IDI-RS sobe 1,5% na comparação com março, mas cai 3,4% em relação ao mesmo mês do ano passado
O desempenho de abril da indústria gaúcha, revelado pela pesquisa do Índice de Desempenho Industrial (IDI-RS) divulgada nesta terça-feira (9) pelo Sistema FIERGS, sinaliza para uma possível interrupção do movimento de queda observado ao longo de 2025 e no início de 2026. Ainda assim, o período é curto para caracterizar uma recuperação consistente da atividade industrial. O IDI-RS subiu 1,5%, revertendo parcialmente a retração ocorrida em março, quando ocorreu um recuo de 3,1% na comparação com fevereiro, na série com ajuste sazonal. “O ambiente econômico do país segue marcado por incertezas relacionadas à inflação, à continuidade do ciclo de redução dos juros e ao aumento da inadimplência, fatores que não garantem segurança ao industrial”, explica o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, destacando ainda riscos fiscais e indefinições eleitorais no país.
Externamente, Bier lembra que o conflito no Oriente Médio contribui para a manutenção dos preços do petróleo em níveis elevados e amplia as incertezas quanto à evolução dos custos de produção e da inflação global, limitando uma melhora mais consistente das perspectivas para o setor industrial.
O avanço do IDI-RS em abril em relação a março foi sustentado principalmente pelo crescimento das compras industriais (5,2%), das horas trabalhadas na produção (1,9%) e da utilização da capacidade instalada (0,9 ponto percentual). Por outro lado, a massa salarial real, o emprego industrial e o faturamento real registraram retrações de 1,6%, 0,9% e 0,5%, respectivamente.
Em relação ao mesmo mês do ano passado, o IDI-RS caiu 3,4%. O resultado reflete um desempenho negativo disseminado entre os componentes do índice, com destaque para as horas trabalhadas na produção (-6,3%), indicador que acumula sete meses consecutivos de queda nesta base de comparação. Também registraram retração o faturamento real, -4,9%, a massa salarial real, -4,7%, as compras industriais e o emprego industrial, com -3,5%, e -2,2%, respectivamente. Apenas a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) cresceu 0,6 ponto percentual frente a abril de 2025.
No acumulado do ano até abril de 2026, o IDI-RS registra queda de 4,9%. Apesar do resultado negativo, observa-se uma diminuição gradual da intensidade dessa retração ao longo dos últimos quatro meses, atingindo o menor recuo desde janeiro de 2026, quando chegou a 9,2%. Entre os componentes do índice, as compras industriais acumulam a maior queda no período, -13,3%, seguidas pelas horas trabalhadas na produção, -6% e faturamento real, -5,2%. Também tiveram desempenho ruim o emprego industrial (-1,1%), a massa salarial real (-0,8%) e a utilização da capacidade instalada (-0,5 ponto percentual).
PERDAS DISSEMINADAS
A queda da atividade industrial mostrou-se disseminada entre os segmentos pesquisados, com 12 dos 16 registrando desempenho negativo. As influências mais relevantes para o resultado partiram de Máquinas e equipamentos (-10,7%), Veículos automotores (-10,4%) e Equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-16%). Por outro lado, o setor de Alimentos continuou com resultado positivo, com 5,9% de elevação, assim como Móveis, 4,2%, atenuando parcialmente esse movimento de perdas.
Acompanhe a pesquisa completa no Observatório da Indústria: https://observatoriodaindustriars.org.br/inteligencia-estrategica/com-avanco-de-15-em-abril-idi-rs-apresenta-estabilizacao-da-atividade-industrial/.
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