Escola de Curitiba aposta em sustentabilidade, cresce 42% e conquista reconhecimento internacional

A Escola Pedro Apóstolo investiu R$ 2,8 milhões em infraestrutura e tecnologia, criou espaço autossustentável e participou da COP30 com projetos desenvolvidos dentro da instituição.

Em Curitiba, uma escola de educação básica vem mostrando que grandes transformações também podem nascer dentro da sala de aula. Prestes a completar três décadas de história, a Escola Pedro Apóstolo vem, ao longo dos últimos anos, transformando a sustentabilidade em eixo central de seu projeto pedagógico. O reconhecimento veio em diferentes frentes: a instituição foi a única escola particular brasileira convidada para a COP30, passou a integrar iniciativas ligadas à ONU Mulheres e ao Pacto Global e conquistou o Selo Escola Azul — certificação concedida a instituições de ensino que integram a cultura oceânica.

Fundada em 1997 pelos pedagogos paranaenses Odilon Paschoal e Dircea Paschoal, a Escola Pedro Apóstolo hoje é liderada por Carolina Paschoal, herdeira e sucessora da instituição, que manteve a proposta educacional humanizada, inovadora e comprometida com a formação de cidadãos capazes de impactar o mundo, além de ampliar esse legado.

Em 2025, a instituição passou a ganhar projeção internacional após Carolina Paschoal ser convidada para representar a escola na COP30, conferência mundial sobre mudanças climáticas. Na ocasião, foram apresentadas experiências desenvolvidas em Curitiba ligadas à sustentabilidade no ambiente escolar.

“Foi um momento muito importante na trajetória da Pedro Apóstolo porque nos mostrou que todos os esforços da gestão em torno da sustentabilidade realmente faziam sentido e a diferença no mundo”, afirma Carolina.

Entre os feitos de destaque da escola também está uma gestão 100% feminina, comprometida com a liderança de mulheres e reconhecida pela participação em um programa da ONU Mulheres voltado à igualdade de gênero e ao empoderamento feminino.

Também em 2025, a escola destinou R$ 1,2 milhão à construção de um espaço autossustentável voltado à convivência, ao esporte e à educação ambiental. O ambiente reúne sistemas de captação de água da chuva, compostagem, hortas pedagógicas, reaproveitamento de resíduos e geração de energia limpa, utilizados também como ferramentas de aprendizagem.

“Existe uma mudança importante acontecendo na educação. As famílias querem que a escola prepare os alunos academicamente, mas também para compreender o impacto das próprias escolhas no mundo. Aqui na Pedro Apóstolo colocamos isso em prática todos os dias”, afirma Carolina.

As ações ambientais também envolvem a comunidade escolar. Um dos programas desenvolvidos pela instituição concede descontos nas mensalidades para famílias que comprovem práticas sustentáveis no cotidiano, como reciclagem, redução de desperdício e reaproveitamento de resíduos.

“A transformação ambiental não acontece sozinha dentro da escola. Ela precisa envolver a comunidade e fazer parte da rotina das famílias”, completa Carolina.

Atitudes que refletem em números

O rumo que a Pedro Apóstolo tomou também se refletiu em números internos bastante positivos. A escola registrou crescimento de 42% no número de alunos desde 2019 e a evasão escolar ao final do ano letivo de 2025 permaneceu em torno de 8%, mesmo diante do aumento do número de alunos. Para Carolina Paschoal, o crescimento reflete uma mudança no perfil das famílias em relação ao papel da escola.

Somente nos últimos quatro anos foram mais de R$ 2,8 milhões reinvestidos em infraestrutura, tecnologia e formação pedagógica nos últimos quatro anos. Outro foco recente de investimento foi o laboratório de tecnologia da instituição, que recebeu cerca de R$ 140 mil em novos equipamentos. O espaço concentra atividades de robótica, programação e softwares educacionais voltados ao desenvolvimento de habilidades como pensamento lógico, criatividade e autonomia.

Além da estrutura física, a escola também ampliou programas de valorização docente. Entre as iniciativas estão bolsas de formação continuada que podem custear até 100% de cursos de pós-graduação, além de capacitações realizadas no Brasil e no exterior.

A experiência da Escola Pedro Apóstolo mostra como temas antes tratados como projetos paralelos passaram a ocupar espaço central na gestão escolar, influenciando desde investimentos em infraestrutura até a relação das famílias com a educação. “Existe uma busca cada vez maior por instituições que consigam unir desempenho acadêmico, acolhimento e formação voltada às questões sociais e ambientais”, finaliza a gestora.


No Ar Comunicação | Foto: Arquivo/ Escola Pedro Apóstolo

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