Nota Conjunta | Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) e Associação Brasileira de Medicina do Tráfego do Rio Grande do Sul (ABRAMET-RS)
A segurança viária precisa ser compreendida como uma pauta permanente de saúde pública. Durante o mês de maio, quando é celebrado o Maio Amarelo, a Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) e a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego do Rio Grande do Sul (ABRAMET-RS) chamam a atenção da sociedade para a prevenção de sinistros, para a responsabilidade dos condutores e para a redução de mortes, traumatismos graves e incapacidades permanentes que poderiam ser evitadas com escolhas mais conscientes.
As ocorrências nas vias não impactam apenas a mobilidade urbana. Elas atingem famílias, sobrecarregam serviços de urgência e emergência, afastam pessoas do trabalho, geram sequelas físicas e neurológicas e provocam consequências sociais que se prolongam muito além do momento da colisão. Por isso, tratar do tema significa também falar sobre assistência, educação, comportamento e proteção da vida.
Entre os fatores mais associados aos episódios graves estão excesso de velocidade, direção sob efeito de álcool ou drogas, uso do celular ao volante, sono, fadiga, estresse e impulsividade. Essas atitudes reduzem a capacidade de reação, prejudicam a tomada de decisão e ampliam a intensidade das lesões, especialmente quando combinadas com altas velocidades e com a baixa tolerância do corpo humano aos impactos.
A AMRIGS e a ABRAMET-RS alertam que não existe quantidade segura de álcool para dirigir. Mesmo em pequenas doses, a substância interfere nas funções cerebrais responsáveis por atenção, reflexos, coordenação motora, percepção de risco e julgamento. O consumo também pode gerar falsa sensação de confiança, favorecendo ultrapassagens arriscadas, ritmo de condução inadequado e menor senso crítico diante de situações inesperadas.
A Medicina do Tráfego tem papel essencial nesse cenário, ao atuar na avaliação da aptidão física e mental dos condutores, na promoção de condutas responsáveis, no incentivo ao uso correto de dispositivos de proteção, como cinto de segurança, capacete e cadeirinhas infantis, e na defesa de políticas públicas voltadas à segurança viária. Também contribui para ampliar a conscientização sobre falhas de atenção ao conduzir, especialmente aquelas provocadas pelo uso de celular e aplicativos de mensagens.
A prevenção deve estar no centro das decisões individuais e coletivas. Reduzir mortes e sequelas permanentes nas vias depende de educação continuada, fiscalização, infraestrutura adequada, assistência pré-hospitalar qualificada e compromisso social com atitudes que preservem vidas. Cada escolha feita antes e durante a condução pode representar a diferença entre um deslocamento responsável e uma tragédia evitável.
Com isso, as entidades gaúchas reafirmam o compromisso com a valorização da vida, a orientação da população e o fortalecimento de ações educativas capazes de tornar o trânsito um ambiente mais seguro para motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.
Dr. Gerson Junqueira Jr.
Presidente da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS)
Dr. Ricardo Irajá Hegele
Presidente da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego do Rio Grande do Sul (ABRAMET-RS) e membro do Conselho de Representantes da AMRIGS
