Tempo na roça vale aposentadoria

Milhares de trabalhadores podem usar anos de atividade rural para antecipar o benefício ou aumentar o valor recebido do INSS

Muitos brasileiros que hoje vivem nas cidades carregam uma história comum no interior do Paraná e de diversas regiões do país: a infância e a juventude dedicadas ao trabalho no campo. O que poucos sabem é que esse período pode fazer diferença significativa na aposentadoria. Em muitos casos, os anos trabalhados na agricultura familiar podem ser reconhecidos pelo INSS e incorporados ao histórico previdenciário, permitindo a antecipação da aposentadoria ou o aumento do valor do benefício.

O Paraná possui uma das maiores populações rurais do Brasil. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), milhares de famílias ainda vivem da agricultura familiar, atividade que historicamente contou com a participação de filhos e demais integrantes da família nas tarefas diárias da propriedade. Esse trabalho, realizado antes de novembro de 1991, pode ser computado como tempo de contribuição mesmo sem recolhimentos previdenciários na época.

De acordo com o advogado previdenciarista Humberto Tommasi, muitas pessoas deixam de exercer esse direito por desconhecimento. "Recebemos frequentemente trabalhadores que passaram anos ajudando os pais na lavoura e acreditam que esse período não tem qualquer valor para a aposentadoria. Na realidade, dependendo do caso, esse tempo pode representar cinco, sete ou até dez anos de diferença no planejamento previdenciário."

O reconhecimento do chamado tempo rural exige a apresentação de documentos que comprovem a atividade agrícola da família. Certidões de nascimento ou casamento com a profissão dos pais registrada como agricultor, históricos escolares de escolas rurais, documentos de sindicatos rurais, contratos de arrendamento e registros de propriedades são alguns dos documentos que podem servir como prova perante o INSS.

Além da aposentadoria por tempo de contribuição, existe ainda a chamada aposentadoria híbrida, modalidade que permite somar períodos trabalhados no campo e na cidade. A alternativa tem beneficiado milhares de trabalhadores que migraram para centros urbanos ao longo da vida profissional e não possuem tempo suficiente em apenas uma das atividades.

Segundo Tommasi, um dos principais erros ocorre quando o segurado deixa para buscar a documentação apenas no momento de solicitar a aposentadoria. "Muitos documentos são antigos e nem sempre fáceis de localizar. O ideal é fazer uma análise previdenciária com antecedência, identificar as provas disponíveis e realizar a averbação antes do pedido. Isso evita atrasos e aumenta as chances de uma concessão mais rápida e vantajosa."

Outro benefício da análise prévia é a correção de informações no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), documento que reúne todo o histórico previdenciário do trabalhador. Inconsistências cadastrais, vínculos ausentes ou períodos não reconhecidos podem comprometer o cálculo final do benefício.

"O trabalho rural fez parte da construção econômica de milhares de famílias brasileiras e não pode ser ignorado no momento da aposentadoria. Cada período reconhecido representa o reconhecimento de uma história de trabalho e pode fazer uma diferença significativa na renda que o segurado receberá durante o restante da vida", afirma Humberto Tommasi.

Serviço: Ozon & Tommasi Advogados - Dr. Humberto Tommasi


Toda Comunicação | Foto: Arquivo Pessoal

NÃO ESQUEÇA DE DEIXAR SEU COMENTÁRIO

É muito importante pra gente saber sua opinião

MAIS DA SOL FM

WP Radio
WP Radio
OFFLINE LIVE