Ibovespa chega a cair 16% após eleição; gestor alerta para juros altos e risco de recessão em 2027

  • 27 de outubro de 2026
  • Sol FM

Juliano de Lara Fernandes, da Armada Asset, relaciona reação da Bolsa e alta do dólar à expectativa de juros elevados, custos maiores para empresas e redução dos lucros

O Ibovespa chegou a cair 16% nesta segunda-feira (26), enquanto o dólar registrou forte alta, em uma reação à mudança brusca nas expectativas dos investidores após o resultado eleitoral, avalia Juliano de Lara Fernandes, sócio da Armada Asset e gestor de investimentos. Segundo ele, o mercado havia se posicionado para uma possível vitória de Flávio Bolsonaro, associada à expectativa de maior controle fiscal e redução dos juros. Com o resultado das urnas, a perspectiva de manutenção de juros elevados e as incertezas sobre a condução das contas públicas provocaram uma rápida reavaliação dos ativos brasileiros.

Fernandes afirma que pesquisas e casas de apostas reforçaram a expectativa de vitória de Bolsonaro, influenciando as posições assumidas por diversos gestores antes da votação. Na avaliação do gestor, a reversão desse cenário pressionou simultaneamente o câmbio, os juros e a Bolsa.

"Essa queda de 16% do Ibovespa está diretamente relacionada à ruptura da expectativa de eleição de Flávio Bolsonaro, que vinha acompanhada de uma promessa de controle fiscal e queda dos juros", afirma.

Na avaliação de Fernandes, a abertura das taxas de juros observada pela manhã tende a elevar os custos operacionais e de financiamento das empresas listadas, inclusive na rolagem de suas dívidas. Segundo sua análise, esse movimento pode reduzir os lucros esperados e, consequentemente, o valor das ações.

"Isso representa um custo maior para as empresas, o que acaba gerando menos lucro e também uma expectativa de possível recessão a partir de 2027", explica Fernandes. Para o gestor, até que haja uma sinalização contrária, a Bolsa deverá continuar refletindo a perspectiva de juros mais altos, custos maiores e lucros menores.

 

*Dólar em alta e dificuldades nas operações de câmbio*

A forte valorização da moeda americana também trouxe dificuldades para investidores que buscavam realizar operações de câmbio. Fernandes relaciona a interrupção do avanço das cotações observada naquele momento aos limites de oscilação dos contratos futuros de dólar na B3, que restringem as negociações fora das faixas permitidas.

O gestor chama atenção para a diferença entre a cotação exibida e o preço efetivamente disponível para compra. Segundo ele, algumas corretoras já acrescentavam um prêmio ao preço de referência diante da volatilidade. Na prática, a moeda não estava disponível nas condições indicadas na tela.

 

*Proteção das carteiras diante da piora das perspectivas*

A avaliação da Armada sobre as perspectivas econômicas passou de um otimismo contido para um pessimismo significativo. Embora atribuísse maior probabilidade a uma mudança na condução fiscal, a gestora optou por manter as proteções dos investimentos e evitar uma exposição maior a ativos de risco antes da eleição.

A estratégia, adotada desde o início do ano, inclui exposição ao dólar, ações defensivas e a maior parte do patrimônio dos clientes em títulos de renda fixa protegidos contra a inflação. Segundo Fernandes, essa composição buscou preservar o capital e os juros reais contratados diante de uma eventual deterioração econômica, mesmo que isso limitasse a possibilidade de ganhos mais rápidos em um cenário de melhora fiscal.

 

*Impactos na renda fixa e oportunidades*

A turbulência também afeta a renda fixa. Fernandes prevê perdas de valor no curto prazo pela marcação a mercado, mas explica que os títulos foram selecionados de acordo com os prazos e as necessidades de cada cliente, com a intenção de mantê-los até o vencimento e preservar as condições de remuneração contratadas.

A definição da equipe econômica e das diretrizes para as contas públicas estará entre os principais fatores acompanhados pela Armada. Apesar do diagnóstico pessimista, Fernandes considera que quedas acentuadas nos preços poderão abrir oportunidades de compra, desde que compatíveis com a estratégia de preservação de capital.

 

*Sobre a fonte*

Juliano de Lara Fernandes é sócio da Armada Asset, possui as certificações CFA e CGA e atua há mais de dez anos no mercado financeiro, com experiência em gestão de fundo exclusivo e patrimônio familiar. Tem MBA pela FGV-RJ.


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