Quando a comunidade participa, a juventude rural ganha voz

Por: Alini Lusa Morais, educadora social do Instituto Crescer Legal

A formação de jovens rurais vai muito além dos conteúdos trabalhados em sala de aula. Ela também acontece quando os jovens têm a oportunidade de conhecer pessoas, instituições e profissionais que fazem parte da realidade de suas comunidades. No Programa de Aprendizagem Profissional Rural do Instituto Crescer Legal, as parcerias estabelecidas ao longo da formação têm possibilitado justamente essa aproximação entre os jovens, o território e os diferentes conhecimentos que nele existem.

Na turma em que atuo como educadora de referência este ano, em Sinimbu, já recebemos parceiros da área da saúde para conversar sobre adolescência e também realizamos visitas técnicas à Emater, ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais e à Sala do Empreendedor. Tivemos, ainda, a oportunidade de receber representantes da Secretaria Municipal da Agricultura. Cada encontro traz conhecimentos diferentes, mas todos têm algo em comum: possibilitam que os jovens conheçam melhor os serviços, as oportunidades e as pessoas que podem contribuir para seus projetos e para sua vida no meio rural.

Mais do que ouvir informações, esses momentos permitem que os jovens façam perguntas, apresentem suas dúvidas e compartilhem aquilo que vivenciam em suas propriedades e comunidades. Quando um jovem pergunta sobre uma dificuldade que enfrenta, sobre uma possibilidade para sua propriedade ou sobre seu futuro profissional, ele deixa de ocupar apenas o lugar de quem recebe conhecimento e passa a participar ativamente da construção desse conhecimento. É nesse espaço de diálogo que seus interesses ganham visibilidade e sua voz passa a ser reconhecida.

As parcerias também aproximam os jovens de referências que, muitas vezes, estão presentes no próprio território, mas nem sempre fazem parte do seu cotidiano. Conhecer uma instituição, conversar diretamente com um profissional ou receber uma autoridade pública na turma ajuda a perceber que existem caminhos, serviços, oportunidades e pessoas que podem ser acessados. Para a juventude rural, essa aproximação é especialmente importante, pois fortalece o sentimento de pertencimento e mostra que seus projetos, suas dúvidas e suas perspectivas de futuro também precisam estar presentes nas discussões sobre o desenvolvimento das comunidades.

Por isso, acredito que formar jovens também significa criar espaços para que eles sejam ouvidos. As parcerias não são apenas um complemento às atividades pedagógicas: são uma ponte entre a formação, a comunidade e a realidade dos jovens. Quando profissionais, instituições e lideranças se dispõem a dialogar com eles, todos aprendem. E, principalmente, os jovens percebem que suas perguntas importam, que seus interesses merecem atenção e que podem ocupar um papel ativo na construção do futuro de suas propriedades, de suas comunidades e do meio rural.

Por: Alini Lusa Morais - Educadora social do Instituto Crescer Legal.


Imprensa - Instituto Crescer Legal | Foto: Junio Nunes

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