Carne bovina premium ganha reforço de nova raça bovina

Pioneiro no Senangus, Diogo Bianchi, de Luiziana (PR), destaca que a raça combina a docilidade e habilidade materna do Senepol com a genética Angus, entregando maior velocidade de abate, melhor rendimento de carcaça e maior valor agregado à produção.

Quando a rusticidade e desempenho encontram a qualidade de carne, nasce um novo caminho para a pecuária de corte. É com essa proposta que o pecuarista Diogo Bianchi, de Luiziana (PR), consolida um trabalho pioneiro na seleção de Senangus, cruzamento entre as raças Senepol e Angus, dando origem a um projeto inovador que aposta em uma genética eficiente, adaptada e alinhada às exigências do mercado de carne bovina premium.

À frente da Senangus Criação de Bovinos, Bianchi traduz na prática uma visão construída ao longo de anos de experiência no campo. O ponto de virada veio com o domínio das biotecnologias reprodutivas e a vivência em sistemas produtivos intensivos. Esse foi o ponto de partida para compreender os limites das principais raças utilizadas no país. A experiência com o Nelore evidenciou lacunas que poderiam ser exploradas em relação à qualidade de carne e à precocidade.

Foi a partir desta leitura que surgiu a aposta na raça Senangus, recém-homologada pelo Ministério da Agricultura através da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol (ABCB Senepol). De um lado, está a rusticidade, a habilidade materna e a adaptação ao clima tropical do Senepol, originário das Ilhas Virgens Americanas; do outro, a inquestionável qualidade de carne do Angus, extremamente marmorizada. “Cada raça tem suas particularidades. Quando reunimos o melhor das duas, conseguimos um animal moderno e eficiente para o cruzamento industrial, com potencial para oferecer carne premium e capacidade de adaptação”, explica o criador.

O início do projeto Senangus remonta a 2019, quando Bianchi inseminou vacas Senepol sem saber exatamente o que esperar. Os resultados surpreenderam, gerando animais com desempenho a pasto fora da curva, excelente adaptação e fertilidade. “Fiquei impressionado com a rusticidade, principalmente. Eles acompanhavam a vacada Nelore, subiam morro e se mantinham altamente produtivos”, destaca.

Também pesou na decisão a percepção de mercado. No Paraná e em diferentes regiões do país, a demanda por animais de pelagem preta é expressiva, especialmente na exportação de gado em pé, que registrou recorde no ano passado, com mais de 1 milhão de bovinos exportados.

Ao incorporar a genética Aberdeen Angus, o projeto mira também nessa demanda, sem abrir mão de atributos fundamentais como ganho de peso, rendimento e qualidade de carcaça.

Produtividade dos animais Senangus

Com o avanço das biotecnologias, o projeto ganhou escala. Em 2024, foram transferidos 125 embriões Senangus, resultando em uma geração que já demonstrava desempenho acima da média. Na desmama, os bezerros apresentaram ganho superior ao Nelore, com média de 292 kg aos 6,5 meses, criados exclusivamente a pasto. “O Senangus bateu 1,5 arroba a mais que o Nelore nessa fase”, ressalta Bianchi.

Flexível, o trabalho da Senangus se apoia em duas vertentes principais: uma com predominância Angus (75%) e outra com maior participação Senepol (75%), permitindo atender diferentes biomas e sistemas produtivos. Os machos com maior porcentagem de sangue do taurino adaptado (Senepol) são voltados à cobertura a campo, especialmente em vacas zebuínas localizadas em ambientes desafiadores, como o Norte e o Nordeste.

Já as fêmeas Senangus terão papel estratégico na genética PO, formando novas gerações adaptadas ao clima tropical. Além disso, o projeto antecipa tendências, como o beef-on-dairy, ampliando as possibilidades de uso da genética Senangus em sistemas leiteiros. “Estamos criando uma solução que atende desde o pecuarista de corte até o produtor de leite que busca agregar valor à produção”, explica.

Estrutura do projeto

A estrutura operacional é versátil, utilizando arrendamento e parcerias. A iniciativa “Parceria entre Amigos”, criada por Bianchi, em parceria com criadores como Mário Aluísio Zafanelli, da Fazenda São Francisco, de Alto Paraíso (PR), permite a disseminação da genética. O projeto é conduzido em área arrendada, onde também são desenvolvidas outras frentes como o Nelore Bianchi, voltado à sucessão familiar. Paralelamente, presta serviços reprodutivos, principalmente IATF e transferência de embriões.

Em até dez anos, a meta é alcançar um plantel de 200 matrizes Senangus e uma produção anual entre 100 e 120 touros, consolidando a raça como alternativa viável e competitiva no cenário nacional”, prevê o proprietário da Senangus.


Pec Press - Comunicação Estratégica

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