Unhas fracas e quebradiças podem indicar alterações nutricionais, hábitos inadequados ou doenças sistêmicas

SBD-RS orienta sobre cuidados com as unhas e alerta para os riscos da automedicação e do uso excessivo de produtos químicos

Unhas fracas, quebradiças, descamativas ou com alterações na superfície podem parecer apenas um problema estético, mas também podem estar relacionadas a fatores nutricionais, hábitos inadequados, contato frequente com produtos químicos ou condições sistêmicas que precisam de avaliação médica. A Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio Grande do Sul (SBD-RS) alerta que mudanças persistentes nas unhas devem ser investigadas por um dermatologista, especialmente quando há fragilidade intensa, dor, inflamação, deformidades ou piora progressiva.

De acordo com a delegada da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio Grande do Sul (SBD-RS), Dra. Vanessa Santos Cunha, nem toda unha fraca é sinal de falta de vitaminas, mas essa possibilidade deve ser considerada dentro de uma avaliação individualizada. Segundo a médica, algumas pessoas têm unhas naturalmente mais finas e frágeis por predisposição genética, assim como ocorre com os cabelos. Em outros casos, a fragilidade pode estar associada à baixa ingestão de proteínas, restrições alimentares ou deficiências de nutrientes como ferro, vitamina B12, vitamina D, zinco e silício.

“Unhas fracas podem ter relação com a dieta e com algumas deficiências nutricionais, mas também podem ocorrer por fatores genéticos, doenças sistêmicas ou agressões externas. Por isso, não é indicado iniciar suplementação por conta própria. O ideal é investigar a causa para que a orientação seja adequada a cada pessoa”, explica.

Entre as alterações mais comuns estão a onicosquizia, quando a unha descama em camadas, e a onicorrexe, caracterizada por fissuras ou estrias longitudinais. Essas manifestações podem estar ligadas ao envelhecimento, à exposição repetida à água, ao uso frequente de detergentes e produtos de limpeza, à retirada excessiva de cutículas e ao uso contínuo de esmaltes, removedores ou procedimentos que enfraquecem a lâmina ungueal. Profissionais que mantêm as mãos úmidas por longos períodos ou lidam com substâncias químicas sem o uso de luvas também podem apresentar maior risco.

A especialista chama atenção para o uso de bases fortalecedoras sem orientação. Embora alguns produtos possam auxiliar em situações específicas, eles nem sempre são suficientes para tratar a causa do problema. Além disso, formulações à base de formol podem endurecer temporariamente a unha, mas também deixá-la mais quebradiça e aumentar o risco de irritações e alergias. O uso de esmaltes hipoalergênicos, com menor presença de substâncias associadas a reações alérgicas, pode ser uma alternativa para pessoas sensíveis, mas não substitui a avaliação dermatológica quando há alteração persistente.

Outro cuidado importante está relacionado à cutícula. A SBD-RS orienta evitar a remoção profunda, já que essa estrutura funciona como uma barreira de proteção da matriz ungueal. Quando retirada de forma excessiva, há maior risco de entrada de bactérias, fungos e agentes químicos, o que pode favorecer infecções, inflamações e deformidades na unha. Em salões de beleza, a recomendação é apenas empurrar delicadamente ou remover o excesso, além de observar a higienização dos instrumentos e dar preferência a produtos mais seguros para peles sensíveis.

A investigação médica pode incluir avaliação clínica, análise dos hábitos de cuidado, revisão da dieta e, quando necessário, exames laboratoriais para verificar possíveis deficiências nutricionais ou doenças associadas, como alterações da tireoide, diabetes e outras condições que podem se manifestar nas unhas. A automedicação com vitaminas, fórmulas manipuladas ou suplementos deve ser evitada, pois o excesso de determinados nutrientes também pode causar efeitos indesejados.

A SBD-RS reforça que cuidar das unhas vai além da estética. Alterações persistentes, fragilidade acentuada ou mudanças de cor, espessura, formato e crescimento devem ser avaliadas por um médico dermatologista, profissional habilitado para diagnosticar e tratar doenças da pele, cabelos e unhas. Em casos de suspeita, procure um médico dermatologista. Os profissionais habilitados podem ser conferidos no site www.sbdrs.org.br.

Sobre a SBD-RS

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) é a única instituição reconhecida oficialmente pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Médica Brasileira (AMB) como representante dos dermatologistas no Brasil. Os médicos dermatologistas a ela ligados precisam obter o Título de Especialista que atesta a sua capacitação. A secção SBD-RS é a sua representante no território do Rio Grande do Sul.


PlayPress | SBD-RS - Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio Grande do Sul | Redação: Marcelo Matusiak

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