novas formas de aprender e ensinar nas organizações e fortalecendo culturas de aprendizagem mais vivas, eficientes e inovadoras. É casado e pai de três adolescentes, que também o inspiram a observar, na prática, os caminhos da aprendizagem humana. Em 2021, publicou o best-seller Lifelong Learners: o poder do aprendizado contínuo, e em 2025, seu segundo livro Aprendizado Incidental: o poder do lifewide learning.


Assessoria de Imprensa - Make Buzz | Foto: Canva

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