Formatura neste sábado, na Ocergs, celebra trajetórias de persistência, crescimento profissional e transformação por meio da educação
Seis associados da Cootravipa concluem, neste sábado, 1º de agosto, o Curso Superior de Tecnologia em Gestão de Cooperativas da Faculdade Escoop. A cerimônia será realizada na sede da Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (Ocergs), em Porto Alegre.
Entre os formandos estão uma líder de equipe de varrição, duas auxiliares administrativas e três coordenadores. Mais do que a entrega dos diplomas, a cerimônia representa a conquista de trabalhadores que retomaram os estudos, enfrentaram desafios pessoais e conciliaram a rotina profissional com as aulas presenciais.
Uma dessas histórias é a de Carmen Lucia Pereira de Almeida, de 60 anos. Associada à Cootravipa há 16 anos, ela começou trabalhando na varrição, passou também pela área da limpeza e realizou um curso de liderança. Atualmente, atua como líder de equipe de varrição na região da Glória, em Porto Alegre.
A graduação, concluída aos 60 anos, foi uma decisão que surpreendeu até mesmo seus familiares. “Minha família foi contra. Perguntavam o que eu queria fazendo faculdade com a idade que eu tenho. Mas eu queria e fiz”, conta Carmen.
Antes de chegar ao Ensino Superior, ela precisou retomar uma trajetória educacional interrompida ainda na juventude. Já trabalhando na Cootravipa, Carmen recebeu o incentivo para concluir o Ensino Médio, necessário para avançar profissionalmente e assumir uma função de liderança.
Ela voltou à sala de aula e concluiu o Ensino Médio na Escola Estadual Anne Frank. Depois, ingressou no curso de Gestão de Cooperativas da Faculdade Escoop.
Durante a graduação, Carmen conciliou as aulas presenciais no período da noite com a rotina de trabalho. Ao longo de sua trajetória, enfrentou também desafios de saúde e perdas pessoais, entre elas a perda do único filho, há 14 anos.
Apesar das dificuldades, ela seguiu em frente. Carmen afirma que o curso ampliou seus conhecimentos sobre o cooperativismo e trouxe aprendizados que já podem ser aplicados no cotidiano da organização. “Aprendi muitas coisas que eu não sabia sobre o cooperativismo. São conhecimentos que também ajudam no trabalho dentro da cooperativa. Estou me aperfeiçoando”, afirma.
E os planos de estudo não terminam com a formatura. Carmen pretende fazer um curso de informática e Excel para aprender a utilizar melhor o computador que comprou há cerca de um ano e ainda está praticamente novo em sua casa.
Do Ensino Fundamental à graduação
A formatura também marca uma conquista importante para Vanessa Coutinho Machado, de 27 anos, associada à Cootravipa há cinco anos e atualmente auxiliar administrativa.
Antes de ingressar na cooperativa, Vanessa havia concluído apenas o Ensino Fundamental. A partir das oportunidades e dos incentivos recebidos, retomou os estudos, terminou o Ensino Médio e ingressou no Curso Superior de Tecnologia em Gestão de Cooperativas.
Sua trajetória profissional dentro da Cootravipa passou por diferentes etapas. Vanessa começou na área da limpeza, atuou na supervisão e chegou à equipe administrativa.
Com duração de dois anos, o curso reuniu conteúdos de administração, contabilidade, tecnologia e gestão voltados ao funcionamento das cooperativas. As aulas eram presenciais, de segunda a sexta-feira, das 19h às 22h30.
Vanessa avalia que a graduação contribuiu para seu desenvolvimento pessoal, melhorou sua comunicação e trouxe conhecimentos importantes para a atuação profissional.
Durante o curso, ela também passou pela gestação. Mesmo com as mudanças na rotina, conseguiu acompanhar as aulas e concluir a graduação. Vanessa chega à cerimônia de formatura com a filha de seis meses. Após finalizar o curso superior, ela já iniciou uma nova capacitação em Excel, buscando aprofundar seus conhecimentos nas áreas financeira e administrativa.
