Especialista do INTO explica por que baixas temperaturas podem agravar sintomas em pessoas com artrose, dores crônicas e sequelas de lesões ortopédicas
Com a chegada do inverno neste domingo (21), muitas pessoas voltam a sentir um velho incômodo: o aumento das dores nos joelhos, quadris, ombros e na coluna. De acordo com o ortopedista do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), José Leonardo Rocha, as baixas temperaturas podem intensificar sintomas como dor, rigidez e limitação dos movimentos em pessoas que já convivem com problemas nos ossos, músculos e articulações, especialmente idosos e pacientes com artrose.
"Existe evidência científica de que condições climáticas podem influenciar a intensidade da dor em pacientes com artrose e outras condições musculoesqueléticas crônicas. No entanto, essa relação não acontece da mesma forma para todos os indivíduos e não deve ser encarada como uma regra absoluta", explica o coordenador de Ensino, Pesquisa e Inovação (COENPI) do INTO.
As condições mais frequentemente associadas à piora dos sintomas durante os meses mais frios incluem artrose, dores lombares e cervicais crônicas, tendinopatias, dores musculares persistentes, além de sequelas de fraturas e cirurgias ortopédicas.
Uma das razões para esse aumento do desconforto está na forma como o corpo reage ao frio. Com a queda da temperatura, mecanismos naturais são acionados para conservar calor. Entre eles está a diminuição da circulação sanguínea nas extremidades, como mãos e pés, o que pode aumentar a sensação de enrijecimento e intensificar dores já existentes em músculos e articulações.
Além disso, o frio provoca aumento da tensão muscular e pode levar à adoção de posturas mais rígidas ou encolhidas. "Essas respostas podem aumentar a rigidez, reduzir a flexibilidade e favorecer a percepção da dor em pessoas predispostas, especialmente aquelas que já apresentam algum comprometimento articular ou muscular", afirma José Leonardo.
Outro fator que contribui para o agravamento dos sintomas é a diminuição da atividade física. Durante o inverno, muitas pessoas passam mais tempo em ambientes fechados e tendem a se movimentar menos, o que favorece o enrijecimento das articulações e a piora da dor.
Pessoas que sofreram fraturas ou passaram por cirurgias ortopédicas também podem perceber mais sensibilidade nessa época do ano. Nesses casos, o desconforto costuma estar relacionado aos tecidos ao redor da área lesionada, às cicatrizes e à rigidez local, e não necessariamente a placas, parafusos ou próteses utilizados nos procedimentos.
Como aliviar as dores no inverno
Embora não seja possível controlar as condições climáticas, algumas medidas simples podem ajudar a reduzir o desconforto.
Manter o corpo aquecido, evitar longos períodos de inatividade e praticar atividade física regularmente estão entre as principais recomendações. Caminhada, bicicleta ergométrica, hidroginástica, pilates e musculação supervisionada ajudam a preservar a mobilidade, fortalecer a musculatura e melhorar a função das articulações.
"A atividade física é um dos pilares do tratamento não cirúrgico da artrose. Pessoas com doenças articulares devem ser estimuladas a permanecer ativas, respeitando seus limites e seguindo orientação adequada", destaca o coordenador.
A hidratação também merece atenção. Apesar da menor sensação de sede durante o inverno, a ingestão adequada de líquidos continua sendo importante, especialmente entre os idosos.
Dicas práticas para enfrentar as dores no inverno
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