Copa do Mundo 2026 pode injetar R$ 4,3 bilhões no varejo, mas pequeno empreendedor age com cautela

Levantamento da GestãoClick mostra que apenas 15% dos empreendedores já têm um plano em execução para vender mais durante o Mundial

A Copa do Mundo de 2026 deve movimentar cerca de R$ 4,32 bilhões adicionais no varejo brasileiro, segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Apesar do potencial de consumo gerado pelo maior evento esportivo do planeta, a maioria dos pequenos negócios ainda não se preparou para aproveitar essa oportunidade. É o que revela um levantamento realizado pela GestãoClick com sua base de clientes. 

De acordo com o estudo, apenas 15% dos empreendedores entrevistados afirmam já ter um plano em execução para aumentar as vendas durante a Copa. Ao mesmo tempo, 59% dizem que não pretendem fazer nenhuma ação específica ou não veem sentido em investir esforços voltados ao evento. 

O cenário chama atenção porque, enquanto o mercado projeta crescimento impulsionado pelo torneio, muitos pequenos negócios permanecem em compasso de espera. “Existe uma oportunidade relevante de consumo concentrada em um período curto e previsível. Quem se organiza com antecedência, ajusta estoque, prepara campanhas e acompanha seus indicadores tende a disputar um mercado que muitos concorrentes estão deixando passar", afirma Nena Matos, da GestãoClick.

Entre as principais conclusões do levantamento está o fato de que a maior oportunidade para os pequenos negócios pode estar justamente na falta de movimentação dos concorrentes. Com quase seis em cada dez empreendedores sem planejamento específico para o evento, empresas que realizarem ações simples, como campanhas temáticas, combos promocionais, reforço de estoque e ampliação de horários de atendimento, podem encontrar um ambiente menos competitivo para conquistar consumidores durante a Copa. 

Marketplaces e redes sociais lideram otimismo

O levantamento mostra que as expectativas variam conforme o perfil do negócio. Entre os empreendedores que atuam em marketplaces e redes sociais, 75% acreditam que poderão aumentar o faturamento durante a Copa. Nas lojas físicas, esse percentual chega a 53%. Já entre prestadores de serviço, apenas 12% esperam crescimento.

“Prestadores de serviço se veem fora do jogo, mas há nichos claros: delivery, beleza/estética antes de eventos, manutenção, locação de equipamentos, decoração e serviços ligados a confraternizações. O erro é assumir que Copa é só varejo”, analisa Nena Matos.

Outro dado relevante é que 60% dos entrevistados não pretendem investir nenhum valor adicional por causa da Copa. Entre os que planejam algum aporte, a maioria prevê desembolsos de até R$ 5 mil. 

As ações mais citadas pelos empreendedores que pretendem aproveitar o evento são promoções temáticas (37%), adequação de horários em dias de jogos do Brasil (29%), marketing digital (25%) e decoração de lojas (22%). Em contrapartida, apenas 6% pretendem ampliar estoques, medida considerada estratégica para evitar perda de vendas durante os períodos de maior demanda. 

Gestão ainda é desafio para parte dos negócios

Mesmo entre uma base já familiarizada com tecnologia de gestão, o estudo identificou que parte dos empreendedores ainda opera sem controles estruturados. Enquanto 65% utilizam sistemas de gestão (ERP), 13% dependem de planilhas e 10% não possuem controle organizado das operações. 

Segundo a GestãoClick, esse cenário pode se tornar um obstáculo justamente nos períodos de maior movimento."Em momentos de pico de vendas, o risco não está apenas em vender menos. Está em perder margem por falta de estoque, cometer erros financeiros ou não conseguir atender a demanda. Gestão e planejamento passam a ser diferenciais competitivos", destaca Nena Matos.


Trópico Comunicação 

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