Hospital Banco de Olhos São Pietro orienta sobre riscos oculares associados à semaglutida e reforça a importância do acompanhamento com oftalmologista
O avanço no uso das chamadas “canetas emagrecedoras”, indicadas para controle do diabetes e da obesidade, acende um alerta também fora do campo metabólico. Esses medicamentos são baseados em agonistas do receptor GLP-1, hormônio que atua na regulação da glicose e do apetite. No Hospital Banco de Olhos São Pietro, referência em oftalmologia no Sul do país, a preocupação se volta para possíveis impactos na saúde ocular relacionados ao uso da semaglutida. Nesse cenário, é fundamental que a população esteja atenta aos sinais e realize acompanhamento adequado desde o início do tratamento.
A semaglutida, princípio ativo de medicamentos amplamente difundidos nos últimos anos, atua no controle da glicose e do apetite ao imitar a ação de um hormônio natural do organismo. Embora os benefícios no tratamento do diabetes e da obesidade sejam reconhecidos, publicações recentes de entidades como a American Academy of Ophthalmology apontam possíveis associações com alterações visuais, como visão borrada e agravamento da retinopatia diabética, complicação microvascular crônica do diabetes que danifica os vasos sanguíneos da retina.
Há ainda investigações sobre uma possível relação com a neuropatia óptica anterior isquêmica (NOIA), condição conhecida como infarto do nervo óptico, mas sem evidência conclusiva até o momento. Além disso, está em andamento o estudo FOCUS, que deve avaliar até fevereiro de 2027 se o uso da semaglutida, associado a outros medicamentos para diabetes, pode influenciar a progressão da retinopatia diabética.
Segundo a Dra. Marcela Bordaberry, oftalmologista do Hospital Banco de Olhos São Pietro, parte dessas alterações pode ser explicada pelas mudanças rápidas nos níveis de glicose no sangue. “Quando a glicemia reduz de forma mais intensa, pode haver uma modificação temporária no formato do cristalino, o que leva à visão borrada. Esse efeito costuma ser transitório, principalmente nos primeiros meses de uso”, explica. Ainda assim, ela destaca que pacientes com doenças oculares prévias ou fatores de risco devem ter atenção redobrada.
No Brasil, onde cerca de 16 milhões de pessoas vivem com diabetes, segundo o Ministério da Saúde, o tema ganha relevância. A doença é uma das principais causas de perda visual no país, especialmente quando associada a outras condições como hipertensão arterial e obesidade. “Esses fatores, combinados, aumentam o risco de complicações como a NOIA, que pode causar perda súbita e indolor da visão em um dos olhos”, alerta a especialista.
Outro ponto de atenção é o perfil dos pacientes que buscam o uso dessas medicações. Pessoas com obesidade frequentemente apresentam apneia do sono, condição que, associada ao diabetes e à pressão alta descontrolada, eleva o risco de problemas no nervo óptico. “Não é possível afirmar uma relação direta de causa e efeito entre a semaglutida e essas condições, mas existe uma sobreposição de fatores de risco que precisa ser considerada na avaliação clínica”, ressalta a médica.
Avaliação prévia e acompanhamento são essenciais
Dessa forma, a principal recomendação do Hospital Banco de Olhos São Pietro é a prevenção. Pacientes que já utilizam ou pretendem iniciar o uso da medicação devem realizar avaliação oftalmológica completa, incluindo exames e manter acompanhamento regular. Para quem vai iniciar o uso da semaglutida, a orientação é realizar uma consulta prévia para avaliar as características do nervo óptico e a pressão ocular. Em casos de nervos ópticos considerados de risco ou pressão ocular acima de 20 mmHg, é fundamental que o uso seja avaliado de forma criteriosa, considerando o custo-benefício. A integração entre endocrinologistas e oftalmologistas é apontada como essencial para garantir segurança ao paciente.
Além das possíveis alterações visuais, o uso da semaglutida não substitui cuidados básicos com a saúde. A indicação deve ser sempre individualizada e acompanhada por um médico, considerando o histórico clínico de cada paciente. A adoção de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática de exercícios e acompanhamento regular, segue sendo fundamental. Para quem inicia o tratamento, é importante seguir corretamente as orientações médicas e estar atento a possíveis efeitos colaterais, como alterações visuais, especialmente nos primeiros meses de uso.
A orientação também vale para quem já está em tratamento e não apresenta sintomas. “A ausência de sinais não elimina a necessidade de acompanhamento. Muitas doenças oculares evoluem de forma silenciosa, e o diagnóstico precoce faz toda a diferença no prognóstico”, reforça a médica.
Sobre o Grupo São Pietro Hospitais e Clínicas
Com cuidado e transformação em seu DNA, o Grupo São Pietro Hospitais e Clínicas destaca-se com atuação em hospitais especializados, em rede de clínicas de Oftalmologia e Urologia e no segmento de sênior living com a gestão do São Pietro Sênior já em operação. Possui em sua rede o Hospital Banco de olhos, o maior centro de ensino e cuidado de oftalmologia do sul do país, e o Prime Day Hospital especializado em múltiplas especialidades. O Grupo São Pietro Hospitais e Clínicas conta com unidades em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Xangri-lá, oferecendo à população serviços norteados pela sustentabilidade, qualidade e segurança, inovação e tecnologia, ética e respeito. Mais informações em: www.saopietro.com.br.
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