Live reuniu especialistas para orientar produtores sobre IBS, CBS, integração digital e planejamento patrimonial diante das novas regras
A implementação da Reforma Tributária e seus desdobramentos práticos para o produtor rural foram pauta da live promovida pelo IBPecan. O encontro trouxe especialistas das áreas tributária, contábil e jurídica para debater sobre Imposto de Renda, Livro Caixa Digital do Produtor Rural, cruzamento de dados pela Receita Federal e os novos tributos IBS e CBS. A mediação ficou a cargo do coordenador técnico do Instituto, Jaceguay Barros, que destacou a importância de ampliar o debate técnico diante das mudanças já em curso no sistema de arrecadação e fiscalização.
Logo na abertura, o consultor tributário Maurício Voltz, da CCA Consultores Associados, concentrou sua análise na transição para o novo modelo e nas decisões que precisarão ser tomadas nos próximos anos. Segundo ele, produtores com faturamento anual inferior a R$ 3,6 milhões devem avaliar com cautela a opção de se tornarem contribuintes do IBS e da CBS. “A primeira coisa é avaliar como vai impactar o meu negócio. Se eu faturo menos de R$ 3,6 milhões, tenho que avaliar se vai valer a pena ser contribuinte do IBS e da CBS”, afirmou.
Voltz explicou que a decisão não é automática e exige diagnóstico individual. “Eu preciso olhar quem são meus clientes, se vou fazer investimentos no próximo ano, quanto vou adquirir de insumos e de quem vou adquirir. Tudo isso vai nos levar à resposta se vale a pena ou não”, observou
Na sequência, o contador André Monticelli, sócio da Ativo Serviços Empresariais, abordou as exigências operacionais e a necessidade de adaptação da contabilidade rural ao novo ambiente digital de fiscalização. Ele ressaltou que a Reforma Tributária não se resume a alíquotas, mas amplia o nível de integração entre sistemas e o cruzamento eletrônico de informações. “Quando se fala em Reforma Tributária, o primeiro pensamento é aumento de imposto. Mas o novo cenário exige habilidade no campo da organização digital”, pontuou.
Segundo ele, a fiscalização presencial pode ser substituída por mecanismos automatizados de controle. “Aquela situação do fiscal bater na porta é coisa do passado. Entramos em uma era de integração total”, ressaltou.
Monticelli alertou que a falta de organização pode gerar impactos diretos no resultado financeiro da atividade. “A organização hoje é obrigatória, sob pena de levar o negócio ao resultado negativo.” Ele ainda acrescentou que, em algumas simulações realizadas, operar via CNPJ no novo regime tem se mostrado mais vantajoso que manter a atividade no CPF, mas reforçou que cada caso precisa ser analisado individualmente.
O advogado tributarista Marcelo Monticelli, sócio da Monticelli & Tortorelli Advogados, trouxe o debate para o campo patrimonial e sucessório. Segundo ele, propriedades com patrimônio relevante e mais de um herdeiro devem iniciar imediatamente o planejamento. “Quem tem patrimônio rural relevante, planeje agora. Tem mais de um herdeiro, é preciso fazer o planejamento”, alertou.
Ele destacou que propriedades que geram renda contínua exigem atenção redobrada para evitar conflitos familiares e riscos financeiros no futuro. “Todo cuidado é pouco.” Também defendeu maior articulação institucional do setor. “O Instituto Brasileiro de Pecanicultura é uma referência nacional. Precisamos unir forças e fazer eco por meio do Instituto, porque é ele que leva a nossa palavra aos representantes.”
Encerrando o encontro, o presidente do IBPecan, Claiton Wallauer, reforçou que a contabilidade passou a ser ferramenta estratégica de gestão. “Vejo cada vez mais que a contabilidade não é mais aquela feita apenas para atender ao fiscal. Hoje ela é uma das ferramentas mais importantes para estarmos protegidos e atualizados com o que acontece no país”, concluiu.
Segundo ele, a integração entre gestão, contabilidade e sistemas digitais será o trunfo para manter a competitividade e a segurança das propriedades rurais. Wallauer também destacou a importância do fortalecimento institucional do setor e da participação ativa dos produtores no instituto.
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