De motoboy a coordenador
A trajetória de Guilherme Veiga Nunes, de 38 anos, também foi marcada por mudanças profissionais e educacionais dentro da Cootravipa. Solteiro e associado há dez anos, ele ingressou na cooperativa trabalhando como motoboy e com baixa escolaridade.
“Entrei nesta cooperativa como motoboy, com baixa escolaridade e sem outra profissão, além da condução de veículos. Aqui dentro, fui preparado e conduzido por pessoas que me ajudaram a evoluir”, relata.
Ao longo de uma década, Guilherme assumiu novas responsabilidades. Tornou-se supervisor de contrato, passou pelo setor administrativo e pelo almoxarifado e, posteriormente, chegou à função de coordenador, cargo que ocupa atualmente. Agora, prepara-se para uma nova oportunidade em outro setor da cooperativa.
Ele destaca especialmente o incentivo recebido de Dona Beth, sócia fundadora da Cootravipa, e de Dona Sara.
“Foram pessoas que me abriram portas, me incentivaram e proporcionaram a oportunidade de fazer cursos. São duas das principais responsáveis por eu ter chegado a esta formatura”, afirma.
A Cootravipa também fez parte da retomada de sua trajetória educacional. Dentro da cooperativa, Guilherme teve a oportunidade de concluir o Ensino Médio e, depois, ingressar na graduação em Gestão de Cooperativas.
Conciliar trabalho, estudos e vida pessoal esteve entre os principais desafios enfrentados durante os dois anos de curso. Para Guilherme, porém, a formação trouxe conhecimentos que já fazem diferença em seu trabalho como coordenador.
Ele destaca os conteúdos relacionados aos aspectos jurídicos do cooperativismo, à gestão de pessoas e às relações interpessoais. Segundo o formando, os aprendizados contribuem para a elaboração de estratégias de trabalho voltadas ao desenvolvimento dos associados e da própria cooperativa.
“Hoje consigo compreender melhor como lidar com as diferentes questões de uma cooperativa. O curso é muito útil para montar estratégias de trabalho e buscar sempre ajudar os associados e a nossa organização”, explica.
Quando ingressou na Cootravipa, Guilherme não pretendia continuar estudando. Agora, com a graduação concluída, planeja iniciar uma pós-graduação nos próximos meses. Ainda avaliando qual formação escolherá, ele pretende seguir na área de gestão de pessoas. “Criei um carinho por essa parte do cooperativismo e me encontrei profissionalmente dentro dela. Minha ideia é continuar sempre na área de gestão de pessoas”, projeta.
Seis trajetórias, uma conquista coletiva
Além de Carmen, Vanessa Coutinho e Guilherme Veiga, concluem a graduação Francielen Caramao Rodrigues, de 33 anos, coordenadora e associada há sete anos; Guilherme Luiz da Rocha, de 26 anos, coordenador e associado há três anos; e Vanessa Leticia Anezi, de 33 anos, auxiliar administrativa e associada há dois anos.
As seis trajetórias mostram como a educação pode transformar a relação dos associados com o trabalho, fortalecer a participação na gestão e abrir novos caminhos dentro e fora da cooperativa.
Para a Cootravipa, a formatura também concretiza um de seus principais compromissos institucionais: promover a inclusão social por meio da oportunidade de trabalho e do acesso à educação, contribuindo para que os associados se tornem protagonistas das próprias histórias.
A presidente da Cootravipa, Imanjara Marques de Paula, destaca que a conquista dos formandos representa o resultado da persistência de cada associado e do investimento contínuo na formação das pessoas.
“Cada diploma representa uma trajetória de coragem, persistência e transformação. Ver nossos associados concluindo o Ensino Superior mostra que o acesso ao trabalho pode e deve vir acompanhado de oportunidades de aprendizado e desenvolvimento. É assim que fortalecemos as pessoas, a cooperativa e o próprio cooperativismo”, afirma Imanjara.
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