Independência financeira atrai brasileiros para gastronomia; especialista ensina a precificar e gerir custos.

  • 3 de setembro de 2026
  • Sol FM

Com 45% dos empreendedores brasileiros buscando independência financeira, especialistas apontam gestão, precificação e capacitação como fatores decisivos para quem transforma a gastronomia em fonte de renda

A busca por independência financeira está entre os principais motivos que levam brasileiros a empreender. Segundo o estudo Empreendedorismo 2026, realizado pelo Consumer Insights UOL, 45% dos empreendedores apontam a autonomia financeira como uma das razões para abrir um negócio. A geração de renda aparece em seguida, citada por 39% dos entrevistados, enquanto 37% mencionam a flexibilidade de horários.

Na gastronomia, esse movimento encontra um mercado de grande dimensão. O setor de alimentação fora do lar movimentou R$287,9 bilhões no Brasil em 2025, segundo levantamento da Wise Sales em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA). Dos cerca de 1,2 milhão de estabelecimentos ativos no país, mais de 70% eram pequenos negócios.

É nesse cenário que a confeitaria e a gastronomia aparecem como alternativas para quem deseja transformar uma habilidade em fonte de renda. Bolos, doces, salgados, marmitas e outros produtos podem marcar o início de uma atividade empreendedora, muitas vezes dentro da própria casa. O desafio surge quando a produção deixa de ser uma renda eventual e passa a depender de organização para se manter.

"Muitas pessoas começam porque sabem cozinhar bem e percebem que existe uma demanda pelo que produzem. O primeiro passo é identificar uma habilidade que pode gerar renda. A partir daí, porém, é preciso entender que existe uma diferença entre vender um produto e administrar um negócio", afirma Glaucio Athayde, CEO do Instituto Gourmet, rede especializada em cursos profissionalizantes de gastronomia.

A trajetória de muitos pequenos empreendedores da alimentação começa de forma parecida. Uma receita preparada para familiares é elogiada, vira uma encomenda de um amigo e, pouco a pouco, chega a novos clientes. Conforme os pedidos aumentam, o que antes era uma atividade informal passa a exigir decisões relacionadas a compras, produção, preços, estoque, entregas e atendimento.

É nesse momento que a habilidade culinária precisa vir acompanhada de uma visão mais ampla sobre o negócio. Não basta saber quanto custa uma receita: é preciso entender quanto custa produzir, qual é a margem de cada produto, quanto deve ser reinvestido e qual valor pode ser destinado às despesas pessoais.

"Um dos principais desafios é fazer o empreendedor entender que o dinheiro que entra não representa necessariamente o lucro. É preciso colocar na conta os ingredientes, embalagens, gás, energia, transporte, taxas e o valor do próprio trabalho", explica Athayde.

O preço precisa começar pelos custos

Definir o preço apenas com base no que outros profissionais cobram é uma prática comum entre quem está começando. Acompanhar o mercado é importante, mas o cálculo precisa partir da realidade de cada negócio.

Um bolo vendido por R$100, por exemplo, pode parecer bastante rentável quando os ingredientes custaram R$40. Mas, ao incluir embalagem, gás, energia, transporte, taxas e o tempo dedicado à produção, o resultado pode ser diferente.

Não existe, segundo Athayde, um preço universal para um produto: cada negócio tem uma estrutura de custos, um público e uma realidade diferentes, e o empreendedor precisa conhecer os próprios números antes de decidir quanto cobrar.

Mais do que definir um valor competitivo, conhecer os custos permite identificar quais produtos realmente contribuem para o resultado do negócio. Um item que vende muito não necessariamente é o que apresenta a melhor margem de lucro.

À medida que a atividade se profissionaliza, o conhecimento necessário também muda. A técnica culinária continua fundamental, mas passa a dividir espaço com temas como gestão financeira, precificação, atendimento, vendas e planejamento.

Uma pesquisa nacional do Sebrae sobre microempreendedores individuais do setor de alimentos e bebidas mostra a relevância da alimentação entre as atividades exercidas por MEIs: das vinte atividades mais comuns entre esses empreendedores, sete estão relacionadas ao segmento.

O cenário reforça que a entrada no mercado pode acontecer em escala pequena, mas a continuidade do negócio depende de organização.

"Aprender uma técnica nova pode abrir uma oportunidade de venda, mas entender gestão é o que ajuda o profissional a tomar decisões melhores. Ele precisa saber o que vende, quanto custa, quanto sobra e onde faz sentido investir", diz Athayde.

Cinco cuidados para quem quer viver da gastronomia

Conheça o custo real de cada produto: ingredientes, embalagem, energia, gás, transporte, taxas e mão de obra.

Separe as contas pessoais das empresariais: mesmo com a produção em casa, mantenha um controle específico do negócio.

Baseie o preço em números: a concorrência ajuda a entender o mercado, mas quem decide o preço são os custos e a margem.

Identifique os produtos mais rentáveis: o que mais vende nem sempre é o que mais deixa de lucro.

Invista em capacitação: técnica para elevar a qualidade, e gestão, atendimento e vendas para estruturar o negócio.

Para Athayde, a organização financeira não deve ser deixada para depois: pode começar junto com os primeiros pedidos, mesmo que a produção ainda seja pequena e aconteça dentro de casa.

"Vender o que você sabe fazer é só o começo. A independência financeira vem depois, quando esse trabalho vira algo que você entende, controla e consegue sustentar com o tempo", conclui.

Sobre Instituto Gourmet

Com mais de dez anos de mercado, o Instituto Gourmet Brasil é a maior rede nacional de franquia especializada em cursos profissionalizantes na área da gastronomia. Criado para quem deseja empreender, ingressar no mercado gastronômico, obter formação profissional da área ou aprender por hobby, o Instituto Gourmet oferece opções de cursos de curta, média e longa duração, com flexibilidade nos horários, aulas práticas e foco na interação do aluno. Criada em 2014, a rede ingressou na franchising em 2017 e já conta com mais de 100 unidades abertas em todo o país.

https://institutogourmet.com/cursos/


Lucky Assessoria de Comunicação | Foto: Instituto Gourmet Brasil

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