Novos tratamentos para dermatite atópica, psoríase e vitiligo na infância são debatidos em simpósio

  • 19 de outubro de 2026
  • Sol FM

Encontro científico em Porto Alegre discutiu avanços no cuidado de doenças dermatológicas que podem comprometer o bem-estar e a qualidade de vida de crianças e adolescentes

Os avanços no tratamento de doenças como dermatite atópica, psoríase e vitiligo, que podem afetar a saúde e a qualidade de vida de crianças e adolescentes, estiveram entre os destaques do VII Simpósio de Dermatologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), nesta sexta-feira (16/10), em Porto Alegre. O encontro reuniu especialistas para discutir novas possibilidades terapêuticas, os desafios do diagnóstico precoce e as particularidades das doenças de pele na infância. A atividade integra a programação científica realizada em conjunto com as regionais da entidade, incluindo a Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio Grande do Sul (SBD-RS).

Atenção às manchas na pele e diagnóstico na infância

A identificação de manchas e pintas na pele das crianças abriu as discussões da manhã. Sob coordenação das médicas dermatologistas Dra. Júlia Kanaan Recuero e Dra. Carolina Gonçalves Contin Proença, o primeiro bloco reuniu orientações sobre diferentes tipos de lesões pigmentadas e os sinais que exigem acompanhamento especializado.

Os nevos melanocíticos, popularmente conhecidos como pintas ou sinais, foram apresentados pela médica dermatologista Dra. Juliana Casagrande Tavoloni Braga. A palestra trouxe informações sobre as características dessas lesões e os cuidados necessários para uma avaliação adequada durante a infância.

As alterações da pigmentação também receberam atenção, especialmente as manchas mais claras que a coloração natural da pele. A médica dermatologista Dra. Luciana de Paula Samorano explicou que essas manifestações nem sempre seguem o mesmo padrão observado nos adultos.

“O desafio é que nem sempre apresentam as mesmas características observadas nos adultos. Por isso, precisamos estar atentos às alterações na pele e considerar as particularidades dessa faixa etária para favorecer o diagnóstico precoce”, destacou.

A avaliação clínica dessas alterações foi aprofundada pela médica dermatologista Dra. Magda Blessmann Weber. Segundo ela, identificar a causa de uma mancha exige observar aspectos que vão além da coloração, como a superfície, a localização, a sensibilidade e o tempo de evolução. A distinção entre lesões hipopigmentadas, nas quais há redução da pigmentação, e despigmentadas, caracterizadas pela perda do pigmento, também ajuda a direcionar a investigação.

“Temos cinco eixos que devem orientar nossa avaliação: a tonalidade e o contraste da mancha, as características da superfície, a sensibilidade, a distribuição no corpo e o tempo de evolução. O dermatologista precisa utilizar os olhos e as mãos, porque o toque também é fundamental para o raciocínio diagnóstico. Além disso, é muito importante identificar se a lesão é hipopigmentada ou despigmentada, pois essa diferença ajuda a direcionar a investigação”, explicou.

Psoríase na infância

As particularidades da psoríase pediátrica ganharam espaço na aula “Da Infância à Vida Adulta: Por que Tratar Psoríase Precocemente Faz Diferença?”. O médico dermatologista Dr. Ricardo Romiti ressaltou que a condição pode se manifestar de maneira distinta em crianças e adultos. A forma em placas é a mais frequente, presente em cerca de 70% dos casos pediátricos, enquanto a apresentação gotada, caracterizada por pequenas lesões semelhantes a gotas, corresponde a 20% a 30%. A variante folicular, que acomete a região dos folículos pilosos, também aparece com maior frequência nessa faixa etária.

“Outro ponto de atenção são as lesões nas extremidades, como mãos e pés, que podem ser bastante resistentes ao tratamento”, completou.

Doenças do sistema imunológico e manifestações na pele

Alterações cutâneas que podem indicar problemas no funcionamento do sistema imunológico estiveram no centro do segundo bloco da manhã, novamente coordenado pelas médicas dermatologistas Dra. Júlia Kanaan Recuero e Dra. Carolina Gonçalves Contin Proença.

O médico alergologista Renan Augusto Pereira apresentou situações em que sinais observados na pele podem levantar suspeitas de imunodeficiências, condições que comprometem a capacidade do organismo de combater infecções.

Já a médica dermatologista Dra. Francisca Regina Oliveira Carneiro trouxe informações sobre as histiocitoses, grupo de doenças caracterizadas pelo acúmulo ou pela proliferação anormal de determinadas células do sistema imunológico. A apresentação chamou a atenção para manifestações cutâneas que podem contribuir para o reconhecimento dessas enfermidades, algumas delas capazes de atingir outros órgãos.

