Agro brasileiro acelera uso de inteligência artificial para ganhar produtividade e reduzir riscos

Sensores, dados e automação já influenciam decisões em lavouras e na pecuária em todo o país

A inteligência artificial começa a consolidar espaço no agronegócio brasileiro como ferramenta prática de gestão e produção, deixando de ser tendência para se tornar parte da rotina no campo. Em um cenário de custos elevados, margens pressionadas e maior risco climático, produtores passam a recorrer à tecnologia para reduzir perdas e aumentar eficiência.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de grãos no país segue em patamares elevados, mas enfrenta desafios crescentes relacionados à irregularidade climática e ao custo de insumos. Nesse contexto, o uso de dados e sistemas inteligentes tem sido decisivo para melhorar o planejamento e a tomada de decisão.

Para Leonardo Ribeiro Dalben, desenvolvedor de software especialista em inteligência artificial (IA), a principal mudança está na forma como o produtor passa a interpretar o próprio negócio. “A IA permite antecipar cenários com base em dados reais. Isso ajuda o produtor a agir antes do problema aparecer, seja na lavoura ou na gestão da propriedade”, afirma.

Na agricultura, a tecnologia já é aplicada no monitoramento de áreas por meio de sensores e imagens, permitindo identificar falhas de plantio, estresse hídrico e início de pragas com mais precisão. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, o uso de ferramentas digitais na agricultura de precisão pode elevar a produtividade em até 20%, além de reduzir desperdícios de água e insumos.

Na pecuária, o avanço também é relevante. Sistemas baseados em inteligência artificial permitem acompanhar o comportamento dos animais e delimitar áreas de manejo sem a necessidade de estruturas físicas tradicionais. “Hoje já existem soluções que utilizam sensores e inteligência artificial para controlar o deslocamento do rebanho, reduzindo custos com infraestrutura e aumentando o controle operacional”, explica Dalben.

Além do ganho produtivo, a tecnologia começa a impactar diretamente a gestão financeira das propriedades, um dos principais gargalos do setor. Dados recentes mostram que as dívidas do agro em recuperação extrajudicial já somam cerca de R$ 98 bilhões em 2026, indicando que o desafio não está apenas na produção, mas na gestão do negócio rural.

Nesse cenário, a inteligência artificial passa a atuar também como ferramenta de organização e planejamento. “O produtor que utiliza dados consegue entender melhor seus custos, prever cenários e tomar decisões com mais segurança. Isso faz diferença principalmente em momentos de margem apertada”, diz o especialista.

Outro fator que impulsiona essa transformação é a entrada de uma nova geração no campo, mais familiarizada com tecnologia e gestão baseada em dados. Segundo o Global Entrepreneurship Monitor, cresce o número de jovens empreendedores adotando soluções digitais, inclusive no agronegócio.

Apesar do avanço, a adoção ainda enfrenta desafios, principalmente relacionados à conectividade no campo e ao acesso à tecnologia por pequenos e médios produtores. Mesmo assim, a tendência é de expansão, impulsionada pela necessidade de produzir mais com menos e reduzir riscos operacionais.

“A tecnologia não substitui a experiência do produtor, mas amplia a capacidade de decisão. Quem conseguir integrar dados ao dia a dia da produção vai ter mais previsibilidade e competitividade”, conclui Dalben.

 

Sobre

Leonardo Ribeiro Dalben é desenvolvedor de software com mais de 5 anos de experiência, especialista em inteligência artificial e arquitetura de sistemas. Atua com tecnologias como. NET, cloud e microserviços, com foco em eficiência operacional e soluções escaláveis para diferentes setores, incluindo aplicações baseadas em IA.


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