Congresso Gaúcho de Atualização em Pediatria discutirá o uso da inteligência artificial na prática clínica e o papel humano do médico no cuidado infantil
A incorporação da inteligência artificial na saúde já impacta a rotina dos consultórios e hospitais, mas na pediatria esse avanço encontra limites. O tema estará em destaque no Congresso Gaúcho de Atualização em Pediatria, promovido pela Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), de 21/05 a 23/05, em Porto Alegre, reunindo especialistas para discutir como a tecnologia pode ser aliada sem comprometer o cuidado integral da criança.
A discussão será aprofundada na conferência “Como o pediatra vai se posicionar: protagonista, adaptado ou refém”, com moderação do médico João Pedro Locatelli Cezar e palestra de Rafael Martins. A atividade abordará desde a alfabetização digital até a tomada de decisão clínica baseada em evidências, com foco nas competências necessárias para o presente e o futuro da profissão.
O médico Pediatra com área de atuação em Hematologia e Hemoterapia Pediátrica, João Pedro Locatelli Cezar destaca que, apesar do avanço tecnológico, a inteligência artificial ainda apresenta limitações importantes na pediatria, especialmente quando comparada a outras áreas da medicina. “A inteligência artificial já demonstrou desempenho inferior em pediatria, inclusive em testes aplicados em provas médicas. O pediatra precisa avaliar múltiplos fatores ao mesmo tempo, como a criança, a família, o ambiente e as interações, e a tecnologia ainda não consegue integrar todas essas variáveis de forma adequada”, afirma.
Ao mesmo tempo, ele ressalta que a ferramenta pode trazer ganhos relevantes quando utilizada de forma adequada, especialmente em atividades operacionais e de organização de dados. “A inteligência artificial pode ser muito útil em tarefas repetitivas, como organizar prontuários, compilar exames e analisar informações em tabelas complexas. Isso permite que o pediatra direcione mais tempo para o cuidado direto, com escuta qualificada, empatia e comunicação com a família”, explica.
Outro ponto de atenção destacado pelo especialista é o risco do uso indiscriminado dessas ferramentas no cuidado à saúde infantil. Segundo ele, a tecnologia não deve ser utilizada como substituta da avaliação médica. “As próprias inteligências artificiais desenvolvidas para a saúde já apresentaram falhas em até 49% das recomendações. Isso mostra que elas não são seguras para interpretar sintomas complexos ou orientar condutas em pediatria sem a avaliação de um médico”, alerta.
Para a SPRS, o debate reforça que o futuro da pediatria passa pela integração responsável entre tecnologia e prática clínica, com formação contínua dos profissionais e valorização das competências humanas que seguem no centro do cuidado.
Mais informações sobre a programação e inscrições do Congresso Gaúcho de Atualização em Pediatria estão disponíveis em https://www.gauchopediatria.com.br/home.asp
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