Especialista alerta para riscos cardíacos, hormonais e psicológicos associados à busca acelerada por performance física e padrões irreais nas redes sociais
A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, reacendeu o debate sobre os riscos do uso indiscriminado de anabolizantes e outras substâncias voltadas ao ganho de massa muscular e melhora estética.
Além da comoção de fãs, amigos e familiares, o episódio também mobilizou discussões sobre a necessidade de conscientização e atenção aos perigos associados ao consumo desses produtos, especialmente entre jovens influenciados por padrões estéticos e promessas de resultados rápidos.
Segundo a Dra. Patricia Zach, endocrinologista do Hospital Dia Campo Limpo, unidade da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP) e gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” , o uso de anabolizantes sem acompanhamento médico pode desencadear uma série de complicações graves, muitas vezes silenciosas.
“Existe uma falsa percepção de que, por serem amplamente divulgados em academias e redes sociais, esses produtos são seguros. Mas estamos falando de substâncias que alteram profundamente o funcionamento hormonal e metabólico do organismo”, afirma.
Os anabolizantes são derivados sintéticos da testosterona e, quando utilizados de forma inadequada, provocam danos cardiovasculares graves, como hipertensão arterial, arritmias, infarto e aumento do risco de morte súbita. Além disso, também estão associados a lesões hepáticas e insuficiência renal.
“O coração é um dos órgãos mais afetados. Muitos usuários desenvolvem aumento do músculo cardíaco, o que pode comprometer a função do órgão e elevar o risco de complicações, inclusive em pessoas jovens e aparentemente saudáveis”, explica a especialista.
Além das alterações cardiovasculares e metabólicas, os anabolizantes também provocam desequilíbrios hormonais preocupantes. Nos homens, o uso contínuo pode causar infertilidade, impotência sexual, redução da produção natural de testosterona e ginecomastia (aumento das mamas). Já nas mulheres, há risco de alterações menstruais, engrossamento da voz, aumento de pelos e mudanças corporais muitas vezes irreversíveis.
A endocrinologista destaca ainda os impactos na saúde mental e comportamental .
“É comum observarmos quadros de ansiedade, irritabilidade, agressividade, dependência psicológica e distorção da imagem corporal. Muitas pessoas entram em um ciclo de uso contínuo porque passam a acreditar que o próprio corpo nunca está bom o suficiente”, relata.
A médica reforça que não existem protocolos seguros para o uso estético de anabolizantes sem indicação profissional. “Mesmo os hormônios bioidênticos, quando usados de forma inadequada, sem avaliação individual, sem dose correta e sem monitoramento, também podem trazer malefícios à saúde”, alerta.
Outro ponto de atenção é o uso combinado de anabolizantes com medicamentos para emagrecimento, diuréticos e substâncias manipuladas sem controle adequado. De acordo com a endocrinologista, a mistura pode potencializar efeitos colaterais e sobrecarregar ainda mais órgãos vitais.
“Muitos desses produtos são adquiridos clandestinamente, sem qualquer garantia de procedência. Em alguns casos, a pessoa sequer sabe exatamente o que está aplicando no corpo”, alerta.
A especialista reforça que mudanças físicas sustentáveis devem acontecer com orientação e acompanhamento profissional, alimentação equilibrada e prática regular de atividade física.
“Não existe fórmula milagrosa sem risco. Qualquer reposição hormonal precisa ser avaliada individualmente. A busca por resultados rápidos pode trazer consequências permanentes para a saúde”, finaliza a médica.
Sobre o CEJAM
O CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Osasco, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.
A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.
O CEJAM é considerado uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado, em 2025, a certificação Great Place to Work. O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da Instituição.
Neste ano, a organização lança a campanha CEJAM 2026: respeito à vida, respeito ao planeta. 365 dias cuidando do presente, transformando o futuro!
Siga o CEJAM nas redes sociais (@cejamoficial) e acompanhe os conteúdos divulgados no site da instituição.
NÃO ESQUEÇA DE DEIXAR SEU COMENTÁRIO
MAIS DA SOL FM
Copyright © 2019 Radio Sol 107,3 FM - Rolante - RS - Brasil - www.sol.fm.br