Novos tratamentos para doenças da pele em crianças e adolescentes

As perspectivas terapêuticas para condições inflamatórias que atingem o público pediátrico ganharam destaque durante a tarde. Coordenada pelos médicos dermatologistas Dr. Daniel Lorenzini e Dra. Magda Blessmann Weber, a sessão científica reuniu atualizações sobre dermatite atópica, psoríase, vitiligo e hidradenite supurativa.

No caso do vitiligo, caracterizado pela perda de pigmentação em determinadas áreas da pele, o tratamento envolve três objetivos principais: estabilizar a doença, estimular a repigmentação e manter os resultados alcançados. Os princípios foram explicados pelo médico dermatologista Dr. Caio Cesar Silva de Castro.

“Buscamos interromper o avanço das manchas, recuperar a pigmentação e preservar os resultados ao longo do tempo”, destacou.

O controle precoce da psoríase e seus reflexos na saúde emocional e na convivência social das crianças estiveram entre os pontos apresentados pela médica dermatologista Dra. Luciana Boff de Abreu. A condição inflamatória crônica costuma provocar placas avermelhadas e descamação, mas suas manifestações na infância podem variar, atingindo também as dobras da pele e a região das fraldas.

“A criança não é um miniadulto. Precisamos considerar as diferenças na apresentação da doença para fazer o diagnóstico”, afirmou.

Outra condição que exige atenção desde os primeiros anos de vida é a dermatite atópica. Caracterizada por inflamação crônica, ressecamento da pele e coceira intensa, ela foi tema da apresentação da médica dermatologista Dra. Silvia Assumpção Soutto Mayor. Entre as novidades estão medicamentos que atuam de forma mais específica nos mecanismos inflamatórios envolvidos no desenvolvimento da enfermidade.

“O avanço do conhecimento da imunologia e as novas terapias com alvos específicos estão mudando a história natural dessa doença”, destacou.

Os estudos apresentados também evidenciaram os efeitos da dermatite atópica sobre a rotina das famílias. Mais de dois terços das crianças menores de 12 anos com quadros moderados a graves relataram coceira diária, enquanto mais de 40% apresentaram alterações do sono em pelo menos cinco dias da semana anterior à avaliação. Entre os pais de pacientes pediátricos, 61% registraram distúrbios do sono.

A hidradenite supurativa também integrou as discussões. A médica dermatologista Dra. Maria Cecília da Matta Rivitti Machado explicou que essa condição inflamatória crônica, responsável pelo aparecimento de nódulos dolorosos, abscessos e cicatrizes, pode surgir em crianças e adolescentes, embora seja rara nas idades mais precoces. Para demonstrar sua ocorrência entre os jovens, citou uma pesquisa brasileira realizada com cerca de 17 mil entrevistas, que estimou uma prevalência geral de 0,41% e identificou maior frequência entre pessoas de 13 a 24 anos em comparação às faixas etárias mais velhas.

“É preciso reconhecer que a hidradenite supurativa também existe nessa faixa etária. Embora seja rara nas crianças menores, ela pode ocorrer. O estudo brasileiro mostrou uma frequência maior entre os jovens de 13 a 24 anos, reforçando a importância de considerar esse diagnóstico”, explicou.

A sessão incluiu ainda uma apresentação da médica dermatologista Dra. Júlia Kanaan Recuero sobre o papel dos corticoides tópicos no tratamento das doenças dermatológicas diante da disponibilidade crescente de medicamentos imunobiológicos.

Programação de sábado

O VII Simpósio de Dermatologia Pediátrica prossegue neste sábado (17/10), com atividades voltadas aos desafios do diagnóstico e do tratamento de doenças da pele em crianças e adolescentes. Entre os temas previstos estão hemangiomas, alterações vasculares, vasculites, doenças genéticas com manifestações cutâneas e cuidados com produtos utilizados na infância. O encontro também dará espaço a condições frequentes nos consultórios, como urticária crônica, manchas e erupções na pele, dermatite na área das fraldas e mastocitose, além da discussão de casos clínicos desafiadores.

 

Sobre a SBD-RS

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) é a única instituição reconhecida oficialmente pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Médica Brasileira (AMB) como representante dos dermatologistas no Brasil. Os médicos dermatologistas a ela ligados precisam obter o Título de Especialista que atesta a sua capacitação. A secção SBD-RS é a sua representante no território do Rio Grande do Sul.

PlayPress | SBD-RS - Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio Grande do Sul | Redação e foto: Marcelo Matusiak

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