Com o pico da atividade solar previsto para 2025-2026, produtores que dependem de sinais GNSS para guiar suas operações precisam entender o que está em jogo e o que podem fazer a respeito
O Sol passa por ciclos de atividade a cada 11 anos, alternando entre períodos de mínima e máxima intensidade. O Ciclo Solar 25 começou oficialmente em dezembro de 2019 e está em seu pico. Dados de centros de monitoramento, como o SWPC (Space Weather Prediction Center) da NOAA, mostram que a atividade solar neste ciclo superou as previsões iniciais, com frequência de manchas solares e ejeções de massa coronal acima do esperado. Para a agricultura de precisão, isso significa maior probabilidade de perturbações nos sinais de satélite que guiam máquinas no campo.
A cintilação ionosférica, nome técnico das perturbações que a atividade solar causa nos sinais GNSS, atinge com mais intensidade as regiões próximas ao equador magnético. O Brasil, pela sua posição geográfica, está em cheio nessa faixa. Aqui ele gera distorções concretas nos sinais de posicionamento que orientam plantadeiras, pulverizadores e colheitadeiras. Não é coincidência que fabricantes globais de tecnologia de precisão tenham priorizado o mercado brasileiro no desenvolvimento de soluções que mitiguem os efeitos negativos da cintilação.
A cintilação ionosférica se concentra no período noturno, entre 18h e 4h. É exatamente a janela em que operam as fazendas que adotaram o terceiro turno para maximizar o uso de máquinas e aproveitar janelas de plantio cada vez mais curtas. Em culturas como a cana-de-açúcar, onde a operação roda 24 horas por dia, o impacto é ainda mais direto. "A cintilação não é mais uma ameaça teórica. É uma realidade agravada pelo Ciclo Solar 25, e nossos agricultores estão cada vez mais expostos", afirma Lohaynes Santos, gerente de produto Trimble RTX® América Latina. O produtor investiu em tecnologia para ganhar produtividade noturna e agora precisa de soluções que protejam justamente essa janela.
Quando se fala em cintilação, é comum pensar apenas em "máquina parada". Mas os efeitos são mais amplos. Um sinal degradado, que não desaparece por completo, mas perde precisão, pode ser mais danoso do que a ausência total, porque a máquina continua operando com desvios que o operador nem sempre percebe em tempo real. Isso gera sobreposição de passadas (desperdício de insumos e combustível), falhas de espaçamento no plantio (perda de produtividade por metro linear), aplicações irregulares de defensivos (áreas sub ou super dosadas) e pisoteio. Em operações de larga escala, esses erros acumulados representam prejuízos que só aparecem no fechamento da safra.
Os dois principais sistemas de correção de sinal usados na agricultura de precisão brasileira, RTK (Real-Time Kinematic) e PPP (Precise Point Positioning), têm vulnerabilidades distintas diante da cintilação. O RTK depende de uma estação base local e é mais sensível a perturbações ionosféricas, especialmente quando a distância entre base e receptor aumenta. Já o sistema PPP, como o RTX, baseado em correções via satélite, utiliza modelagem global de erros e múltiplas constelações, o que lhe confere maior resiliência. Isso não significa que o RTX seja imune, daí a importância de tecnologias complementares de proteção, como filtros de compensação ionosférica que atuam em tempo real.
O mercado de tecnologia agrícola respondeu ao Ciclo Solar 25 com soluções desenhadas especificamente para mitigar a cintilação. A Trimble, por exemplo, desenvolveu o IonoGuard™, recurso integrado ao serviço de correção de sinais CenterPoint RTX que filtra distorções causadas pela atividade solar e mantém precisão abaixo de 2,5 centímetros mesmo sob condições ionosféricas extremas. A tecnologia está disponível nos receptores PTx Trimble NAV-960 e NAV-900 (neste último, via atualização gratuita de firmware). Outros fabricantes também investiram em respostas ao fenômeno, o que indica que a proteção frente à cintilação tende a se tornar requisito básico, e não diferencial, nos sistemas de precisão dos próximos anos.
O Ciclo Solar 25 tem tido seu pico e, como todo ciclo, entrará em fase de declínio. Mas o próximo virá e com ele, possivelmente, intensidade ainda maior. O que a safra 2025/26 está ensinando ao agro brasileiro é que a resiliência do sinal de precisão precisa entrar no planejamento operacional com o mesmo peso que o manejo de solo, a logística de insumos e a gestão climática. Produtores que atualizarem seus receptores, investirem em conectividade redundante (satelital + IP) e capacitarem suas equipes para interpretar indicadores de cintilação estarão não apenas protegidos contra este ciclo, mas preparados para os que virão.
Sobre a Trimble
A Trimble está transformando as maneiras como as pessoas se movem, constroem e vivem. Tecnologias principais em posicionamento, modelagem e análise de dados conectam os mundos digital e físico para melhorar a produtividade, qualidade, segurança, transparência e sustentabilidade de nossos clientes. Para mais informações sobre a Trimble (Nasdaq: TRMB), visite: www.trimble.com.br.
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