Sistema FIERGS reduz estimativa de crescimento do PIB do RS após tensões geopolíticas e recuo da agropecuária

Riscos do fim da escala 6x1 e juros elevados também afetam ambiente de negócios


O Sistema FIERGS, por meio da Unidade de Estudos Econômicos (UEE) e do Observatório da Indústria do RS, revisou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho em 2026. A estimativa passou de 2,9%, divulgada em dezembro no Balanço Econômico 2025 e Perspectivas 2026, para 2,2%. A principal revisão ocorreu na agropecuária, cuja expectativa de alta caiu de 17,6% para 9,5% em razão das condições climáticas adversas, como chuva irregular e temperatura elevada, que impactam a safra de grãos. As novas projeções foram divulgadas nesta terça-feira (12).

A previsão de crescimento da indústria gaúcha neste ano foi mantida em 0,8%. Para o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, o cenário de juros elevados, crédito restritivo, baixo dinamismo econômico e incertezas políticas impedem um desempenho mais consistente no setor produtivo. “Os conflitos no Oriente Médio e as tarifas americanas que ainda vigoram sobre produtos brasileiros afetam a indústria gaúcha, que tem alta vocação exportadora. Além disso, os juros elevados e os riscos do fim da escala 6x1 impactam a confiança do industrial e a geração de empregos e renda”, afirma.

O levantamento mostra ainda que a projeção para as exportações da indústria gaúcha foi revisada de US$ 16,9 bilhões para US$ 16,7 bilhões em 2026. Além disso, nos dois primeiros meses do ano, a produção industrial do RS acumulou retração de 3%. Após crescer 2,3% em 2025, a produção deve encerrar este ano com alta de 0,6%, abaixo da projeção anterior, de 0,7%. O Índice de Desempenho Industrial do Rio Grande do Sul (IDI-RS), outro indicador analisado mensalmente pelo Sistema FIERGS, fechou 2025 com retração de 1,4% e acumulou queda de 7% nos dois primeiros meses de 2026. Com isso, a projeção de crescimento do indicador para este ano foi revisada de 0,2% para 0,1%.

A projeção para o PIB brasileiro foi mantida em 1,9% em 2026. A agropecuária teve a estimativa reduzida de 3% para 2,1%, enquanto a projeção da indústria subiu de 1,1% para 1,3%. Já os serviços foram revisados de 2% para 1,9%.

No mercado de trabalho, o Rio Grande do Sul criou 46,9 mil vagas formais no primeiro trimestre de 2026, 20,3 mil a menos do que no mesmo período de 2025. No acumulado de 12 meses até março, o estado gerou 25,1 mil empregos formais, 49,3 mil a menos do que o registrado no mesmo período do ano anterior. Na indústria, o cenário passou de geração de 18,4 mil empregos nos 12 meses encerrados em março de 2025 para fechamento de 4,2 mil vagas na mesma base de comparação em 2026. Diante do menor dinamismo econômico, a projeção de geração de empregos formais no estado foi revisada de 46 mil para 40 mil vagas em 2026. Já a taxa de desemprego no Rio Grande do Sul foi revisada de 5% para 4,5% ao final de 2026.

O economista-chefe do Sistema FIERGS, Giovani Baggio, destacou que a revisão das projeções é importante para ajudar empresas e investidores a recalibrarem suas decisões diante das mudanças no cenário econômico. “O documento mostra os impactos da desaceleração da atividade econômica, da manutenção do cenário de juros elevados já sinalizado nas projeções anteriores e do aumento das incertezas internacionais sobre a indústria gaúcha. A revisão das projeções para inflação, juros, PIB e mercado de trabalho ajuda o setor produtivo a ter mais clareza sobre o ambiente econômico e tomar decisões com maior segurança”, considera. Uma nova atualização das projeções deve ser divulgada em agosto.

Confira os principais resultados da revisão para o Brasil e para o RS
PIB
Brasil: 1,9%, projeção mantida
RS: 2,2%, ante 2,9% da projeção anterior
Produção industrial
Brasil: 0,9%, ante 1% na projeção anterior
RS: 0,6%, ante 0,7% na projeção anterior
Geração de emprego
Brasil: 855 mil vagas, ante 911 mil da projeção anterior
RS: 40 mil vagas, ante 46 mil da projeção anterior
Taxa de desemprego
Brasil: 5,9%, ante 6,2% da projeção anterior
RS: 4,4%, ante 5% da projeção anterior
Inflação
IPCA: 5,1%, ante 4,8% da projeção anterior
INPC: 5%, ante 4,5% da projeção anterior
Taxa de juros
Selic: 13,25%, projeção mantida
Taxa de câmbio
Dólar: R$ 5,08, ante R$ 5,50 da projeção anterior
Balança Comercial
Brasil: US$ 345,2 bilhões em exportações totais, ante US$ 349,2 bilhões da projeção anterior
RS: US$ 22,1 bilhões em exportações totais no final do ano de 2026, ante US$ 22,4 bilhões da projeção anterior. A Indústria de Transformação deve exportar US$ 16,7 bilhões ao final de 2026 ante US$ 16,9 bilhões da projeção anterior.

Sistema FIERGS | Comunicação - Gerência de Comunicação Estratégica

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